Mediunidade e Autoconhecimento

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Ilustração: Ramira Yuri Ribeiro. Qual a relação entre autoconhecimento e o desenvolvimento da mediunidade. Por que precisamos nos conhecer para desenvolver a mediunidade com mais segurança? Os médiuns são aqueles que mais necessitam da misericórdia de Deus.

Transcrição do Episódio

Oi pessoal! Bom dia, boa tarde, boa noite! Tudo bem com vocês? Espero que sim, espero que vocês estejam aproveitando esse período de isolamento social para se conhecerem melhor. Nada como passarmos um tempo sozinhos com a gente, de vez em quando, para a gente começar a se enxergar como nós realmente somos. Meu nome é Evandro Tanaka, eu sou médium umbandista e esse é mais um episódio do nosso podcast “Alma de Poeta”.

Quando eu falo que é importante a gente se conhecer melhor, eu quero dizer que isso é importante para o nosso crescimento interior, para o nosso aprimoramento pessoal. Como disse o grande filósofo Sócrates: “conhece-te a ti mesmo”. E olha, eu não vou mentir para vocês, é muito difícil isso. Tem gente que não consegue se encarar na frente do espelho. Tem gente que não consegue ficar sozinha, dentro de casa, sem estar fazendo alguma coisa. A pessoa precisa estar com a mente ocupada em alguma atividade, nem que seja no trabalho, para não encarar a sua própria consciência. Ela inconscientemente sente a necessidade de desviar o foco de si mesma: daí vai assistir Netflix, fica faxinando a casa, vai procurar cursos na internet para fazer, não sai das redes sociais, fica o dia inteiro trocando mensagens pelo Whatsapp. Às vezes essa pessoa tem tanto medo de se encarar, de olhar para dentro de si mesma, que ela até resolve montar um podcast.

Olhar para dentro de si próprio é tão difícil, é tão complicado, que se vocês notarem, desde o início da pandemia, do isolamento social, os casos de depressão, de ansiedade, de pensamentos suicidas, de tristeza, aumentaram de uma maneira vertiginosa! E como é que a gente faz? Como lidar com isso?

Bom, se eu tivesse uma solução mágica para resolver isso, eu ia vender ela e ficar rico. Mas uma coisa eu digo para vocês. A fuga nunca foi a solução. Fugir dos nossos defeitos, das nossas fraquezas, não vai fazer com que a gente melhore. De forma nenhuma!

Eu tenho uma guia espiritual. Uma das mentoras que me orientam, que me auxiliam. Ela se chama Ainirinka. É uma fofa ela! A Ainirinka é bem ligada com o movimento Xamânico e também ela tem uma proximidade muito grande com a linha do oriente. Por ela ser ligada espiritualmente ao xamanismo, o sentimento que ela traz de pertencimento, da nossa conexão com o universo, é muito forte. E ao mesmo tempo, por ela ter uma afinidade muito grande com a linha do oriente, ela traz sempre para mim esse negócio de meditação, de serenar a mente para observar. E ela diz para mim que existem dois tipos de meditação. Existe a meditação contemplativa e a meditação de autoconhecimento.

A meditação contemplativa é aquela que vai te conectar com o Universo, com as esferas superiores de vida, com Deus. Nos ensinamentos que a Ainirinka transmite, ela bate muito na tecla de uma filosofia do seu povo xamânico. Ela fala que eu sou uma extensão de você e você é uma extensão de mim, que nós estamos conectados, que nós fazemos parte do todo. Vocês já assistiram aquele filme “Avatar”? Nossa, aquele filme é puro xamanismo, pelo menos na parte dos ensinamentos passados pela Ainirinka, sabe? A nossa conexão com a Natureza, a nossa conexão com o Universo.

Bom, vamos lá. Evandro, pára de viajar e volta aqui para o assunto. Eu me lembrei da Ainirinka porque eu ia comentar com vocês a importância da meditação para a gente se conhecer melhor. A meditação é uma das principais ferramentas que nós temos para auxiliar nesse processo de autoconhecimento.

Com a meditação, você começa a disciplinar a sua mente, a controlar as suas emoções, você começa a perceber melhor as energias que te rodeiam, você começa a perceber o mundo espiritual. É gente! Vocês querem desenvolver a mediunidade? Começa a praticar a meditação com regularidade. Vocês vão ver como a percepção extrassensorial de vocês vai ficar aguçada! E praticando a meditação, vocês matam dois coelhos com uma paulada. Desenvolvem a mediunidade e também aprimoram o autoconhecimento. Eu ouvi uma vozinha agora falando assim “Que bonito, hein! Você está aí falando da conexão que a gente tem que ter com a natureza e usa essa expressão infeliz. Matar dois coelhos com uma paulada? Gente, é só uma maneira de falar isso. É um jargão!

