Um pouco sobre Exú-Mirim

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Você sabe qual é a maior especialidade de um Exú-Mirim? É encontrar coisas que as pessoas esconderam de propósito. Exú-Mirim é muito bom nisso. E ele é bom de encontrar sabe o quê? Trabalho de magia-negra escondido!

Transcrição do Episódio

Oi pessoal! Bom dia, boa tarde, boa noite! Sejam bem vindos a mais um episódio do Podcast Alma de Poeta! Meu nome é Evandro Tanaka, eu sou médium umbandista e hoje a gente vai conversar sobre um assunto no mínimo polêmico. A gente vai conversar sobre uma linha de trabalho bastante controversa. Nós vamos falar sobre Exú-Mirim. Vocês sabem que Entidades são essas que se apresentam com esse nome? O que eles fazem? Como eles se comportam? É sobre isso que a gente vai conversar hoje.

É gente, falar sobre Exú-Mirim, pelo menos para mim, é tão difícil quanto conversar sobre Erês. Porque esse é um assunto complexo, que tem muitas teorias diferentes. E eu vou tentar abordar todas essas teorias que existem na Umbanda para que vocês consigam construir a sua ideia sobre Exú-Mirim. E essa construção não é fácil. Exú-Mirim é uma Entidade cheia de mistério.

Tem algumas pessoas falam o seguinte: Que a Linha da Direita na Umbanda tem um tripé de apoio. Esse tripé é formado por Caboclos, Pretos-Velhos e Erês. Certo? Pois bem, essa mesma corrente de pensamento diz que a Linha da Esquerda também teria um tripé de sustentação, que seria formada por Exú, Pombajira e Exú-Mirim.

As pessoas que pensam dessa maneira, elas traçam um paralelo entre os Erês e os Exús-Mirins, dizendo que os Erês seriam as crianças da direita, enquanto que os Exús-Mirins seriam as crianças da esquerda. Bom, essa seria a primeira corrente. Vamos ouvir mais um ponto de Exú-Mirim? É mirim, é mirim, é mirim… É mirim de pirim-pim-pim!

Tem uma segunda corrente que fala que os Exús-Mirins, assim como os Erês, são espíritos que não encarnam. São espíritos que viveriam uma existência paralela à evolução humana. Essa corrente de pensamento defende que os Exús-Mirins, assim como os Erês, seriam também seres encantados que evoluem, que se desenvolvem, mas numa condição diferente da nossa.

Tem uma terceira corrente que fala que os Exús-Mirins são espíritos que já tiveram uma vivência aqui no nosso plano terreno e que, assim como os Erês, desencarnaram ainda crianças (ou não), mas que carregam esse arquétipo infantil, eles se manifestam com esse estereótipo de criança porque eles se identificam com isso. A única diferença seria que os Erês vibram numa energia extremamente sutil e positivada, enquanto que os Exús-Mirins vibrariam em uma energia densa e negativada.

E vocês sabem, ,né? Quando eu falo de energia positiva e negativa, eu não estou dizendo que a energia negativa é ruim. O positivo e o negativo, na Umbanda, são apenas polaridades opostas de uma energia maior que vem de Deus. Eu estou falando isso porque, um monte de gente começa a viajar na maionese. Eu já ouvi gente dizendo que Exú-Mirim é trombadinha, moleque de rua, delinquente-infanto-juvenil. Não é nada disso! São espíritos que, assim como os Exús e as Pombajiras, trabalham numa energia mais densa, numa energia mais próxima à matéria. E olha, gente, da mesma maneira que Exú não é o diabo, nem Pombajira é mulher da vida, Exú-Mirim também não é nenhum moleque de rua. Isso aí é crendice de gente ignorante.

Laroyê Exú-Mirim que ajuda na proteção dos nossos terreiros! E só abrindo um parênteses aqui, gente, vocês sabiam que os Exús-Mirins foram praticamente expulsos de muitos terreiros, por causa da manifestação que eles tem? É verdade! Entre a década de 50 até a década de 70 era muito difícil ver um Exú-Mirim trabalhando em um terreiro de Umbanda. E assim, é compreensível isso, né, porque a sociedade daquela época era muito mais conservadora do que nós somos hoje.

Daí, vocês imaginam, né, a geração dos nossos pais e dos nossos avós, o que eles pensavam quando eles viam o espírito de uma criança fumando, bebendo e falando palavrão! Porque é assim que um Exú-Mirim se manifesta. A não ser que o médium controle a manifestação do Exú-Mirim. Porque às vezes, a direção do terreiro pede que os médiuns controlem a incorporação do Exú-Mirim, reprimindo a liberdade de manifestação dele, justamente para não assustar e para não causar ainda mais preconceito do que as pessoas já tem com essas Entidades.

É Mirim, é Exú travesso! Vocês perceberam a letra desse ponto “ele botou fogo no paiol numa brincadeira”. Muitos dirigentes e muitos terreiros têm medo de Exú-Mirim, porque esses espíritos não tem limites. E eles não estão nem aí para regras de etiqueta, para convenções sociais.

