Kaô Cabecile! Salve o Senhor da Justiça!

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Xangô é o Orixá da Justiça Divina, a força de Deus que mantém o Universo em equilíbrio. Quer saber um pouco mais sobre esse Orixá tão importante? Então aperta o play!!!

Transcrição do Episódio

Oi, gente! Tudo bem com vocês? Hoje sim, eu vou falar sobre o que eu quero! Há tempos que eu estou querendo falar sobre o meu pai na Umbanda! Essa irradiação de Deus que simboliza a justiça no universo! Meu nome é Evandro Tanaka, eu sou médium umbandista e hoje nós vamos falar sobre o Orixá Xangô. Kaô Cabecile, meu pai!
Xangô é o grande orixá da justiça, do bom senso, do equilíbrio, da razão. Mas Xangô também é o orixá que rege política. Porque aqui na Terra, muitas vezes, é na política que se fazem as leis. E Xangô cuida tanto da aplicação da justiça quanto da elaboração das leis. Nós poderíamos dizer que, na nossa sociedade, Xangô atua tanto no poder judiciário aplicando a justiça ao caso concreto, quanto no poder legislativo, elaborando a lei abstrata.
É lógico que o Orixá Xangô é uma irradiação divina muito mais perfeita do que essa justiça falha dos homens. Porque Xangô simboliza a justiça divina, a justiça perene e imutável e implacável do Criador.
Mas Xangô também pode ser considerado como o aspecto divino que equilibra as coisas. Porque a justiça, nada mais é do que dar a cada um o que é seu. Se você teve um direito seu violado, clama para Xangô. Pede para ele fazer a justiça. É Xangô que vai reequilibrar os pratos da balança para que a situação volte a ficar harmoniosa.
Xangô é o Orixá da razão, da escolha certa. Se você está com dificuldade de decidir entre uma coisa e outra, entre um caminho e outro, pede ajuda para Xangô. Ele vai auxiliar você a decidir o que é razoável para sua vida. Xangô é o grande juiz do universo. Ele irradia o fator de equilíbrio.
Nas imagens africanas, vocês sempre vão ver Xangô segurando uma machadinha que se chama oxé. Oxê é o machado de Xangô, que simboliza a sua justiça. E se vocês repararem, o machado de Xangô tem lâmina dos dois lados. Isso significa que o machado corta pros dois lados, demonstrando a imparcialidade de Xangô, a neutralidade de Xangô. Então, quando vocês invocarem a justiça de Xangô, estejam cientes de que quem está pedindo por justiça, também será julgado, porque o machado de Xangô corta para frente e corta para trás. Quando vocês pedirem o auxílio de Xangô, estejam com a consciência bem limpa daquilo que estão pedindo, porque Xangô vai julgar você com o mesmo rigor com que você quer que seja julgado o teu próximo.
Xangô trabalha com o elemento fogo, o tem o poder ígneo. A linha da justiça é uma linha ígnea, onde a essência é do fogo. O fogo que purifica, o fogo que limpa. Esse também é um atributo de Xangô: a purificação. Tanto é que os Caboclos e as caboclas de Xangô, as Entidades que trabalham na energia de Xangô, são mestres em manipular esse elemento da natureza: o fogo.
Muitas vezes, em uma gira em que descem enviados de Xangô, os médiuns costumam sentir calor. Um calor interno, muitos chegam até suar. Porque as entidades de Xangô trazem essa manipulação energética do fogo.
No sincretismo religioso, Xangô é representado por São Jerônimo. Eu não sei se vocês conhecem a história de São Jerônimo, mas ele foi o primeiro cristão a traduzir a bíblia do hebraico e do grego para o latim. Na época, o papa Damaso o incumbiu dessa tarefa. Isso aí aconteceu por volta do ano 400. Tanto é que se vocês procurarem na internet a imagem de São Jerônimo, vocês sempre vão ver a figura de um ancião escrevendo em um livro. Ou seja, a figura de São Jerônimo traduzindo a bíblia para o latim.
Daí o que acontece? Vieram os escravos africanos aqui para o Brasil. Eles cultuavam Xangô. Quer dizer, eles não podiam cultuar Xangô. Isso era proibido na época. Daí, os escravos tiveram que procurar um santo católico para sincretizar a sua fé. Deve ter havido algum momento na história (isso é uma suposição minha, tá gente) que os escravos olharam aquela imagem do ancião segurando uma pena e escrevendo no livro. Que eles devem ter perguntado: o que aquele homem tá escrevendo no livro. Aquele lá é São Jerônimo. Ele tá escrevendo no livro as leis sagradas de Deus. Daí os escravos falaram: Opa!!! É Xangô! tá escrevendo as leis e a justiça de zambi no livro? Só pode ser Xangô! E assim ficou conhecido.
