A Calunga Pequena e o Cruzeiro das Almas

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Hoje a gente vai falar um pouquinho sobre a Calunga Pequena e o Cruzeiro das Almas. Vocês sabem o que é o Cruzeiro das Almas? Para quê serve? Por que ele existe? Se você não sabe, ouça esse episódio. Porque é sobre isso que a gente vai conversar.

Transcrição do Episódio

Olá, meus irmãos, olá minhas irmãs! Olá minha família espiritual! Sejam muito bem vindos a mais um episódio do Podcast Alma de Poeta! Meu nome é Evandro Tanaka, eu sou médium umbandista e aqui a gente conversa sobre Umbanda, Espiritualidade e Mediunidade. E hoje a gente vai falar um pouquinho sobre a Calunga Pequena e o Cruzeiro das Almas. Vocês sabem o que é o Cruzeiro das Almas? Para quê serve? Por que ele existe? Se você não sabe, ouça esse episódio. Porque é sobre isso que a gente vai conversar hoje.

O Cruzeiro das Almas é um lugar que existe dentro dos cemitérios, dentro desse local sagrado que na Umbanda a gente chama de “Calunga Pequena”. E o Cruzeiro das Almas é um grande ponto de referência, não só para os encarnados que vão até lá para rezar, para acender velas, para depositar flores, como também é um ponto de referência para os espíritos desencarnados. Porque, no plano espiritual, o Cruzeiro das Almas é um foco de luz! É onde os espíritos evoluídos se reúnem para decidir alguma questão, para se conectarem com o plano superior. O Cruzeiro das Almas atua como um ponto de força do cemitério onde as Entidades que administram aquele ambiente se conectam com o Poder dos Orixás, com o Poder de Deus, com a espiritualidade maior.

Geralmente, na maioria dos cemitérios, a gente consegue identificar o Cruzeiro das Almas muito facilmente, né? Ele é representado por uma grande cruz que fica bem no centro da calunga. É um local de fácil acesso e que dá para ser visto de qualquer parte do cemitério. É lógico que existem variações, porque nem todo cemitério consegue adotar essa configuração. Tem cemitério que não possui um Cruzeiro das Almas, mas em compensação, eles têm algum outro local semelhante, que tem o mesmo propósito do cruzeiro: às vezes um velário, uma capela, um lugar para acender incenso… Sempre vai ter algum lugar dentro do cemitério onde a gente pode fazer as nossa homenagens aos entes queridos que partiram.

E esses locais são pontos de força que atuam como um elo de ligação entre o plano material e o plano espiritual. E além disso, o Cruzeiro consegue conectar o plano astral da calunga com outros planos mais elevados. O Cruzeiro geralmente é o local onde os guias espirituais se reúnem para rezar, para extrair forças quando eles precisam fazer determinados tipos de trabalho… O que existe, na verdade, nesse ponto de força da Calunga, é uma cooperação de vontades e de sentimentos, né? Porque, muitas vezes, os encarnados vão até o Cruzeiro para lembrar dos seus entes familiares que foram sepultados ali, para fazer algum tipo de homenagem. E a espiritualide se utiliza dessa força energética que é depositada pelos encarnados, naquele ponto, para ajudar os espíritos necessitados que estão temporariamente vivendo naquele local.

O Cruzeiro das Almas funciona como se fosse um farol que encaminha as almas necessitadas para serem cuidadas pelos espíritos de luz. E o encaminhamento dessas almas é feito justamente por essas Entidades que trabalham na Umbanda: pretos-velhos, Exús e Pombajiras. E eles fazem isso, em nome da caridade e do amor de Deus.

Por esses motivos que eu estou falando para vocês, por ser um local de homenagens, de rezas, de reuniões, o Cruzeiro das Almas é um lugar que tem uma grande força espiritual. As Entidades trabalhadoras da Calunga Pequena usam o Cruzeiro como um ponto de apoio para resgatar espíritos que estão desencaminhados, espíritos perdidos ou viciosos.

E olha, gente, esse é um dos trabalhos mais bonitos que existe dentro da Umbanda: o trabalho de resgatar espíritos perdidos. Porque muitas pessoas, quando desencarnam, elas ficam totalmente desorientadas, sem saber o que fazer, sem saber para onde ir… muitas vezes não sabem nem o que aconteceu. Elas não tem a mínima ideia de que o corpo físico delas já morreu. Daí que entra esse trabalho lindo realizado pelos pretos-velhos, pelos Exús e Pombajiras. Os Exús e Pombajiras tem uma habilidade muito grande de atuar como guardiões. Quando tem um Exú ou uma Pombajira do teu lado, kiumba nenhum se aproxima, porque eles tem medo. E quando esses Exús e Pombajiras trabalham no Cemitério, dentre tantas outras atribuições, eles também fazem essa função de proteger o ambiente contra ataques do baixo astral.