É galera, parafraseando um ditado popular: de médium e de louco, todo mundo tem um pouco. Todos nós temos mediunidade. Todos nós temos uma certa sensibilidade de perceber o mundo espiritual. Algumas pessoas mais, outras menos. Mas isso é uma habilidade que todo mundo possui. E essa habilidade, quando não é inata, como eu já comentei no episódio 09, ela pode ser desenvolvida, através de exercícios.

Tem gente que desenvolve a mediunidade muito rapidamente, como se ela já estivesse prontinha lá para desabrochar, esperando apenas o momento certo. Outras pessoas, demoram anos e anos para começar a desobstruir os canais mediúnicos. Eu mesmo, eu acho que fiz uns 2 ou 3 anos de desenvolvimento mediúnico até começar a ter as primeiras percepções do plano espiritual. O desenvolvimento da mediunidade exige paciência, exige dedicação e amor. Sem esses três requisitos, vocês não vão conseguir resultados satisfatórios.

Olha eu fugindo do assunto de novo. Nossa, a minha mente é muito indisciplinada. Isso porque, gente, a minha ideia aqui, antes de começar a gravar esse podcast, era falar sobre Xangô… Nada a ver! Eu acho muito louco esse negócio de gravar os episódios. Porque às vezes eu estou com uma ideia na cabeça, daí, eu ligo o microfone e começo a falar. Só que as ideias vão fluindo de uma maneira totalmente rebelde ao que eu estava disposto a conversar. Às vezes eu deixo fluir, como é o caso de hoje. “Ah, quer saber, não vou brigar com vocês. Podem transmitir aí o que vocês quiserem”. Outras vezes eu paro a gravação e falo. Não, não estou a fim de falar sobre isso hoje. Eu quero falar sobre esse assunto. Tipo, o rebeldezinho, né?

Eu nem sei que título que eu vou dar para esse podcast… Mas vamos lá. Continuando.

Vocês lembram do episódio que eu falei sobre mediunidade? Eu disse que para a gente desenvolver a mediunidade de uma forma equilibrada e saudável, a gente precisa melhorar como pessoa. E para a gente melhorar como pessoa, a gente precisa se conhecer. Esse é o primeiro passo!

Qual é a natureza do seu pensamento? Geralmente você costuma ocupar o seu pensamento com coisas fúteis ou pensamentos maledicentes? Ou você costuma ocupar o seu pensamento com assuntos elevados? Aquilo que você pensa vai te conectar com Entidades que possuem pensamentos semelhantes. Se você tem frequentemente pensamentos de luxúria, por exemplo, de cunho sexual. Então você vai acabar se conectando com espíritos que ainda possuem esse tipo de interesse, muitos deles com uma sexualidade totalmente desregrada.

Por outro lado, se você tem pensamentos construtivos, pensamentos laboriosos, você vai se conectar com espíritos que também possuem esses interesses. “Nossa, que tecnologia interessante essa! Como será que funciona?” Ou então, “como será que eu faço para resolver esse problema e facilitar a vida dessas pessoas?” Vocês percebem? É tudo uma questão de afinidade. Se você quer ajudar as pessoas, você vai se conectar com espíritos que também desejam ajudar. Se você quer sentir prazer, você vai se conectar com espíritos que também desejam apenas sentir prazer. É a lei da atração. Semelhante atrai semelhante. Como diz o ditado popular “diga-me com quem andas, e eu te direi quem és”. Ou nesse caso, seria o contrário, né? A natureza dos seus pensamentos vai revelar o tipo de companhia espiritual que te acompanha.

Quando a gente desenvolve a nossa mediunidade, uma coisa que fica muito intensificada são os nossos desejos. Então, por exemplo, se você gosta de ajudar as pessoas, você vai gostar ainda mais. Se você gosta de estudar, de aprender coisas novas, você vai gostar ainda mais. Por que isso acontece? Porque a mediunidade, nada mais é do que um contato direto que você tem com o pensamento e com o sentimento de espíritos desencarnados. E o seu desejo se intensifica porque vai ser a sua vontade somada à vontade daqueles espíritos. E quando você abre a sua mediunidade, você vai sentir isso muito mais intensamente.

Por outro lado, se você tem vícios, desejos escusos, isso também vai ficar intensificado. Porque vai ser a sua vontade somada à vontade dos espíritos que querem a mesma coisa que você. Por exemplo, se você gosta de beber, você vai querer beber ainda mais! Se você gosta de fumar ou usar drogas, essa vontade também vai ficar mais forte. Se você gosta muito de sexo, corre o risco de você começar a desenvolver comportamentos sexuais pervertidos. Vocês conseguem perceber a importância, a necessidade da gente se autoaprimorar enquanto que a gente desenvolve a mediunidade?

