A Linha dos Marinheiros na Umbanda

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Ilustração: Ramira Yuri Ribeiro. Vamos conhecer um pouco dessa Linha maravilhosa de trabalho: A Linha dos Marinheiros! Neste episódio, nós vamos conhecer um pouco mais das habilidades que essas Entidades de Luz possuem para equilibrar o nosso estado mental e psicológico.

Transcrição do Episódio

Olá, povo da Umbanda! Bom dia, boa tarde, boa noite! Sejam muito bem-vindos a mais esse episódio do podcast ama de poeta! No áudio de hoje, a gente vai conversar sobre uma linha de trabalho maravilhosa! Essa linha foi estruturada na energia da nossa mamãe Iemanjá, na energia das águas salgadas, na força do mar! Hoje a gente vai conversar sobre a linha dos marinheiros na Umbanda. Meu nome é Evandro Tanaka, eu sou médium umbandista e nesse podcast a gente fala sobre Umbanda, Espiritualidade, Mediunidade e, também, sobre as poesias do Pai Antônio.

Quando nós falamos de Entidades que descem na linha dos marinheiros, nós estamos falando de espíritos que, quando em vida, tiveram um contato direto com o mar. Nós estamos falando de pessoas que trabalhavam em navios mercantes, de pescadores, soldados que dedicaram sua vida à marinha, de pessoas que viviam nos domínios da nossa mamãe iemanjá.

Muitas das entidades que se manifestam hoje, na Umbanda, na linha dos marinheiros são espíritos antigos que participaram das grandes navegações. Você lembra dos livros de história? As explorações de Cristóvão Colombo, de Pedro Alvares Cabral, o descobrimento das Américas, o caminho para as índias. Muita tripulação que atuava naquela época, nas caravelas, nos navios antigos, hoje trabalha na linha dos marinheiros. Legal, não é? Imagina o tanto de experiência que esses espíritos não têm para nos passar!

E os marinheiros têm esse arquétipo do homem do mar, de alguém que viaja por lugares desconhecidos, muitas vezes enfrentando as tormentas da natureza. Os marinheiros sabem que o mar é cheio de surpresas, né? Assim como a vida! Porque de uma hora para outra, a força do oceano pode fazer virar a sua embarcação. Assim como os problemas podem fazer virar a sua vida de ponta-cabeça.

E os marinheiros são ótimos para enfrentar problemas. Eles foram treinados para isso. Por maior que seja a surpresa que o marinheiro encontre pela frente, ele está preparado para lidar com aquilo. E eles trazem essa habilidade para gente! Eles vêm para nos dar equilíbrio na vida.

Sabe aquele jeitão que os marinheiros chegam no terreiro, cambaleando como se estivessem bêbados? Muita gente realmente pensa que eles chegam chapados no terreiro. Mas não é nada disso. Os marinheiros trabalham a energia do equilíbrio. E eles se apresentam daquela forma cambaleante também para indicar a sua procedência, a sua origem.

Eu nunca tive a oportunidade de viajar em alto mar ou passar muito tempo em cima de um barco, mas os marinheiros falam que quando eles ficam muito tempo navegando, o cérebro se acostuma com aquele balanço da embarcação, né? E quando eles voltam em terra-firme, parece que dá um tilte na cabeça. Nos primeiros momentos, eles dizem que perdem o equilíbrio, porque o cérebro já estava acostumado com aquele balanço do mar.

Então, o balanço do mar é simbolizado pelo equilíbrio da vida. Porque o balanço do mar faz com que o teu corpo reaja de uma forma diferente. Quando os marinheiros ficam muito tempo no mar e depois eles voltam para terra, eles têm o que a gente chama de enjoo de terra firme. Engraçado isso, né? O marinheiro, às vezes, fica tantos meses balançando em cima do navio que quando volta para a terra firme, parece que desestabiliza o sistema de percepção de equilíbrio.

Talvez seja essa a sensação que os marinheiros queiram transmitir para os médiuns quando eles estão incorporados. Essa é uma maneira que eles encontram de dizer que eles estão lá, presentes! Que o médium realmente está incorporado e envolvido pela força do marinheiro.

É engraçado que, pelo menos para mim, essa sensação de desequilíbrio, de tontura, às veze o meu estômago fica até meio mareado, acaba me trazendo a segurança necessária para deixar fluir a incorporação, sabe? São os trejeitos da Entidade que trazem a segurança para o médium trabalhar melhor. Porque quando chega o marinheiro cambaleando e eu sinto aquela energia dele, eu falo assim: “Está aqui João! O barco é seu! Conduza esse barquinho da maneira que você achar melhor”. Eu me entrego totalmente praquela manifestação!