E vocês não imaginam como tem ataque do baixo astral nos cemitérios. O povo da esquerda tem muito trabalho para repelir essas investidas que os kiumbas fazem na calunga pequena. Daí vocês podem me perguntar: pô, mas por que? Por que os kiumbas têm tanto interesse assim nos cemitérios? Sabe qual é o principal interesse dos kiumbas em invadir cemitérios? É a obtenção de ectoplama!!! Eles se matam do lado de lá para conseguir ectoplasma! Nossa, ficou estranha essa minha fala, né? Porque não dá para eles se matarem porque eles já estão mortos. Mas assim, eles brigam entre eles, eles fazem de tudo para conseguir ectoplasma. E o cemitério é um grande depósito de ectoplasma, né? Porque quando o nosso corpo físico morre, demora vários dias até toda a energia vital do corpo se dissipar no ambiente. Daí, o que acontece? O corpo é enterrado, mas aquela energia permanece “aglutinada”, digamos assim. E isso desperta muito a cobiça e o interesse dos kiumbas.

E tem uma outra razão, pela qual, muitas vezes, os kiumbas querem invadir o cemitério: para tentar escravizar os espíritos desorientados que estão lá dentro, principalmente aqueles que desencarnaram há pouco tempo, né? Os Kiumbas tentam usar aquele momento de fragilidade do espírito desencarnado para dominar, para subjugar. Só que, nessas horas, o povo da esquerda está lá presente, né, para impedir que os kiumbas consigam levar espíritos que ainda estão se adaptando à vida espiritual.

[Ponto Cantado – Soltaram um Bode Preto]

O Exú Catacumba costuma dizer o seguinte para mim: “os espíritos desencarnados que estão dentro do cemitério, de uma certa maneira, eles são até privilegiados. Porque eles estão dentro de uma fortaleza. Enquanto eles permanecerem dentro da calunga pequena, eles ficarão protegidos”.

E os pretos-velhos? Qual é a função de um preto-velho no cemitério? Primeiro que eles são espíritos que tem uma grande sabedoria, né? Os pretos-velhos tem um conhecimento muito grande de como funcionam as leis do plano astral. E eles fazem um trabalho importantíssimo de orientação. Principalmente para aqueles espíritos que desencarnaram sem saber, aqueles espíritos que estão totalmente desorientados. Os pretos-velhos tentam trabalhar o psicológico desses espíritos, tentam harmonizar o lado emocional, tentam aconselhar o que aqueles espíritos precisam fazer daquele momento em diante.

E vocês pensam que o cemitério é só tumba e sarcófago? Talvez seja assim no plano físico, mas no plano espiritual existe uma grande estrutura de acolhimento, onde as almas são recebidas, onde as almas são orientadas e encaminhadas. Muitas vezes, é dentro do cemitério que o espírito, quando acorda da perturbação do desencarne, fica consciente da sua situação, de que ele já não vive mais no plano físico. E os pretos-velhos sabem dar essa notícia com muito carinho, com muito amor. Nessas horas, os espíritos recém-desencarnados são orientados a deixar para trás todo apego que eles tinham à matéria, à vida encarnada, o apego que eles tinham às pessoas e aos bens materiais.

Dentro do cemitério, o Cruzeiro das Almas é tão importante para o espírito, assim como a água é importante para o encarnado. Porque é lá no Cruzeiro das Almas que o espírito adquire forças, que ele se alimenta espiritualmente, é onde ele se reequilibra. Por isso, quando a gente se dirige ao Cruzeiro das Almas, a gente tem que se dirigir com muito respeito, com muito amor, levando sempre pensamentos e sentimentos positivos. Porque a nossa atitude vai contribuir muito para o bem estar dos espíritos desencarnados que estão naquele ambiente. Essa é a nossa contribuição como encarnados quando nós estamos dentro da Calunga Pequena.

E eu fico muito triste quando eu vejo despachos de magia negra depositadas no Cruzeiro. As pessoas que fazem isso, elas não tem a mínima ideia de como elas estão, não só prejudicando ao próximo, como também se auto prejudicando. Porque tudo que vai, volta, né? Essa é uma lei do universo que a gente não consegue mudar. Se você vai no Cruzeiro das Almas e pede o mal para uma pessoa, pode ter certeza que você vai ser a maior prejudicada. O Cruzeiro das Almas é um lugar sagrado, é o local para onde são encaminhados os Eguns. É muita maldade das pessoas que fazem trabalhos negativos e despacham esses trabalhos dentro dos cemitérios.

