Poetizando na Umbanda – Round 2

Ouvir episódio

Neste episódio, nós vamos recitar mais algumas poesias recebidas do plano espiritual, sempre com informações e esclarecimentos sobre os maravilhosos ensinamentos passados.

Transcrição do Episódio

Olá, meus irmãos e minhas irmãs de Podcast! Tudo bem? Como diz o Evandro: bom dia, boa tarde, boa noite a todos! Sejam bem vindos a mais um episódio do Alma de Poeta! O meu nome é Sofia, eu sou a cambone virtual desse podcast maravilhoso que fala sobre Umbanda, Mediunidade, Espiritualidade e também sobre as poesias do Pai Antônio. E hoje, eu tomei a liberdade de me intrometer na abertura do programa justamente para anunciar que neste capítulo iremos recitar mais posias recebidas do plano espiritual. Espero que vocês gostem!

Muito bom, Sofia! Gostei de ver a sua abertura! Eu acho que você pode fazer isso mais vezes. Aliás, eu pensei que você tinha abandonado o nosso podcast. Falou duas ou três vezes e depois não deu mais as caras! O que aconteceu?

Muito trabalho, meu querido! Eu tive que resolver muita coisa nessas últimas semanas e não tive tempo de te acompanhar no podcast. Me desculpa. Mas pelo que eu estava ouvindo dos últimos episódios, você soube se virar muito bem sem mim. Acho que eu não faço tanta falta assim.

Claro que faz, Sofia. Sem você o podcast não fica tão legal! E oi para vocês, pessoal! Para quem não me conhece, o meu nome é Evandro e eu sou médium umbandista. E como a Sofia bem disse, esse é um podcast dedicado para falar sobre Umbanda, Espiritualidade e mediunidade.

A primeira poesia que o Evandro vai recitar hoje se chama “inimigo meu”. Na verdade, são ensinamentos passados pelo plano espiritual, por meio de versos. Muitas vezes, nós nos queixamos dos desafios, das lutas e das pessoas, mas a gente se esquece que muito daquilo que nós estamos sofrendo são resultantes de nossas próprias atitudes. Então, vamos ouvir a poesia?

O filho se queixa da vida,
daqueles que o perseguem.
e exibe a alma ferida
pelas lutas que se seguem.

Mas não vê a contrapartida,
pois quando machuca alguém,
aquela alma aborrecida
o tratará com desdém.

O ódio é uma arapuca
cheia de chumbo trocado.
se hoje o filho machuca,
amanhã será machucado.

Não pense, meu filho amado
que apenas a prece afasta.
se quer consertar o passado,
boa atitude é o que basta!

Pois o inimigo de agora,
perseguidor implacável,
foi a vítima de outrora
por teu erro irresponsável.

A fragilidade do teu espírito
é o que fez tudo acontecer,
quando no passado esquecido
veio a vida comprometer.

Se hoje tens um inimigo,
procura te modificar.
para quando ele andar contigo,
sentir o amor despertar.

Vocês já ouviram aquele ditado: “quem com ferro fere, com ferro será ferido?” Então! Da mesma maneira que nós machucamos as pessoas, nós também seremos machucados por elas! Essa é uma lei divina, eterna e imutável! Tudo o que nós fazemos, nós acabamos atraindo pras nossas vidas! As nossas atitudes contribuem muito para aquilo que nós adquirimos.

Exato, Sofia! E é como a poesia fala, né? Às vezes a gente reclama, a gente se vitimiza, mas a gente esquece do que fez no passado. É normal do ser humano, né? A gente acaba se esquecendo do que faz. Mas toda atitude que nós temos, seja ela certa ou errada, acaba gerando uma consequência. Se nós fizemos coisas boas, teremos resultados bons, se nós fizemos coisas ruins, nós enfrentaremos as consequências no futuro. E esse futuro pode ser ainda nessa vida ou numa vida futura.

E a poesia fala uma coisa muito verdadeira: só rezar não adianta. Se a prece não vier acompanhada de boas atitudes, ela não serve para nada. Às vezes, as pessoas rezam aquelas preces vazias, mas o dia-a-dia da vida dela é totalmente oposto ao que ela prega, ao que ela reza. A gente precisa rezar e agir da mesma forma.

Sim. E me chamou atenção uma parte da poesia que fala assim: O inimigo de agora, perseguidor implacável, pode ter sido a vítima de outrora, por um erro irresponsável. Somos nós que construímos hoje as nossas amizades e inimizades de amanhã, seja no plano material, seja no plano espiritual.