Já aconteceu algumas vezes de o Marinheiro chegar para mim fora do terreiro para passar alguma mensagem, alguma coisa, e eu mal reconheci a sua identidade. Porque a comunicação não veio acompanhada daquela energia de marinheiro que eu sinto na incorporação. Porque fora do terreiro, eu sinto que as Entidades estão presentes na minha vida, no meu dia a dia. Mas é lógico que elas não vão incorporar. Entidades de luz não expõem o médium ao ridículo. Elas não precisam incorporar para passar uma mensagem para o médium. Esse processo se dá simplesmente por meio do nosso pensamento. E é engraçado que quando falta a incorporação, eu também deixo de perceber os trejeitos, a energia que ela me transmite.

Então, gente, voltando aqui para o assunto, os marinheiros não vêm bêbados para o terreiro, está certo? Apesar de muitas vezes eles pedirem marafo, rum, bebidas destiladas em geral, eles pedem essas bebidas, não é para consumir, mas sim para manipular energias. Eu falei disso no capítulo anterior, no episódio 35. Lembram? Entidades não bebem e não fumam!

E os marinheiros, pelo fato deles trabalharem diretamente com a energia das águas salgadas, eles são muito bons para fazer os descarregos no terreiro. Muitas vezes, a linha dos marinheiros desce só para fazer uma limpeza. É uma linha auxiliar muita boa no combate às energias negativas. Não é à toa que os marinheiros trabalham na calunga grande, né?

Pra quem não é umbandista, deixa eu explicar: existe a calunga pequena e a calunga grande. A calunga pequena é o cemitério e a calunga grande é o oceano, é o mar. Porque toda forma de vida marinha que morre, vai para o fundo mar, onde serão recebidos por Omolú. O fundo do oceano é regido por Omulú, assim como o cemitério. Então, pelo fato de os marinheiros trabalharem na calunga grande, eles tem uma excepcional habilidade de manipular energias densas, energias pesadas.

E olha, gente não se enganem! Apesar dos marinheiros trabalharem com energias densas, eles possuem muito conhecimento, muito treinamento e muita força mental. Porque as pessoas que trabalham com o mar, precisam ter um preparo emocional e psicológico muito grande, né? São pessoas que estão acostumadas ao isolamento, muitas vezes longe da família, longe da terra firme, enfrentando meses e meses de solidão em cima de um navio. E para enfrentar esse isolamento, se não tiver um preparo psicológico muito grande, a pessoa não aguenta. Isso acaba mexendo muito com a cabeça.

Por isso que a linha dos marinheiros também vem trabalhar o nosso equilíbrio mental, o nosso equilíbrio emocional. para colocar novamente o nosso barquinho no caminho de volta para casa. Por isso que os marinheiros são conhecidos também como grandes resgatadores das almas, eles vão até os lugares mais inóspitos da espiritualidade, até os sítios vibracionais mais distantes para nos trazer de volta ao caminho de Deus. Porque eles têm, não apenas esse espírito desbravador de explorar lugares desconhecidos, como também tem a habilidade de manipular energias densas e o conhecimento e sensibilidade necessária para equilibrar o seu emocional.

Você está se sentindo sozinha, isolada, abandonada? Invoca o espírito de um marinheiro e você vai se sentir muito melhor. Porque eles sabem exatamente o que você está passando. Ele conhece muito bem esse tipo de sentimento. E a linha dos marinheiros também possuem espíritos femininos trabalhando. Não é só homem, não. A gente tem, por exemplo, a Maria do Cais, que é uma Entidade famosa que atua na linha dos marinheiros. está certo que é mais difícil de encontrar marinheiras incorporadas em médiuns, mas elas estão presentes também nos trabalhos espirituais.

Daí vocês podem me perguntar: e um espírito que nunca foi um marinheiro encarnado? Ele pode atuar na linha dos marinheiros quando passar para o plano espiritual? Claro que pode gente! Desde que ele possua as qualidades necessárias para desempenhar bem o trabalho, desde que ele carregue o arquétipo característico da linha dos marinheiros. Não há problema algum nisso. E isso vale para todas as linhas de trabalho! Mas para que isso aconteça, é preciso que a Entidade estude muito, se prepare, faça as suas iniciações no plano espiritual, que adquira conhecimento e experiência. Só assim ela vai obter a permissão para trabalhar em uma determinada linha de trabalho. As Entidades aspirantes a marinheiros, elas têm que colocar a prova o seu conhecimento antes de começar a atuar junto de determinada falange.

E vocês que já participaram de uma gira de marinheiro, devem ter percebido aquele jeito descontraído, irreverente, às vezes brincalhão que os marinheiros possuem. Essa é maneira de os marinheiros trabalharem. É desse jeito que eles vão retirando os problemas psíquicos que as pessoas carregam. E ao mesmo tempo, com esse jeito descontraído, alegre, eles vão pescando novas almas para luz do nosso pai oxalá.