Só que esses trabalhos negativos não tem relação nenhuma com a Umbanda. São pessoas ignorantes das Leis de Deus que tentam usar a espiritualidade para prejudicar o próximo. E mais cedo ou mais tarde elas vão colher aquilo que estão plantando, né? A justiça de Xangô está atenta para cada atitude, pensamento ou sentimento que nós temos nessa vida. As pessoas que fazem trabalho de magia negra, elas não tem ideia do karma negativo que elas estão adquirindo. E quando essas pessoas morrerem, elas não vão ser bem-vindas no cemitério, elas não vão ter a permissão de permanecer lá dentro, justamente pelas atitudes erradas e pelo desrespeito que elas tiveram com a espiritualidade.

Dentro do cemitério, a Umbanda é uma irradiação de luz e, definitivamente, ela não aceita nenhum tipo de trabalho negativo! Ainda mais no cemitério que é um ponto de força de Omulú, o senhor das passagens. O cemitério é como se fosse um portal onde o espírito passa de um plano vibratório para outro.

E eu vou falar uma coisa para vocês: no cemitério, Omulú absorve e dissipa energia ruim. Então, se vocês tiverem algum problema emocional, algum sentimento de ordem negativa, como mágoa, rancor… ou até mesmo se vocês estão com alguma doença física, vai lá no cemitério da sua cidade, chega no Cruzeiro das Almas e faz uma prece para o Pai Omolú. Vocês vão ver como se sentirão melhor.

E olha só que interessante: até agora eu falei do Cruzeiro das Almas do cemitério, né? Só que se vocês repararem, todo terreiro de Umbanda também tem um cruzeiro. E a finalidade é basicamente a mesma. No cruzeiro das almas que existem dentro dos terreiros (algumas pessoas chamam de cantinho das almas), é para onde os Eguns são encaminhados. Às vezes é um espírito que está acompanhando uma pessoa que foi visitar o terreiro, às vezes é um espírito que estava perambulando pela cidade e foi atraído por aquele foco de luz. Todos esses espíritos são recebidos e são encaminhados para locais apropriados. Se é espírito bom, é encaminhado para um local de recuperação ou de tratamento. Se é espírito ruim, é encaminhado para o baixo astral.

E no Cruzeiro das Almas que existem dentro dos terreiros, a gente também costuma fazer firmezas, fazer oferendas, assim como a gente faria no cemitério. Gente, eu resolvi falar um pouquinho nesse áudio sobre o Cruzeiro das Almas, porque eu já ouvi cada absurdo! Eu já ouvi gente dizendo que o Cruzeiro das Almas traz má sorte, que o Cruzeiro das Almas atrai a morte. Eu já ouvi até mesmo dirigente espiritual, Pai de Santo, Mãe de Santo, falando para evitar passar pelo Cruzeiro das Almas. Isso aí é uma tremenda falta de informação, é uma crendice que não tem fundamento algum. É até mesmo uma falta de respeito com um lugar tão abençoado como é o Cruzeiro das Almas.

A gente precisa ter em mente que o Cruzeiro das Almas é um ponto de luz no meio da escuridão. E nós, umbandistas, precisamos nos dirigir a ele com o mesmo respeito que nós teríamos em qualquer outro ponto de força da natureza. O Cruzeiro das Almas merece o mesmo respeito e admiração que nós teríamos por uma cachoeira, pelo mar e pelas matas. Porque todos esses são pontos de forças de Orixás, inclusive o Cruzeiro das Almas.

[Ponto Cantado – Foi Lá no Cruzeiro das Almas]

Esses dias eu estava lembrando de um atendimento que foi dado no terreiro e a Entidade pediu para o rapaz acender uma vela branca no Cruzeiro das Almas. Daí, depois da gira o rapaz veio todo preocupado conversar comigo porque ele achava que a Entidade tinha pedido para ele ir até o Cruzeiro das Almas do Cemitério, porque ele deveria estar acompanhado por Eguns, porque ele deveria estar sofrendo algum tipo de obsessão.

Porque a nossa mente é assim, né gente! A Entidade fala alguma coisa e a nossa mente começa a trabalhar tentando achar uma explicação do motivo que a Entidade está falando aquilo. Gente, quando vocês estiverem passando por um atendimento na gira e ficarem com dúvidas, perguntem! Pergunta para a Entidade, pergunta para o médium incorporado. Não tenham receio de esclarecer o motivo pelo qual a Entidade está pedindo para vocês fazerem determinada coisa.