E para reforçar ainda mais, se vocês repararem, nas imagens de São Jerônimo tem sempre um leão acompanhando-o. Isso se deve a uma lenda que diz que certa vez, São Jerônimo estava no mosteiro com outros monges, quando apareceu um leão andando com três patas e com a quarta pata levantada. Daí, todos os monges correram apavorados, só que São Jerônimo, cheio de coragem, foi lá ver o que tinha acontecido com o leão. E percebeu que o leão estava com vários espinhos fincados na pata. São Jerônimo tirou os espinhos e tratou das feridas do leão que se afeiçoou a ele. Onde São Jerônimo ia, o leão acompanhava.
Daí, vocês imaginam, né gente? Um escravo africano vendo um leão? O rei das savanas? Ah, simpatizou com o santo na hora! Certeza!
Quando a gente pede a intervenção de Xangô para fazer a justiça, a gente precisa ter a consciência de que, antes de nos ajudar, ele vai analisar a nossa conduta. Se o nosso pedido está sendo razoável com aquilo que merecemos receber. Xangô, sendo a justiça de Deus, vai sempre tentar equilibrar a balança.
Tem um ponto famoso de Xangô que fala assim: “Estou queimando vela…”… E tinha uma senhora que estava na assistência. Ela fez o sinal da cruz e disse “credo que horror”. Só que as pessoas interpretam a letra desse ponto da maneira errada. Porque esse ponto, ele não tá falando de vingança. A gente não invoca Xangô para se vingar de ninguém. A gente invoca Xangô para fazer justiça. Se alguém te faz uma demanda, se alguém te direciona um trabalho espiritual negativo, para te prejudicar. Nada mais correto do que você invocar Xangô, não para se vingar daquele que te desejou o mal, mas para que Xangô restabeleça a justiça, o equilíbrio no Universo. Quem faz trabalho de magia negra, de uma certa maneira, está desequilibrando as forças do universo. Mais cedo ou mais tarde, a justiça de Xangô vai se manifestar para essa pessoa. Daí o significado da letra do ponto “e vira essa macumba, meu pai, para o peito de quem mandou”.
Bom, quando a gente falou de Iemanjá, no episódio 08, nós falamos um pouco sobre as características dos filhos e filhas de Iemanjá, né? Vocês lembram? Então hoje também vamos falar sobre as características dos filhos e filhas de Xangô! Os filhos e filhas de Xangô, eles são firmes naquilo que querem, são decididos. Quando eles se convencem de alguma coisa, eles falam: “é isso”. Tem que ser assim. Quando uma filha de Xangô ou um filho de Xangô gosta de alguém, é para vida toda! Pros filhos de Xangô, não tem meio termo. Ou é, ou não é. Isso pode trazer até uma certa teimosia pros filhos e filhas de Xangô. Porque eles carregam essa certeza dentro deles.
Normalmente, os filhos de Xangô são serenos, discretos, humildes. E eles não costumam guardar rancor de ninguém. São comedidos nas suas atitudes. Procuram tomar decisões sensatas. Se tem uma coisa que provoca verdadeiro pavor nos filhos de Xangô é cometer algum tipo de injustiça com alguém. E isso, às vezes, pode fazer com que eles demorem a tomar alguma decisão. E olhando ainda em um aspecto negativo, um dos defeitos dos filhos de Xangô, justamente por eles terem a energia do Orixá, é o hábito de julgar as pessoas. Eles adoram fazer julgamentos. Porque isso é da essência de Xangô. Se a pessoa está certa ou está errada nas suas atitudes. A partir do momento que os filhos de Xangô começam a controlar esse lado negativo, daí eles começam a compreender a verdadeira face do Orixá da Justiça.
Para quê esquentar a cabeça com o comportamento das pessoas? Entrega para Xangô! Olha, meu pai, deixo em tuas mãos para que o senhor decida sobre esse assunto. Tem um ponto de Xangô que fala assim: “pedra rola da pedreira, em cima de quem errou. justiça quem faz é ele, porque ele é Xangô”. É isso, gente! As pedras de Xangô sempre caem em cima da cabeça daquele que age errado. Essa é a Lei da Justiça Divina. Contraiu dívida? Tem que pagar! Mas se você fez coisas boas, se você ajudou alguém. Então Xangô vai reconhecer o teu crédito perante o nosso Pai Olorum.