Eu vou aproveitar que eu estou falando aqui sobre marinheiros e eu vou recitar para vocês uma poesia linda que eu recebi do plano espiritual. Essa é uma história que foi vivenciada por uma Entidade que hoje trabalha na linha dos marinheiros. Na verdade, é uma história de amor que tocou muito fundo no meu coração. Espero que vocês gostem!

Todos contam sua história,
também vou contar a minha,
quando conquistei a vitória
trabalhando na marinha.

Na minha última existência
fui um simples marinheiro,
batendo sempre continência
no posto de fuzileiro.

Na sobriedade de um navio,
ria com meus companheiros,
naquele ambiente sombrio,
eu era alegre e galhofeiro.

Vivíamos em treinamento
no pelotão de infantaria,
esperando o exato momento
de provar a valentia.

Todos gostavam da luta,
tinham o espírito guerreiro,
mas eu era um simples recruta,
alegre e muito festeiro.

Quando o navio parava no porto,
era uma verdadeira fanfarra!
Os marinheiros corriam torto
e faziam grande algazarra!

Muitos bebiam, enchiam a cara,
nos momentos de descontração.
A tristeza era coisa rara,
todos queriam só diversão!

Não havia certo ou errado,
estávamos em tempo de guerra.
Cada um defendia o seu lado,
enfrentando os problemas da Terra. 

Naquele país devastado,
não havia sequer alimento.
O povo estava desesperado
lutando pelo seu sustento.

Os marinheiros se divertiam
procurando as moças da vida.
Eles flertavam, elas sorriam,
trocando carícias por comida.

Mas meu interesse era bem diferente,
gostava mesmo de andar sozinho.
Ajudando quem estava na frente,
oferecendo atenção e carinho.

Um dia, vi uma moça num canto,
encolhida, chorando baixinho.
Aproximei-me, ouvindo o seu pranto,
vendo seus cabelos em desalinho.

Ela me olhou de um jeito assustado
quando viu a farda de militar.
Eu me abaixei e sentei ao seu lado,
sem saber direito o que falar.

Procurei um assunto, sem demora,
pensando alto com os meus botões:
"Se uma menina tão bonita chora,
então deve ter suas razões!"

Vi brilhar seus olhos lacrimosos,
com o choro preso na garganta.
E ouvi os pensamentos tortuosos
que afligiam o coração da criança.

Ela virou o rosto para o lado
dizendo bastante envergonhada:
"Mandaram-me aqui, nobre soldado,
para que eu possa ser utilizada."

"Mas adianto! Não vim de bom grado,
mas por imposição da minha família.
Porque estamos muito necessitados
e já vendemos quase toda a mobília."

"Minha mãe disse: vá até o porto
e faça algo útil nessa sua vida.
Procure alguém para vender o corpo
e nos traga um pouco de comida."

"Por isso estou aqui, marinheiro,
para me doar, em troca de ajuda.
Prometo entregar meu corpo inteiro,
desde que o senhor nos acuda."

As palavras daquela menina
foram golpes de navalha na alma.
Tive que usar toda a disciplina
para tentar manter minha calma.

Lembrei que carregava no bolso
uns pedaços de pão e de queijo.
Entreguei-lhe todo o meu almoço
e ela, em troca, ofereceu seu beijo.

Mas eu recusei e disse sem graça:
"Vá para casa, pequena menina!
E amanhã volte a esta praça,
ou então me procure na marina." 

A moça correu radiante,
agradecendo pelo presente:
"Marinheiro, de hoje em diante
minhas orações são por ti somente!"

Nos sete dias subsequentes,
eu ia sempre no mesmo lugar
e encontrava a jovem contente,
ansiosa, a me esperar.

Ela corria, quando me via
e se jogava num grande abraço!
Era o Sol a iluminar o meu dia,
um refúgio para o meu cansaço!

Mas o dia da batalha chegou
e partimos para o estrangeiro.
A guerra, por fim, nos separou,
dilacerando meu coração inteiro.

A moça chorou desconsolada,
com seu amor puro e verdadeiro.
Entre soluços, ela murmurava:
"Não vá embora, nobre marinheiro."

Mas o navio partiu, indiferente,
naquela manhã cinza de inverno,
levando comigo seu olhar carente
e as juras de um amor eterno.

Quando já estávamos em alto mar,
o terrível inimigo nos atacou.
Rajadas de tiros cortaram o ar
e o navio inteiro se despedaçou.

Canhões furiosos cuspiram fogo,
fazendo o casco do navio quebrar.
O terrível inimigo, virando o jogo,
mandou o barco para o fundo do mar.

