Adorei as Almas – Parte 2

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A religiosidade africana preservada em meio ao sofrimento da escravidão. E como tantos espíritos abnegados, por amor à humanidade, reencarnaram como negros cativos.

Transcrição do Episódio

Oi gente! Tudo bem com vocês? Feliz de estar aqui novamente para a gente conversar mais um pouco sobre Umbanda e Espiritualidade. Meu nome é Evandro Tanaka, eu sou médium umbandista e hoje a gente vai continuar aquele nosso bate-papo do episódio 06, falando mais um pouquinho sobre preto-velho, preta-velha. Sobre esses espíritos ancestrais tão abnegados, de tanta luz, de tanta evolução espiritual, mas que se apresentam na Umbanda utilizando um roupagem fluídica tão humilde, tão simplória.

São centenas e centenas de espíritos que se apresentam como Pai Joaquim, Pai Benedito, Pai José, Pai Antônio, Pai Cipriano, Pai Francisco, Pai Gregório, Pai João… Vó Anastácia, Vó Cambinda, Vó Chica, Vó Cassiana, Vó Maria Conga, Vovó Catarina, Vovó Quitéria, Tia Maria, Tia Joana, Tia Zefinha… e por aí vai… Salve essa falange maravilhosa, salvem os pretos-velhos, salve a linha das almas! Adorei almas!

A letra desse ponto é maravilhosa! Bate tambor na calada da noite! Era exatamente isso que acontecia. Os escravos, reprimidos nas suas manifestações religiosas, na exteriorização da sua fé, acabavam cultuando os seus Orixás escondidos, na calada da noite. Enquanto o homem branco dormia, eles dançavam, cantavam e rezavam pela sua liberdade.

As pessoas que vieram para o Brasil como escravas, eram proibidas de manifestar a sua crença. Elas tinham que se adequar aos conceitos da igreja católica. Foi daí que surgiu o tal do sincretismo religioso que existe na Umbanda. Os negros, os escravos da época, eles fingiam estarem convertidos ao catolicismo. Mas isso era da boca para fora. Lá no coração, eles rezavam adoravam os seus Orixás. Quando eles se ajoelhavam diante de uma imagem de Jesus Cristo, por exemplo, eles rezavam era para Oxalá. Diante da imagem de São Jorge, eles rezavam para Ogum. Diante da imagem de Santa Bárbara, eles rezavam para Iansã. Diante da imagem de São Sebastião, eles rezavam para Oxóssi.

Vocês já ouviram falar na expressão santo-do-pau-oco? Essa expressão vem de uma prática que começou lá com os escravos, justamente por causa desse sincretismo religioso. Muitas vezes, os fazendeiros, os donos de escravos, colocavam imagens religiosas nas senzalas ou espalhadas pela fazenda. E daí, o que acontecia? Os escravos faziam buracos por baixo dessa imagem, deixavam uma cavidade oca dentro da imagem. E nessa cavidade, eles colocavam elementos da natureza que simbolizavam os orixás que eles cultuavam. Então, colocavam lá… pedras dentro da imagem, para louvar Xangô, colocavam folhas de árvores para louvar Oxóssi, colocavam palha para rezar para Obaluaê. Foi assim que surgiu a expressão: santo do pau oco. Você se apresenta para as pessoas de uma determinada maneira, mas por dentro, você não é nada daquilo.

Bom, vamos lá. Voltando aqui para os pretos-velhos. Nas fazendas, nas senzalas, entre os escravos geralmente haviam aquelas pessoas que se sobressaíam, que tinham uma ascendência sobre os demais. Eles eram vistos como líderes e eram respeitados pelo grupo, por sua sabedoria, por sua experiência ou por sua coragem. E muitas vezes, esses líderes negros chegavam a ser respeitados até pelos senhores brancos, pelos seus donos. Isso, gente, demonstra a ascendência moral que um espírito evoluído tem sobre os demais. Porque Zambi permitiu a escravidão aqui no Brasil, mas ele também permitiu que espíritos evoluídos viessem, reencarnassem entre os escravos, para oferecer alento, consolo, para servir de exemplo.

É gente, sem a presença desses espíritos iluminados a nos aconselhar, quantas e quantas pessoas estariam perdidas? Eu, com certeza, seria uma delas, sem as orientações, sem as palavras de carinho do meu querido guia espiritual.

A gente tava falando sobre esses espíritos evoluídos que, espontaneamente, se prontificaram a reencarnar no período da escravidão. Dá para imaginar o amor que esses espíritos tem pela humanidade? Eles sabiam que eles iam sofrer, sentir dor, angústia, mas mesmo assim, eles se ofereceram para fazer companhia aos seus irmãos no cativeiro.