É lógico que uma coisa não está ligada com a outra, tá gente! Não é porque uma pessoa tem uma mediunidade desenvolvida, que ela vai ser uma pessoa de bom caráter. Quantos e quantos casos a gente não vê por aí de pessoas que tem mediunidade e elas usam a mediunidade para fazer o mal? Fazendo trabalhos espirituais para prejudicar o próximo? E por outro lado, existem muitas pessoas boas, de bom coração, que ajudam o próximo e que não possuem uma mediunidade “desenvolvida”.

Então, assim, mediunidade não é sinônimo de elevação espiritual, ok? Muito pelo contrário. Normalmente as pessoas que tem mediunidade ostensiva (que eu já comentei no outro episódio), são pessoas que trazem essa habilidade de comunicação com o plano espiritual como uma expiação, como uma dívida cármica.

Normalmente, os médiuns são grandes devedores das leis divinas, são pessoas que transgrediram as leis divinas em vidas passadas. E muitos dos médiuns umbandistas, por sua vez, além de prejudicar pessoas em vidas anteriores, eles também mexeram com magia da maneira errada.

A gente que é médium, a gente precisa primeiro agradecer a Deus pela oportunidade que Ele nos deu de fazer o bem nessa vida, de ajudar outras pessoas. Mesmo que você ache que não se enquadra nessa situação de espírito devedor. Normalmente os que devem são os que menos aceitam essa ideia, seja por orgulho, por vaidade, sei lá o que se passa na cabeça de cada um…

Agradeçam a Zambi por essa consciência que está despertando lentamente para as verdades do mundo maior!

Eu costumo fazer uma comparação meio ridícula com as pessoas que tem mediunidade. Imagina o seguinte. Você tá caminhando com um grupo de pessoas. Vocês estão caminhando para chegar num determinado destino. A caminhada é longa, a caminhada é difícil, cansativa… Daí, em determinado momento, vocês param de caminhar, seja por preguiça, seja para fazer alguma coisa errada. “Ah, vamos parar de caminhar um pouco para pular aquela cerca para roubar algumas mangas que tem naquela propriedade”.

E depois você sentam para chupar aquela manga que vocês roubaram. E depois, de barriga cheia, dá um sono e vamos vão dormir. Só que o grupo com quem vocês estavam andando juntos, eles continuaram. Eles não pararam para fazer coisa errada e eles não tiveram preguiça de continuar andando. E o que aconteceu? Vocês se distanciaram. O grupo que antes estava junto com vocês, agora está lá na frente. E mesmo que vocês corram, vocês não vão conseguir alcançá-los a tempo. E daí, o que Deus faz? Deus olha para vocês e fala assim: “Olha, eu estou vendo que vocês se demoraram muito no caminho”. Vamos fazer o seguinte: eu vou emprestar para vocês uma bicicleta. Com essa bicicleta, vocês vão poder andar muito mais rápido. E eu vou deixar que vocês usem essa bicicleta até que vocês alcancem aqueles que estão lá na frente.

A mediunidade é isso, gente. A mediunidade é a bicicleta que Deus está nos emprestando para que a gente tire o atraso que nós mesmos demos causa. No começo, a gente não sabe andar de bicicleta. Até a gente conseguir se equilibrar em cima dela, a gente vai cair, vai se machucar, vai ralar o joelho. Mas depois, que a gente pega o jeito, daí nós percebemos como aquele meio de transporte está sendo útil para nossa evolução. Obrigado, meu Pai, por nos dar mais essa ferramenta de evolução.

Bem, espero que vocês tenham gostado desse nosso bate-papo. Hoje eu não falei coisa com coisa… Simplesmente deixei fluir as ideias que estavam vindo na minha mente. Se vocês não entenderam alguma coisa ou se vocês acharam confuso, me dá um toque, tá? Manda uma mensagem no nosso site “almadepoeta.com.br“. Entra em contato comigo. Se eu sei, digo que sei, se eu não sei, somebody love, como diz o personagem. Vocês também podem ouvir nosso podcast nas principais plataformas de áudio: Spotify, Google Podcast, Deezer, Apple Podcast, AnchorFm, Youtube e também pelo nosso site “almadepoeta.com.br“. Que o nosso Pai Oxalá e nossa mamãe Nanã nos deem muita sabedoria para continuarmos a caminhada. Um grande abraço e até o nosso próximo episódio!

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