Falando sobre Iansã – Eparrei Oyá

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Neste episódio nós falaremos sobre a Energia responsável por direcionar a humanidade. A Senhora dos raios, ventos e tempestades. Conheça a impetuosidade dessa Orixá Guerreira que faz movimentar as energias do mundo.

Transcrição do Episódio

E aí, pessoal! Tudo bem com vocês? Sejam bem-vindos a mais um episódio do Alma de Poeta. Aliás, esse é o nosso trigésimo episódio. Olha só que bacana! Vamos fazer as contas aqui. Cada episódio tem em média 20 minutos. Se nós já gravamos 30 episódios, vai ter 600 minutos, ou seja, a gente já tem praticamente 10 horas de gravação falando sobre Umbanda e Espiritualidade. Não é legal? Inicialmente eu tinha um cronograma aqui para colocar no podcast, né. Eu tinha me planejado, tudo certinho. Eu pensei em falar sobre os Orixá na Umbanda. Inclusive já conversei sobre alguns Orixás aqui com vocês. A gente já falou sobre Iemanjá, Oxum e Exú.. E estava dentro do meu cronograma também falar sobre as linhas de trabalho. Já conversamos sobre os pretos-velhos, os caboclos, os baianos, um pouquinho dos ciganos, quando a gente falou de Santa Sara…

Éh, parece que não, mas a gente já conversou sobre muita coisa aqui, né? Só que no meio desse cronograma foi aparecendo tanto assunto legal para gente conversar, inclusive com a participação de vocês aí que foram enviando dúvidas também, que eu acabei deixando o meu planejamento inicial meio de lado. Mas vocês que estão esperando para ouvir um pouco mais sobre Orixás e Entidades, por favor, eu peço que tenham um pouquinho de paciência, porque a gente vai conversar sobre todos eles. Meu nome é Evandro Tanaka, eu sou médium umbandista e hoje, para me manter no caminho reto, eu vou falar sobre mais uma Orixá. Essa talvez seja a Orixá mais desejada no Universo feminino. Oito em cada dez mulheres dizem que são filhas dessa Orixá ou pelo menos gostariam de ser. Talvez entre os Umbandistas, essa seja a Orixá mais pop que temos, juntamente com Iemanjá. Hoje a gente vai conversar sobre a senhora dos raios, dos ventos e tempestades. Sobre a nossa querida mamãe Iansã, a Orixá guerreira!

Quando eu disse que Iansã é uma das Orixás mais desejadas no Universo feminino, eu quero dizer que quando toca para Iansã no terreiro, quase todas as mulheres sentem alguma coisa. Desde um simples arrepio que desce pela espinha até sair dançando pelo meio do terreiro que nem uma louca, na força da Orixá. Porque a energia de Iansã tem essa pegada forte, né? Um toque rápido, intenso. Tanto é que no atabaque, o toque característico de iansã é o barravento. Um toque com uma pegada muito forte que traz toda a energia da Orixá.

Sabe uma dúvida que sempre aparece com relação a Iansã? É com relação ao nome. Porque tem terreiro que chama ela de Oyá. Então, gente, para Umbanda Iansã e Oyá é a mesma coisa. Me perdoem as pessoas que pensam o contrário, falando que Oyá é uma coisa e Iansã é outra. Mas isso que eu estou falando para vocês aqui é fundamentado em pesquisas e em fatos históricos. Eu digo para vocês que Iansã e Oyá são sinônimos. E eu vou explicar o porque disso. O que aconteceu foi o seguinte:

Lá na África, essa Orixá era conhecida com o nome de Oyá Meçan Orum (que traduzindo para o português, significa a senhora dos nove céus, ou a dona dos nove céus). Em Iorubá, Oyá – dona ou senhora; Meçan – nove e Orum – céu, mas o céu, não na concepção de paraíso, como tem na igreja católica. O Orum está mais relacionado com planos vibratórios. Então, na cultura Iorubá, existem 9 planos vibratórios para onde o espírito pode ir depois que morre. Eles falam que o plano físico da terra está bem no centro desses 9 planos. Então teria 4 planos para cima, quatro planos para baixo. Só deixando bem claro que esse entendimento é da cultura iorubá, não é da Umbanda. ok?