Pessoal, a gente precisa colocar uma coisa dentro da nossa cabeça. A visão que esses espíritos tem de existência, de mundo, de universo é muito diferente da nossa, é muito mais ampla. O Pai Antônio fala assim: “filho, nada acontece longe dos zóio do nosso Pai Olorum”. É isso, gente! Nada acontece sem a permissão de Deus. Isso significa que a escravidão teve a permissão de Deus para acontecer, assim como o massacre dos índios.

Eu estou até vendo um monte de gente me crucificando agora: “O quê? Então você está falando que Deus permite que as atrocidades sejam cometidas nesse mundo? O mal vem dos homens, não vem de Deus”. Gente, eu concordo com isso. Eu sei que a Escravidão no Brasil, foi um flagelo, é um motivo de vergonha para o nosso País. Mas olhando do ponto de vista espiritual, a escravidão, ela foi a queima de um carma coletivo. Muitos espíritos tiveram que nascer naquela situação. Foi uma expiação coletiva e necessária para muitos daqueles espíritos se perdoarem, ficarem em paz com a sua consciência, se reconciliarem com antigos desafetos que naquela vida foram os seus algozes. A escravidão foi importante para o resgate daquelas almas que precisavam passar por aquela experiência dura na condição de escravo.

O Pai Antônio, mesmo, ele fala para mim que ele precisou passar por aquela experiência de escravo. E que foi ele que pediu, na espiritualidade, a permissão para reencarnar nessa condição. E o Pai Antônio diz que aquela reencarnação específica, em que ele viveu como escravo, foi uma das vidas em que ele mais evoluiu como espírito. Tanto é que ele escolheu se manifestar, se apresentar na Umbanda como um preto-velho, justamente em homenagem, em gratidão por aquela vida que ele passou.

Porque a vida fácil, faz o espírito amolecer, faz o espírito se acomodar. Mas a vida difícil serve como uma força propulsora para o espírito evoluir mais rápido. Quando nós pedimos para nascer em uma vida sofrida, é porque o nosso próprios espírito está sentindo essa necessidade de dar um gás, dar um Up na nossa evolução. Chega uma hora, que a gente está lá na espiritualidade, e a gente vê todo mundo evoluindo, todo mundo progredindo. E a gente lá, estacionado, parado, perdidos na nossa ilusão de zona de conforto. Chega uma hora que a gente desperta, que dá um clique dentro da nossa cabeça. A gente para e fala: “Opa! Espera aí, eu tenho que fazer alguma coisa, eu tenho que me mexer. Já estou de saco cheio de ficar nessa situação. É aí que o espírito pede para nascer em uma condição mais dura, mais penosa. Para poder tirar o atraso. Igual o aluno que tem que passar por aulas de reforço. No meu tempo a gente chamava de recuperação, para conseguir assimilar lições que ele já deveria ter aprendido. Enquanto que os espíritos que passaram e ano já estão de férias no plano espiritual, a gente ainda está aqui na Terra, nas aulas de reforço… como mais uma oportunidade que Deus está nos dando, para que a gente possa aprender a matéria.

É gente, sempre existe a esperança para um novo amanhecer! O nosso Pai é tão bom, que ele nos concede oportunidades infinitas de evolução! Se você não aprendeu a lição, você vai repetir de ano. E se mesmo assim você continuar se recusando a estudar, você vai continuar repetindo de ano. Simples assim… Até chegar o momento em que você vai ficar cansado de ver sempre a mesma matéria, enquanto que os seus colegas estão progredindo, aprendendo coisas novas. Daí, você mesmo vai chegar para os teus professores e vai falar assim: “mestre, me dá aula de reforço? Eu não quero mais repetir de ano. Eu quero continuar progredindo, igual os meus colegas.

E lá na aula de reforço, quando você tiver dúvidas de como faz o exercício, você vai ter um tutor, você vai ter um aluno experiente ao seu lado, que só tira notas boas, que sabe toda a matéria e que está disposto a te ajudar. Alguém que vai estar ao teu lado, feliz porque você decidiu se esforçar para aprender. E você vai perceber que não é só um tutor que vem te ensinar. São vários. Eles se revezam. Em um dia vem um que parece com um preto-velho. Em um dia vem outro, que parece com um caboclo, na semana seguinte vem alguém que parece com exú, Na outra vem alguém que tem um sotaque de baiano. Cada um tem uma maneira diferente de te ensinar o mesmo exercício, mas no final, todos chegam ao mesmo resultado: A tua aprovação nas provas finais.

Espero que vocês tenham gostado do episódio de hoje. Eu espero que essa falange iluminada de instrutores do bem possam esclarecer as nossas dúvidas e mostrar como se resolvem os exercícios da vida, de uma maneira descomplicada. Não deixe de acompanhar o nosso podcast pelas principais plataformas de audio: Spotify, Google Podcast, Deezer, Apple Podcast… que mais? Anchor.fm, Youtube… etc… Fiquem com Deus e até o nosso próximo episódio!

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