A Umbanda e o Kardecismo

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Nesse episódio eu vou mostrar pra vocês como eu enxergo a relação harmoniosa que existe entre Umbanda e Kardecismo e vou falar também um pouquinho sobre o nosso querido Chico Xavier.

Transcrição do Episódio

Olá, meus irmãos! Tudo bem com vocês? Sejam bem-vindos a mais um episódio do podcast “alma de poeta”. Meu nome é Evandro Tanaka, eu sou médium umbandista e hoje a gente vai falar sobre uma pessoa que eu profundamente admiração, por quem eu tenho o mais absoluto respeito. Na minha opinião, um dos médiuns mais evoluídos que esse mundo já teve a oportunidade de receber. Eu estou falando do nosso querido e inesquecível Chico Xavier. Sim, meus irmãos! Eu sou um fã dos ensinamentos que o Chico deixou aqui na Terra. E eu não estou falando apenas dos seus livros, mas principalmente do seu exemplo de vida. O Chico viveu tudo aquilo que pregou! Uma história de vida linda!
Vocês já tiveram a oportunidade de ler o livro que chama “As vidas de Chico Xavier”? Se vocês não leram esse livro, gente, leiam! É fantástico! Eu já li esse livro três vezes e estou querendo ler a quarta! Pra vocês verem como eu admiro esse homem! Como eu admiro espírito que passou pela Terra! Esse livro foi muito bem escrito pelo jornalista Marcel Souto Maior. Aliás, esse autor merece todos os elogios, porque ele teve uma sensibilidade impressionante ao retratar a vida do Chico.
Ah, Evandro, mas você é umbandista. O que você tá falando aí de Chico Xavier? Gente, não tem nada a ver uma coisa com a outra. Ou melhor, tem tudo a ver. Porque se você é umbandista, mas não reconhece a grandeza de almas de pessoas que vivenciaram outras religiões, então você deveria ter vergonha de pertencer à Umbanda. Porque a Umbanda é inclusão. O verdadeiro Umbandista não sabe o que é preconceito, o verdadeiro umbandista não sabe o que é sectarismo.
Olha só pros nossos guias espirituais. Dá uma olhada nas linhas que se manifestam na Umbanda e você vai ver a diversidade linda que existe na nossa religião. A missão da Umbanda é acolher e respeitar a diversidade. Não é à toa que na Umbanda se manifestam espíritos de ex-escravos, índios, ciganos, povos que sofreram todo tipo de perseguição e preconceito. Esse é o espírito que o Umbandista precisa ter, o espírito da comunhão, do respeito, do acolhimento.
Sem contar, pessoal, que o Kardecismo e a Umbanda são religiões e filosofias irmãs! Muitos espíritas não gostam d relacionar o espiritismo como religião. Mas se a gente interpretar o termo religião no sentido etimológico da palavra, religare, ou seja, um meio para nos religar a Deus. Então, o Kardecismo, assim como a Umbanda é sim uma religião!
Eu costumo dizer que a Umbanda é a irmã mais nova do Kardecismo. Porque o espiritismo nasceu em 1857, com as investigações do Allan Kardec a respeito dos fenômenos das mesas girantes. Já a Umbanda foi “oficializada” no Brasil em 1908, com a manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas no médium Zélio Fernandino de Moraes. Ou seja, a Umbanda nasceu 50 anos depois do Kardecismo.
E justamente pela Umbanda ser a irmã mais nova do kardecismo, ela acabou absorvendo muitos conceitos e elementos que o espiritismo carrega. Sabe a história do irmão caçula que acaba imitando o irmão mais velho, mas mesmo assim ainda possui uma personalidade própria? Assim é a Umbanda. E ela absorveu elementos não só do espiritismo, mas também do Catolicismo, das filosofias do oriente, dos cultos africanos. A Umbanda tem essa característica muito própria de absorver conceitos e ensinamentos de outras filosofias. Tudo o que a Umbanda entende que pode ser útil, ela adota e integra na sua ritualística.
Eu, particularmente, acho uma combinação perfeita do Kardecismo com a Umbanda, sabe? Porque se vocês estudarem os princípios que o Kardecismo defende (reencarnação, a evolução do espírito, as leis de causa e efeito), você vai compreender com muito mais clareza a manifestação dos nossos guias espirituais, a razão pela qual eles vêm nos ajudar.
Mas o Umbandista, ele não pode se limitar a estudar apenas uma corrente filosófica. Nós precisamos manter a nossa mente aberta e receptiva para assimilar novas informações. É assim que evoluímos, é assim que quebramos preconceitos, é assim que compreendemos melhor o nosso próximo.
Vocês querem ter uma ideia de como a espiritualidade (e quando eu digo espiritualidade, eu estou me referindo à egrégora da Umbanda também), de como eles acolhem de braços abertos todo tipo de espírito? Ouve as poesias do Pai Antônio. Você vai perceber que a grande maioria delas não tem nada a ver com ensinamentos umbandistas, mas sim com experiências de vida de pessoas que viveram em épocas diversas.
Eu vou colocar aqui para vocês uma poesia que eu acho linda demais. Ela conta a história de um menino pobre que viveu no século 3 e que teve a oportunidade de ser tratada por dois médicos que, mais tarde, na história, ficariam conhecidos como Cosme e Damião. Vamos ouvir essa poesia linda que o Pai Antônio nos passou:

Eu nasci menino bem pobre.
Muito longe de ser um nobre,
cresci como órfão plebeu.
Vivi à margem da sociedade,
naquela longínqua cidade
próxima ao Mar Egeu.