Então, voltando aqui ao assunto. Os primeiros escravos africanos que vieram aqui para o Brasil, eles falavam o nome certinho dessa Orixá. Oyá Meçan Orum. Só que daí, com o passar das gerações de escravos, essa terminologia foi se corrompendo. Você já fez aquela brincadeira de telefone-sem-fio? Você fala uma coisa no ouvido de uma pessoa, essa pessoa tem que repetir o conteúdo no ouvido de outra pessoa e assim vai seguindo, passando de pessoa para pessoa. Só que quando chega lá na última pessoa, o conteúdo já vai estar todo distorcido. Assim aconteceu com o nome dessa Orixá.

Então, as outras gerações de escravos, que se sucederam aos primeiros, e que já não sabiam mais falar o idioma iorubá. Já não mencionavam mais Oyá Meçan Orum, como os primeiros. Eles passaram a falar simplesmente Oyá Meçan. para facilitar. Ao invés de eles falarem: vamos rezar para Oyá Meçan Orum. Eles falavam simplesmente, vamos rezar para Oyá Meçan. Ficava mais fácil de pronunciar. E essas duas palavras: Oyá Meçan tiveram contrações: Oyá Meçan virou Yá-Meçan. Aqui você já consegue perceber uma familiaridade com o termo que a gente usa hoje. Vamos rezar para Ya-Meçan. depois, Ya-Meçan virou Yám-san. Até chegar no que a gente conhece hoje: Iansã.

Não é interessante? É por isso que a gente fala que Oyá e Iansã são a mesma Orixá.

E quando a gente fala de sincretismo religioso, Iansã virou santa bárbara. Lembra que a gente já conversou bastante sobre esse negócio de sincretismo religioso. Eu não vou explicar de novo o que é sincretismo, porque senão vai ficar uma coisa muito repetitiva. Se você não sabe o que é sincretismo, ouve os primeiros episódios que falam sobre Orixá que daí você vai entender melhor esse história do sincretismo religioso.

Mas voltando aqui para Iansã, porque que os escravos escolheram santa bárbara para representar Oyá Meçan Orum? para isso, a gente tem que estudar um pouquinho da vida de santa bárbara. Só finalzinho da vida dela já dá para entender. Santa Bárbara foi uma mulher cristã martirizada por não renegar a fé em Jesus. Ela foi torturada e depois decapitada pelo próprio pai. Imaginem vocês que loucura isso, né gente? Que fanatismo! O próprio pai corta a cabeça da filha com uma espada simplesmente pelo fato dela professar a sua fé em Jesus. Horrível isso, mas sei lá… na época deveria ser uma coisa que não causava tanto choque, né? Mas daí, nessa história, aconteceu uma coisa interessante. Conta a lenda que depois que o pai decapitou a própria filha, ele foi atingido por um raio e morreu esturricado. Tanto é que santa bárbara é considerada a santa protetora das pessoas em tormentas e tempestades.

Antigamente, quando começava a ventar e relampejar muito, as pessoas costumavam dizer assim “valha-me minha santa bárbara”. E os escravos ouviam esse pedido de proteção dos brancos para santa bárbara em dias de tempestade e acabaram associando a Iansã, que também rege os raios, ventos e tempestades.

Na Umbanda, Iansã faz movimentar as energias, principalmente para restabelecer o equilíbrio, a justiça. Tanto é que na Umbanda Sagrada, Iansã está relacionada diretamente com Xangô, o Orixá da Justiça. Mas enquanto Xangô faz a Lei e fala o que é de cada um. Iansã faz aplicar essa lei. Iansã é a grande ordenadora, direcionadora da criação. Ela equaliza as forças de xangô.