Isso mesmo Sofia! A gente precisa prestar muita atenção na maneira como nós conduzimos os nossos relacionamentos hoje. Eu falo de relacionamento, mas eu estou falando assim, de amizade, família, trabalho. Não apenas o relacionamento conjugal. Porque os nossos relacionamentos, de uma maneira ampla, é que vai construir a nossa felicidade ou infelicidade aqui na Terra.

Se nós vivemos de uma maneira egoísta, agindo apenas para satisfazer as nossas necessidades aqui na Terra, a gente vai acabar ficando sozinho, porque a gente sempre pensou no próprio umbigo. Ou então, a gente vai acabar a vida rodeado de gente intereresseira, pessoas que são egoístas assim como nós fomos a vida inteira. Vocês percebem como os semelhantes se atraem? Somos nós que atraímos as pessoas que estão ao nosso lado. Da mesma maneira, somos nós que repelimos as pessoas para longe da gente.

Mas vamos lá, Sofia, qual é a segunda poesia que a gente vai falar hoje?

A segunda poesia que eu queria compartilhar é uma poesia que eu adoro! Essa é uma poesia que conta mais uma partezinha da vida do Pai Antônio e que traz um ensinamento maravilhoso sobre a gratidão e o perdão! Para quem não sabe, teve uma época da vida do Pai Antônio, da reencarnação dele como escravo, que ele teve o seu joelho esquerdo quebrado! O capataz, em um momento de fúria, quebrou o joelho do Pai Antônio. E hoje, no plano espiritual, quando o Pai Antônio se manifesta nas giras de Umbanda, ele vem sempre mancando da perna esquerda. Essa é uma característica com a qual ele gosta de se manifestar. Mas eu não vou entrar em detalhe sobre isso agora, porque essa é uma longa história que um dia, o Evandro poderá contar. Por enquanto, vamos ouvir a poesia e o ensinamento maravilhoso de gratidão e perdão que o Pai Antônio deixou.

Tudo o que acontece na vida
é uma experiência aprendida
na rota da evolução.
Até mesmo as coisas ruins
fazem brotar querubins
dentro do coração.

Quando o preto ficou aleijado,
por causa do joelho quebrado,
finalmente, conseguiu o perdão
dos erros que fez no passado,
por aquele dia, foi libertado
da sua própria imperfeição.

O capataz serviu de instrumento
naquele sagrado momento
que negro buscou ascensão.
Se hoje o preto vive na Luz,
e o destino dos filhos conduz,
é para mostrar sua gratidão.

Todos nós somos filhos de Zambi
e por mais que o filho descambe,
os erros servem como lição.
Porque, em cada nova existência,
Zambi grava na consciência,
a importância de amar seu irmão.

O capataz, todo arrependido,
por aquele ato irrefletido,
acabou despertando na dor.
Muito tempo viveu afligido,
mas hoje é um filho querido
que negro tem muito amor.

Então, vamos todos ofertar
nossas vidas ao Pai Oxalá
levando Zambi no coração!
E quando adentrar no Abassá,
curve a cabeça, diante do altar,
com a alma em gratidão.

Vocês conseguem perceber nessa poesia que, em momento algum, o Pai Antônio se vitimizou por terem quebrado o seu joelho? Muito pelo contrário! Ele disse que naquele dia, ele conseguiu o perdão pelos erros que ele fez no passado. E olha que eu, particularmente, não consigo imaginar o Pai Antônio fazendo qualquer coisa errada! Ele é um amor de pessoa! Mas ele disse que também teve as suas imperfeições e por isso precisou de uma vida sofrida para expurgar as suas faltas.

Eu não sei por que você colocou essa poesia, Sofia. Você sabe que tem algumas passagens da vida do Pai Antônio que ainda mexem muito comigo. Eu não me sinto preparado ainda para falar sobre aquele capataz e principalmente sobre aquele momento em que ele teve o seu joelho quebrado. Por enquanto não dá para eu falar sobre isso.

Tudo bem, meu querido. Vai chegar o dia em que nós conseguiremos falar sobre esse assunto sem qualquer sentimento de tristeza. Por enquanto eu só quis compartilhar com os nossos ouvintes os ensinamentos do bom velhinho.

Tá bom… Vamos passar para a outra poesia? Qual é a próxima poesia que você separou aqui para a gente ouvir?

A próxima poesia se chama “Esse Negro”, e também é mais uma das poesias passadas pelo nosso amado preto-velho. Como você pode ver, hoje eu estou inspirada no Pai Antônio.

Eu estou vendo! Já é a terceira poesia que você escolheu passada por ele! Então vamos ouvir mais essa poesia: Esse Negro!

Esse negro é um velho rezador
que aprendeu, ainda criança,
a louvar o Nosso Senhor.

Trouxe na Terra a esperança.
E um coração cheio de amor
para iniciar a mudança
no espírito sofredor.