Na Umbanda, a gente celebra o dia da semana de Xangô como sendo na quarta-feira. Eu acho que eu esqueci de falar isso quando eu falei de Iemanjá. O dia da semana de Iemanjá é sábado. Então, o dia que vocês quiserem fazer uma oferenda para Xangô, o melhor dia para fazer essa oferenda é na quarta. Se vocês quiserem fazer uma oferenda para Iemanjá, o melhor dia é no sábado. Claro, isso não significa que vocês não podem fazer a oferenda em outro dia da semana. É claro que pode. O que eu quero dizer é que nesse dia da semana consagrado especificamente para o Orixá, já existe uma egrégora formada que vai intensificar o seu pedido. É como se todo mundo já deixasse mais ou menos combinado. Olha, quando você for fazer um pedido para Xangô, faz na quarta. Porque se eu tiver um pedido para fazer para ele, eu também vou fazer na quarta. Daí a gente une a força do nosso pensamento.
Quem faz orações, tanto na igreja quanto nos centros espíritas, sabem da importância de unir pensamentos, unir vibrações em torno de um objetivo. Como diz o ditado, a união faz a força. Na Umbanda não é diferente. Se todo Umbandista cultuar determinado Orixá em determinado dia, acaba se formando uma egrégora naquele dia que auxilia todos que entram em conexão com aquela força.
Quem nunca foi convidado a participar de uma corrente de oração? Ah, a gente vai se reunir em determinado dia, em determinado horário, para vibrar pelo planeta. Você não quer participar? Por que isso? porque muitas mentes, muitos pensamentos direcionados para um mesmo objetivo, num mesmo momento, acaba intensificando o pedido. Entende?
Isso acontece também com as oferendas que nós fazemos para as Entidades e pros Orixás.
É meu Pai Xangô… diante de tuas pedras, eu me ponho a cantar. Cada Orixá tem um ponto de força na natureza. Assim como o ponto de força de Iemanjá é o mar, o oceano, o Ponto de força de Xangô são as pedreiras, principalmente aquelas pedreiras que existem na parte de cima da cachoeira. Lá está concentrada a força de Xangô. Mas Xangô também é simbolizado pelas montanhas, pelas cordilheiras. Um outro elemento que simboliza Xangô é o trovão.
Gente, sabe o que é legal de você ser umbandista, ou melhor, de você se tornar umbandista? É que você nunca mais vai enxergar a natureza como antes. A natureza passa a ser sagrada para você. Em cada lugar que tiver natureza, vocês vão identificar a força de um Orixá, a irradiação de Deus na Terra. Quando você vai na praia, você vê Iemanjá, quando você vai na cachoeira, você vê Oxum, quando você vai no manguezal, você vê nanã, na pedreira, você vê Xangô, quando você entrar uma mata fechada, identifica Oxóssi, quando você estiver caminhando numa trilha, lembra de Ogum. Quando você chega numa campina, vai lembrar de Oxalá. Esse é o amor que a Umbanda tem pelo mundo. Esse é o amor que a Umbanda tem pela natureza, o amor pelos animais, o amor pelo nosso planeta e por todas as formas de vida.
“Oh, meu pai Xangô, energia cósmica que desperta em nós as mais puras vibrações. Ilumina nosso caminho na senda da justiça. Faz da verdade nosso escudo, a nossa defesa. Amado Pai Xangô, cala com o teu machado aqueles que propagam maledicências sobre nós. Dai-nos, mestre do trovão e senhor das montanhas, a sabedoria para que possamos superar os obstáculos da nossa vida. Dai-nos a compreensão necessária para assimilar as lições que precisamos aprender. Dai-nos, senhor, a capacidade de discernir o bem do mal, o certo do errado, o justo do injusto.
Amparai-nos, grandioso Orixá da Justiça, nos momentos de dor, incerteza e aflição. Pai Xangô, pai da retidão, abençoa os injustiçados e faça valer a sua justiça para todos nós.
Que assim Seja! Kaô Cabecile, meu pai!
Bom, pessoal, esperam que vocês tenham curtido! Eu fico muito feliz de poder compartilhar a minha visão de Umbanda com vocês. E olha, não fiquem com dúvidas, questionem, perguntem. Lembrem-se sempre de que a nossa fé tem que ser pautada na razão. Não se esqueçam de acompanhar nossos episódios pelo Spotify, Google Podcast, Deezer, Apple Podcast, AnchorFm, Youtube e também pelo nosso site “almadepoeta.com.br”. Um grande abraço para vocês, fiquem com Deus. E que o nosso Pai Xangô dê a cada um o que lhes pertence! Kaô Cabecile!

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