Se vocês lerem alguma coisa da mitologia Iorubá, vocês vão ver lá que Iansã foi casada com Ogum, mas depois ela largou Ogum e foi viver com Xangô, seu verdadeiro amor. Percebam que na cultura Iorubá também Iansã e Xangô são muito próximos. Tanto é que existe o raio e o trovão como elementos comuns entre esses dois Orixás. Algumas pessoas falam que o trovão é de Xangô e o raio de Iansã. Outras pessoas falam que os raios maiores são de xangô e os raios menores são de iansã. Mas independente do posicionamento que você tenha sobre isso, existe uma ligação muito forte entre esses dois Orixás.

Então, se você está precisando movimentar a sua vida, se você acha que as coisas na sua vida estão muito paradas, pede para Iansã abanar o leque dela e fazer ventar em sua direção. Iansã tem muito esse poder de movimentar as energias na sua vida, trazendo novidades, trazendo oportunidades.

Uma outra característica pela qual Iansã é muito conhecida é a sua habilidade de lidar com os eguns. O que são eguns? Espíritos desencarnados que ficam vagando pelo mundo. Mas perceba que um egun, não necessariamente é um espírito mal. Se você morrer e ficar vagando aqui entre os vivos, você já vai ser chamada de egun, independente do seu grau de evolução. E iansã, ela direciona esses eguns para os lugares apropriados aonde ele precisa ir? Lembra da história dos nove ceús? Iansã vai levar esse egun para um dos nove céus. Ou para cima, ou para baixo. Porque ela é a energia divina que direciona os espíritos para os sítios vibratórios que condizem com a sua evolução.

Iansã é homenageada na Umbanda no dia 04 de dezembro, justamente por ser o dia de santa bárbara. Em alguns lugares do Brasil, Iansã também é sincretizada com Santa Catarina. E é interessante isso, né, porque Santa Catarina, assim como Santa Bárbara, também foi martirizada e decapitada. Só que Santa Catarina não tem nada a ver com raios. E qual é a relação então com Iansã? Na verdade, o que aconteceu é que as imagens de Santa Bárbara e Santa Catarina são muito parecidas. Então, as pessoas iam lá, se ajoelhavam na frente da imagem de Santa Catarina e pensavam estar rezando para Santa Bárbara. E com o tempo, as pessoas também começaram a sincretizar Iansã com Santa Catarina. As santas lá que se entendam entre elas.

O dia da semana para Iansã é na quarta-feira, junto com Xangô. Lembra da relação entre os dois? Então, a gente homenageia Xangô e Iansã na quarta-feira.

Muita gente costuma questionar o seguinte: onde que eu faço oferendas para iansã, já que ela é a senhora dos raios, ventos e tempestades? para oxum é fácil, né? Vai numa cachoeira. para iemanjá, vai na praia. E para Iansã? Se o vento está em todo lugar, se a tempestade pode acontecer em qualquer lugar, onde que eu vou fazer o raio dessa oferenda? (pegaram o trocadilho? raio, oferenda, iansã). Ai Evandro como você é bobo!

Vocês podem fazer oferendas para Iansã em três lugares. No alto de um morro ou de uma colina que venta muito, ou então na parte de um rio onde a correnteza é mais forte (porque na África, iansã era uma Orixá de rio, assim como era iemanjá). Só aqui no Brasil que ela adquiriu esse outro aspecto. E por essa energia forte de iansã de fazer movimentar as coisas, as pessoas procuram lugares no rio que possuem correnteza. E um terceiro lugar onde vocês podem fazer oferendas para Iansã são os bambuzais. O bambuzal também é um ponto de força de Iansã. E o que bambu tem a ver com Iansã? Gente, vocês já ficaram embaixo de um bambuzal em uma ventania forte. É um barulho assustador! E por mais forte que o vento sopre, o bambu não se quebra. Ele suporta a tempestade. Se o vento soprar muito forte, pode ser que outras árvores se quebrem, mas o bambuzal permanece firme.