Esse negro é um velho domador
que cavalos selvagens amansa
transformando o seu interior.

O peso da vida, põe na balança
esperando a Justiça de Xangô,
Quando virá, então, a cobrança
para o espírito devedor.

Esse negro é um velho sonhador
que transforma a destemperança
no perfume da mais linda flor.

Nos seus olhos, traz a lembrança
daqueles momentos de dor
quando manteve a confiança
em Zambi, o Nosso Senhor.

Esse negro é um velho servidor
que pela escuridão avança
sem qualquer tipo de temor.

De Ogum, empresta a sua lança
protegendo a todos do agressor,
mostrando a força da aliança
que fez com o Nosso Senhor.

Esse negro é um velho professor
que vem ensinar a perseverança
para o filho trabalhador.

Com humildade, mostra a herança
dos herdeiros do Pai Criador,
deixando no mundo a confiança
e o seu riso transformador.

Linda essa poesia, né gente? “Esse negro é um velho sonhador, que transforma a destemperança no perfume da mais linda flor”. Palavras que, num primeiro momento, parecem não fazer sentido algum, depois que a gente lê, relê, medita sobre elas… O significado oculto começa a tomar forma. Quando o Pai Antônio fala que transforma a destemperança no perfume da mais linda flor, ele quer dizer que transforma situações difíceis em oportunidades. Tudo tem o lado positivo, nessa vida, a gente só precisa saber interpretar da maneira certa.

É verdade, Evandro. E por falar em interpretar, tem uma outra parte da poesia que eu até arriscaria a dar a minha interpretação pessoal. É a parte que o Pai Antônio fala: “Esse negro é um velho domador, que cavalos selvagens amansa, transformando o seu interior.” Você pensou a mesma coisa que eu? Afinal de contas, você é o cavalo dele nas giras de Umbanda, não é?

Sofia, sofia… como que eu posso pensar diferente de você? Como que eu posso pensar diferente de alguém que sai de dentro da minha própria cabeça? Se bem que eu tenho que dar o meu braço a torcer… Muitas vezes esses nossos diálogos me surpreendem. Você me questiona coisas que até então eu não tinha me questionado.

Essa parte da poesia que você falou é uma delas, que eu só consegui enxergar com os seus olhos. Realmente, eu sou o cavalo do Pai Antônio. Bom, para quem não é da Umbanda, Cavalo é um termo carinhoso que as Entidades usam para se referir ao médium de incorporação. E eu, pensando aqui comigo, realmente, antes de começar a receber as Entidades nas giras, eu era um cavalo selvagem, um cavalo chucro. Com o passar do tempo foi que o Pai Antônio começou a me amansar. Ele começou a transformar o meu interior. Não só ele, né, como todos os outros guias que eu tenho. Cada um deu a sua cota de contribuição para amansar esse cavalo chucro. Você está coberta de razão, Sofia!

Eu sei que eu tô com a razão e que você não ousaria discordar de mim. Mas agora, vamos passar pra outra poesia. Só pra variar um pouco, essa poesia não é do Pai Antônio. Ou melhor, os versos são dele, mas os ensinamentos são de uma Entidade que trabalha na linha do Oriente. Eu vou colocar aqui pra gente ouvir?

Mestre, minha mente está confusa
e o meu pensamento dúbio.
Sinto minha alma reclusa
num momento de infortúnio.

Filho, há dois tipos de pessoas
que tentam entender o Eu.
Uma através da mente,
outra através de Deus.

Mas Mestre, dize-me com clareza,
o que é melhor para mim,
pois eu não tenho mais certeza
se a luta é boa ou ruim...

Filho, não ficarás livre do dever
simplesmente por deixar de agir.
Nem atingirás a perfeição do ser
enquanto das lutas fugir.

Pois cada um tem o seu karma,
e a batalha deve seguir.
Então, prepara tuas armas
para o teu destino cumprir.

Mas Mestre, como posso prosseguir
nesse caminho que tanto almejo,
se o meu espírito sempre cai
no mais obscuro desejo?

Meu filho, quem reprime os sentidos,
mas não livra a própria mente,
mantém o desejo escondido,
guardado no inconsciente.

Mas aquele que usa a mente
para controlar o sentido,
encontra a paz permanente
e o Paraíso prometido.

Portanto, meu filho amado,
executa os teus trabalhos
sempre com dedicação.
E não pense que há atalhos,
para atingir a perfeição.
Guarda este meu conselho:
trabalho é a melhor solução!

Vocês perceberam que essa poesia foi passada em forma de diálogo, né? A minha percepção mediúnica no dia era a de um monge aprendiz levando suas indagações até um monge ancião. Eu tentei mudar a intonação da voz aqui para simular o diálogo que eu ouvi, mas não ficou muito bom, eu sei… Mas se a entonação não é a mesma, os versos são exatamente aqueles que eu ouvi.