No caso desse rapaz, por exemplo, ele achou que tinha que ir até a Calunga porque estava sendo obssediado por algum Egun. Só que ele esqueceu que a Calunga Pequena também atua como um ponto de transmutação de energia. Afinal de contas é o reino de Obaluaê, é o reino de Omulú. E a vela que a Entidade tinha pedido para ele acender no Cruzeiro das Almas não era para encaminhar nenhum espírito. Era para ajudar ele mesmo. Era para ajudar a transmutar algo ruim que ele não estava conseguindo resolver dentro dele. Então, o reino da Calunga, principalmente o Cruzeiro das Almas, não é só para ajudar espíritos desencarnados. Serve para ajudar a nós também.

E tem uma outra coisa que eu queria comentar com vocês. A gente precisa entender que na Umbanda, assim como na Igreja Católica, a cruz é um símbolo de ascensão. A cruz é uma conexão entre o céu e a terra, entre o mundo espiritual e o mundo físico. E a ajuda do Cruzeiro se dá dos dois lados da vida. Não só no plano espiritual. Porque todos nós somos espíritos, né? A única diferença é que nós ainda estamos presos no corpo da carne. Mas nem por isso deixaremos de receber a ajuda que precisamos. Dentro da Umbanda, a gente costuma aprender que Obaluaê é o Orixá que rege a Calunga Pequena, né? E consequentemente é a energia que prevalece no Cruzeiro das Almas. E a gente aprende também que as Entidades que mais fazem uso desse símbolo da Cruz são os nossos amados pretos-velhos. Porque a linha dos pretos-velhos se sustenta na energia de Obaluaê. Por isso que a gente costuma ver preto-velho trabalhando com rosário, com terços, fazendo pontos riscados que normalmente tem uma cruz no meio. Porque eles estao manipulando a energia de Obaluaê.

Então, o mesmo respeito que a gente tem por Obaluaê, a gente precisa ter pelos pretos-velhos, por esse maravilhoso trabalho que eles fazem. E olha só que interessante: a Cruz é um dos símbolos mais antigos que existem na humanidade. E os pretos-velhos são os anciãos da Umbanda, né? Você percebe a ligação? São espíritos velhos, sábios. Eles possuem tanta elevação espiritual que são capazes de transitar por diversos planos vibratórios, desde o mais baixo até o mais alto. E os rosários e os terços que eles carregam trazem essa simbologia de uma sabedoria acumulada no decorrer de milênios!

[Ponto Cantado – Brilhou o Cruzeiro Santo]

Quando a gente monta um Cruzeiro das Almas no nosso terreiro, a gente está estabelendo uma conexão direta com essas Entidades, com os pretos-velhos. Porque a gente vai lá, faz o cruzeiro, depois, dependendo da casa, coloca uma imagem de um preto-velho ou de uma preta-velha. Junto do Cruzeiro, às vezes a gente também coloca palha para Obaluaê. E tudo isso vai formando um campo energético muito importante para o trabalho espiritual que vai ser desenvolvido naquele ambiente.

Ali se estabelece um elo de ligação do terreiro com o plano espiritual, com a energia de Obaluaê. E esse elo de ligação atrai seres de luz que, num gesto de caridade e de amor, vem compartilhar com os filhos do terreiro muita sabedoria e conhecimento. Não é à toa que Obaluaê é sinônimo de Evolução. Na Umbanda, Obaluaê cuida do trono da Evolução. E os pretos velhos são os responsáveis por transmitir toda a sabedoria que vai nos proporcionar essa evolução necessária.

E olha, gente, vocês que tem medo de cemitério, tenham em mente uma coisa: Esse é o único reino pelo qual todos nós, obrigatoriamente, passaremos um dia! Não adianta fugir, é inevitável! Vai chegar uma hora em que o nosso Pai Obaluaê vai nos convidar para fazer a passagem pelo seu reino. A gente precisa estar preparado para isso para, quando chegar a hora, que pelo menos possamos fazer essa passagem da maneira mais tranquila e serena possível.

Espero que vocês tenham gostado desse episódio. E continuem estudando, aprendendo, se aperfeiçoando com os assuntos relacionados à espiritualidade. Essa matéria, apesar de ser desprezada aqui na Terra, relegada a segundo plano, vai ser de grande importância quando nós voltarmos para o lado de lá.

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Um grande abraço! Fiquem com Deus! E que o nosso Pai Obaluaê cuide sempre da nossa evolução! Atotô, meu Pai!

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