Vamos falar agora sobre um aspecto feminino de Iansã. Daí a gente aproveita e já fala sobre as características dos filhos e filhas dessa Orixá.

Iansã é aquela energia que deseja receber amor, receber carinho, mas ela não gosta de dependência, ela não gosta de pessoas que ficam encostadas nela. Então, quando você for fazer uma oferenda para Iansã, faça a sua oferenda, faça o seu pedido com muito amor no coração, porque ela adora isso. Mas não fica parada, não fica encostada na Orixá esperando as coisas acontecerem. Porque Iansã não suporta gente assim. Ela vai movimentar as energias, vai te dar oportunidades e falar assim: filha, eu fiz a minha parte, agora faz a tua. Se vira! Seja independente, corra atrás daquilo que você quer para sua vida!

Porque Iansã tem esse aspecto do empoderamento feminino. Na mitologia Iorubá, ela é uma Orixá guerreira, talvez a mais temperamental de todos os Orixás. Iansã é intensa naquilo que faz, nos seus relacionamentos, nas suas emoções.

E os filhos e filhas de Iansã, eles herdam muito dessa característica também. São pessoas geralmente muito intensas, muito independentes, mas muitas vezes com um temperamento explosivo. Os filhos e filhas de Iansã, ele tem o pavio curto. De uma hora para outra eles estouram, rodam a baiana e depois voltam ao normal como se nada tivesse acontecido. E tem uma característica muito legal dos filhos de Iansã. Eles perdoam de verdade. Eles esquecem qualquer tipo de ofensa que lhe tenham feito. Esquecem de verdade. Só que tem um outro lado também, né? Quando eles fazem coisas erradas e se arrependem. Ai, eu nunca mais vou fazer isso. Eles também esquecem e acabam fazendo novamente. Porque essa é uma característica dos filhos. Esquecem fácil de ofensas, agressões. Mas também esquecem fácil das promessas que fizeram.

As filhas de iansã têm muito essa facilidade de esquecer e seguir em frente.

Uma outra característica dos filhos e filhas dessa Orixá é o espírito de liderança. Elas tem facilidade de ocupar um lugar de destaque, de comando. Os filhos de iansã tem o poder de convencer, de unir as pessoas em torno de um mesmo objetivo. E elas não gostam de rotina. Filha de iansã gosta de novidade. Porque elas são movidas pela paixão, pela emoção.

Então, iansã é tudo isso e muito mais, gente! Iansã é a energia que move a Humanidade. O fator que organiza e direciona os seres humanos para evoluir!

Espero que vocês tenham gostado desse episódio. Eu nunca consigo falar tudo sobre um Orixá, porque é muito detalhe. E eu vou emendando os assuntos e acabo esquecendo de falar uma coisa ou outra. Mas a gente ainda vai ter muitos episódios aí pela frente para falar sobre Orixás, entidades, ritualísticas. Oportunidades é o que não faltarão. Eu acho que o principal que eu queria falar sobre iansã, eu consegui. O importante aqui é a gente entender a função de cada Orixá na nossa vida. Compreendendo os Orixás, nós compreenderemos melhor a Grandeza de Deus. E olha que a gente está muito longe ainda de conseguir captar a verdadeira essência de Olorum, o nosso Pai Criador. Mas a gente vai chegar lá, um dia!

Ficamos por aqui. para quem está ouvindo esse episódio por acaso, pela primeira vez, vocês podem ouvir os episódios anteriores no Spotify, Amazon Music, Google Podcast, Deezer, Apple Podcast, AnchorFm, Youtube e também acessando o nosso site “almadepoeta.com.br“.

Que a nossa mamãe Iansã possa trazer renovação, oportunidades e movimento na vida de todos nós! Um grande abraço a todos, fiquem com Deus! E até o nosso próximo encontro!

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