E o povo do oriente tem uma bagagem filosófica muito profunda, né? Povo do Oriente que eu falo é a linha do oriente que se manifesta na Umbanda. A maioria desses espíritos, quando encarnados, eram budistas, hinduistas, taoístas, monges tibetanos. E eles carregam uma bagagem de ensinamentos e uma disciplina mental muito grande.

Esses espíritos sempre nos trazem ensinamentos de que a mente precisa controlar o corpo. Porque quando a mente não controla o corpo, é o corpo que acaba controlando a mente. A mente indisciplinada se torna escrava das sensações da matéria. E nós precisamos lutar para que a nossa mente seja a senhora do corpo e não a escrava do corpo.

Tem uma parte da poesia que o discípulo pergunta assim: “como eu posso prosseguir no caminho que eu tanto almejo (ou seja, o caminho espiritual), se o meu espírito sempre cai no mais obscuro desejo?

E isso é uma realidade que a gente enfrenta aqui na Terra, né? Às vezes a gente até tem a boa intenção de crescer, de evoluir, mas a gente acaba caindo nas tentações da matéria. Daí, o mestre fala para o discípulo o seguinte: não adianta nada você ficar reprimindo os seus desejos, enquanto a sua mente não se livrar deles. Porque se você simplesmente reprime o seu desejo, ele vai apenas ficar guardado no seu inconsciente, esperando a hora oportuna de aflorar.

Quer um exemplo na prática disso que eu estou falando? Olha os escândalos da Igreja Católica, com relação à pedofilia. Me perdoem os Católicos por eu estar falando isso. Eu tenho um profundo respeito pela religião de vocês, pela igreja, mas é um fato que infelizmente se tornou público e notório, né? O problema da pedofilia entre os padres? E sabe por que isso acontece?

É pela imposição da Igreja Católica de reprimir a sexualidade dos sacerdotes. Para você ser padre, você tem levar uma vida celibata. Só que nem todo mundo está preparado para isso. A maioria de nós não está. E daí o que acontece. A pessoa, no início vai reprimindo, vai reprimindo. E isso começa a se acumular dentro dela, de uma tal maneira que ela começa a ter pensamentos e comportamentos totalmente deturpados.

O sexo que deveria ser uma coisa natural, uma coisa saudável, uma coisa sagrada, acaba se tornando algo pecaminoso, imoral, sujo… Isso por que? Os padres reprimem a sexualidade, mas eles não tiram a sexualidade da mente. Como diz poesia: eles mantem o desejo escondido, guardado no inconsciente. E eu estou falando de padre, mas a gente sabe que não é só padre, né gente? Tem muito convento aí, mundo à fora, que a gente sabe que acontece muita coisa às escondidas.

E eu estou falando da igreja católica, mas na Umbanda não é diferente! Quantos e quantos casos eu já não ouvi de sacerdotes, de Pais de Santo, de médiuns que desenvolvem um comportamento sexual totalmente errado. E o pior de tudo, colocando a espiritualidade no meio. É uma coisa muito triste isso. Mas, enfim, a gente tem que aprender muito ainda, né, como controlar a nossa mente. E isso, as filosofias do oriente sabem nos ensinar muito bem.

Bom, espero que vocês tenham gostado do episódio de hoje. Espero que vocês tenham gostado das poesias, dos comentários. A minha intenção aqui não é ofender ninguém, não é depreciar religião alguma… muito pelo contrário. Eu penso que todas as religiões tem algo de bom a me ensinar e, por isso, eu tenho um profundo respeito por todas elas. O que estraga as religiões, muitas vezes, são as pessoas. E isso acontece em todas elas, inclusive na Umbanda. O meu desejo é que, com a evolução da humanidade, essas deturpações se tornem cada vez mais raras de acontecer.

Aproveitando o gancho aqui do que você está falando, eu também quero deixar o meu respeito a todas as religiões da Terra. Faço minhas as suas palavras: são as pessoas que estragam as religiões. E isso acontece com o cristianismo, com o budismo, com o islamismo, com o hinduísmo e com tantas outras.

E a gente vai terminando esse episódio por aqui. Não deixem de acompanhar o Podcast Alma de Poeta nas principais plataformas de áudio. Nós estamos presentes no Spotify, no Deezer, no Google podcast, Apple Podcast, Amazon Music. E você também pode ouvir todos os episódios acessando o nosso site: alma de poeta, ponto com, ponto br. Entrem lá no site e mandem uma mensagem pra gente! Nós iremos curtir muito responder para você!

Deixe seu comentário

Mais deste assunto

Episódio 71
Nenhum número escolhido ainda