Tive a infância sacrificada,
a dor e a fome arraigada,
numa vida de extrema carência.
Enquanto Roma se agigantava
e o mundo inteiro se ajoelhava 
diante da sua opulência.

Mas minha vida era bem diferente
daquela cultura envolvente
gravada nos livros de história.
Ao invés de conhecimento,
sentia o mundo truculento
numa existência sem glória.

Quando completei nove anos,
em meio a corações desumanos,
desfaleci na rua, adoecido.
As pessoas, então, me evitavam,
passavam longe e comentavam:
"Está morrendo o menino-mendigo."

Fui levado a um beco escuro,
separado por um grande muro,
para ali poder definhar. 
Fiquei caído, no chão estendido,
entre tosses e roucos gemidos,
sem forças para levantar.

Naquele beco, ninguém adentrava,
pois o medo da doença afastava
as pessoas da minha companhia.
Apenas em raros momentos
caridosos jogavam alimentos
para diminuir minha agonia.

Por dias, permaneci delirante
naquele beco, agonizante,
sentindo febre, dor e apatia.
Pelo mundo, sempre fui sozinho
sem qualquer tipo de carinho,
que pudesse alegrar os meus dias.

Desde pequeno, numa vida errante,
roubava dos comerciantes
para saciar a minha fome.
Durante a noite, dormia ao relento,
entre bichos e maus elementos,
dos quais nem sabia o nome.

Mas agora eu estava doente,
sozinho naquele ambiente,
não conseguia mais ser forte.
Naquela hora, ninguém se importava
pelas lágrimas que eu derramava,
caído no beco da morte. 

Um dia, despertei assustado
vendo dois jovens ao meu lado,
em silêncio, me examinando.
Olhavam para mim sorrindo
e aos poucos eu fui sentindo
uma paz me reconfortando.

Os dois jovens, quase idênticos,
deviam ser gêmeos autênticos
pois era difícil diferenciar.
O mesmo olhar, o mesmo sorriso,
me deixavam bastante indeciso,
não sabia para quem olhar.

Eles carregavam nas algibeiras
unguentos, folhas de figueiras,
remédios e muitos doces.
Examinaram meu corpo febril
e falaram de um jeito gentil:
"vamos logo curar essa tosse".

Ofereceram um remédio amargo,
acompanhado de um sorriso largo
e depois, doces para compensar.
Em seguida, de olhos fechados,
se colocaram os dois ao meu lado
e juntos começaram a rezar. 

A febre passou, como por encanto,
por causa dos dois homens santos
comecei logo a melhorar.
Em seguida, eles se levantaram,
sorriram para mim e falaram:
"O Cristo veio te curar."

Apesar de menino, chorei agradecido
por todo o carinho recebido
e também pelo corpo curado.
Na simplicidade de uma criança
deixei guardado na lembrança
aquele momento abençoado.

Antes que os dois partissem,
implorei para que me ouvissem,
pois estava muito emocionado!
Sem qualquer tipo de rodeio,
perguntei aos dois, sem receio,
como eles eram chamados?

O mais alegre virou e me disse,
fazendo rir da sua peraltice:
"Eu sou Acta, o mais bonito!"
Enquanto o outro, de idêntica beleza,
se curvou com delicadeza,
oferecendo um amor infinito.

Senti a força do seu abraço,
ouvi dizer que se chamava Passio,
e que estavam lá em nome do Cristo! 

Não é uma história linda essa? Meu Deus, como eu me sinto abençoado por poder ouvir essas experiências de vida. Quantos e quantos ensinamentos eu tiro desses testemunhos que são passados por meio dos versos de Pai Antônio? Essa poesia é uma história verídica das lembranças de uma Entidade que hoje atua na Umbanda, justamente na linha dos Êres, em homenagem e em gratidão à força viva de Deus que se manifesta com o nome de Cosme e Damião!

Bom, espero que vocês tenham gostado de mais esse áudio. Eu ia falar mais sobre alguns ensinamentos do Chico Xavier, mas vou deixar para discorrer sobre isso em um próximo episódio. Agradeço a todos pelo carinho, pela atenção e continuem prestigiando o nosso programa, ouvindo o podcast pelas principais plataformas de áudio: Spotify, Google Podcast, Deezer, Apple Podcast, AnchorFm, Youtube e também acessando o nosso site “almadepoeta.com.br“. Deixem lá os seus comentários, as suas dúvidas. Vou ficar muito feliz de responder. Um grande abraço, que o nosso pai oxalá os abençoe sempre e até o nosso próximo episódio.

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