A água invadiu o convés
e muitos se puseram a rezar,
enfrentando a fúria das marés,
os marinheiros começaram a nadar.

Outros correram em direção à proa
e imediatamente foram fuzilados.
Até hoje, o barulho me atordoa,
quando eu ouço o mar agitado.

Então, no auge do desespero,
o navio afundou no oceano.
A água me cobriu por inteiro,
afastando o inimigo tirano.

A temperatura do corpo caiu,
pois a água estava muito gelada.
Comecei a sentir muito frio,
e não consegui pensar mais em nada.

O corpo todo ficou entorpecido,
e conformei-me com a minha sina.
Mas antes de perder o sentido,
lembrei de novo daquela menina.

Quando chegou o instante derradeiro, 
vi uma luz brilhante a me chamar:
"Venha conosco, feliz marinheiro
estamos aqui para te ajudar".

"Nós somos os Guias da menina-moça
Que um dia tu vieste a amparar.
Tu conquistaste a simpatia nossa
e estamos aqui para lhe pagar."

Não é linda essa história! Que amor bonito entre os dois! Almas gêmeas que se reencontraram em um momento conturbado. O marinheiro contou para o Pai Antônio que viveu essa experiência na primeira guerra mundial. Ele fazia parte das forças armadas de um país. E se não me engano, ele estava em uma terra estrangeira, em uma situação de ocupação. A frota ficava ancorada no litoral, pronta para enfrentar o inimigo.

E toda guerra traz dificuldades para população, né? Principalmente com alimentos. E o ser humano é capaz de fazer coisas horríveis para sobreviver. Não raras vezes, as mulheres começam a vender o corpo em troca de comida. É o que estava acontecendo naquela região. Mas percebam como espírito, ainda encarnado, já possuía uma boa índole. Ele procurava usar aquela situação que ele estava vivendo para ajudar as pessoas. Ele não se misturava com outros soldados que queriam apenas tirar proveito da dificuldade que as pessoas estavam passando.

Foi quando a espiritualidade proporcionou o reencontro daquelas duas almas que se amavam. E como é bom esse sentimento de amor em momentos de dificuldade, não é mesmo? Percebam que o interesse do marinheiro por aquela menina nunca foi carnal. Ele a amava assim como ela também o amou. Se no começo o interesse ela era apenas por comida, depois, com o passar do tempo, a ajuda que o marinheiro dava para ela e para família era o que menos importava. Ela queria estar apenas envolvida no seu abraço, sentida uma imensa felicidade de estar na sua companhia.

E notem que quando a gente ajuda alguém aqui na Terra, nós também estamos angariando a simpatia de espíritos desencarnados que se preocupam com aquela pessoa. Com as nossas boas atitudes, nós estamos fazendo amizades no plano espiritual. E da mesma maneira que nós ajudamos, nós também seremos ajudados no momento oportuno. É lógico que nós não devemos ajudar com a intenção de receber essa ajuda de volta depois. A nossa ajuda tem que ser natural, espontânea. Só assim nós conseguiremos vibrar na mesma sintonia dos espíritos desencarnados que ajudam a humanidade.

Espero que vocês tenham gostado do episódio. Eu tento gravar todos os áudios com o máximo de carinho e cuidado para vocês ouvirem. Ah, e eu queria aproveitar aqui para fazer um agradecimento muito especial. Eu queria agradecer a Ramira pelas ilustrações que ela está fazendo no nosso site alma de poeta. Essa menina tem uma habilidade artística impressionante! Uma ilustração mais bonita do que a outra! E eu fico até meio perdido no meio de tantas imagens bonitas que ela me manda! Porque dá vontade de usar todas! Muito obrigado, Ramira, pelo seu carinho, por você dedicar o seu tempo a contribuir com o nosso podcast, não só com as suas ilustrações maravilhosas, como também com seus apontamentos sempre muito pertinentes! E como a gente falou de marinheiro aqui, saiba que você é a âncora que eu preciso para estabilizar a minha embarcação. E você sabe, né? Você que tem acompanhado a manifestação dos nossos guias durante tanto tempo, sabe mais do que ninguém que muito dos ensinamentos que eu coloco aqui são deles. Muito obrigado, Ramira! Muito obrigado por tudo o que você fez por mim até hoje. Agora chega, senão eu vou chorar. E como eu digo sempre para vocês, irmãos de fé, acompanhem os nossos episódios nas principais plataformas de áudio: vocês podem ouvir o alma de poeta no Spotify, Amazon Music, Google Podcast, Deezer, Apple Podcast, AnchorFm, Youtube e também pelo nosso site “almadepoeta.com.br“.

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