Eles se costumam se manifestar com uma certa rebeldia. Os Exús-Mirins não são dados a limites, eles não gostam de nenhum tipo de regra, de nenhum tipo de norma. E nesse aspecto, é muito importante realmente que o médium saiba conter a manifestação do Exú-Mirim, que o médium contenha essa rebeldia da entidade, para poder canalizar aquela energia de uma maneira proveitosa. Porque senão vira bagunça, né? Os Exús-Mirins não são espíritos comportadinhos, obedientes igual os Erês.

Só que assim: isso faz parte da energia deles. Essa rebeldia que o Exú mirim carrega talvez seja a maior mironga que ele pode te oferecer. É isso que a casa de Umbanda precisa entender. Lógico, um terreiro de Umbanda precisa ter regras, né, mas o terreiro precisa encontrar um ponto de equilíbrio para não segurar muito o modo de trabalhar do Exú-Mirim. Porque a força dele está nesse comportamento mal educado, é assim que ele ajuda as pessoas. Pode até parecer um paradoxo isso, né? Pode parecer meio contraditório… O Exú-Mirim vai te xingar, vai falar um monte grosseria, mas ele não vai arredar pé do teu lado enquanto ele não conseguir te ajudar de alguma forma.

O Exú-Mirim que eu recebo atende pelo nome de Fagulha. Gente do céu! Pensa num moleque desbocado, mal educado, até mesmo meio grosseiro nas atitudes. Ele está conversando com as pessoas, de repente ele solta um arroto no meio da conversa. Ele fala que é para descarregar. O Fagulha não consegue emendar três frase seguidas sem falar um palavrão. E sabe o que é engraçado, gente? O pessoal pega bem com ele. O Fagulha, sei lá… ele tem um carisma que eu não sei explicar. Ele é extremamente transparente nas opiniões dele, doa a quem doer. Ele não tem meias palavras para aconselhar, nem para xingar as pessoas. Mas o Fagulha é aquele parceraço, sabe! Ele é pau para toda obra, no melhor estilo de um Exú-Mirim. E quando eu vou lá na Calunga, eu sempre levo um agrado para ele.

E você sabe qual é a maior especialidade de um Exú-Mirim? É encontrar coisas que as pessoas esconderam de propósito. Exú-Mirim é muito bom nisso. E ele é bom de encontrar sabe o quê? Trabalho de magia-negra escondido!

Porque, cá entre nós, quando uma pessoa faz um trabalho de magia-negra, ela não vai ficar falando aos quatro ventos que fez um trabalho para prejudicar fulano ou ciclano. A pessoa faz isso na surdina, de maneira sorrateira, escondida. Um trabalho de magia negra, ninguém sabe quem fez, ninguém sabe onde fizeram ou como fizeram. Às vezes, até um Exú e uma Pombajira têm dificuldade de localizar um trabalho de magia-negra. Daí, o que eles fazem? Eles chamam o Exú mirim para procurar o que está escondido? E Exú-mirim faz isso com gosto!

A gente pode até fazer uma comparação, só para facilitar esse entendimento do trabalho do Exú-Mirim. Sabe quando cai alguma coisa debaixo da cama e nós, adultos, temos uma certa dificuldade e pegar aquele objeto que caiu? Daí, eu não sei se já aconteceu com vocês, mas eu lembro muito da minha mãe me pedindo isso: “filho, pega a aquela meia que caiu debaixo da cama” ou então “filho, pega a colher que eu estava usando para cozinhar que caiu atrás do fogão”.

E eu ia lá, com a maior facilidade, porque eu era pequeno e eu entrava em qualquer vãozinho. Eu conseguia entrar em lugares que os adultos não conseguem entrar, por causa do meu tamanho. O trabalho que o Exú-Mirim faz é mais ou menos esse. Só que assim, de um ponto de vista energético, né? Eles tem muita facilidade de entrar em qualquer buraco que vocês imaginam que exista no plano espiritual. Buracos esses que muitas vezes são usados para esconder maldades.

Por isso que o trabalho que o Exú-Mirim faz na Umbanda é tão grandioso. Sem a presença do Exú-Mirim, o povo da esquerda teria muito mais dificuldade de agir, de ajudar, porque o Exú-Mirim oferece ferramentas que facilitam o trabalho das outra Entidades. Olha só que bonitinho esse ponto de Exú-Mirim.

E assim, eu não sei se vocês já tiveram a oportunidade de conversar com um Exú-Mirim, mas se for um Exú-Mirim daqueles tranqueiras mesmo e se o médium der liberdade para ele se manifestar do jeito que ele gosta, vocês vão ver como é difícil de lidar com ele. Porque o Exú-Mirim conversa de um jeito atravessado, ele não gosta de socializar. Ele está conversando com você, de repente ele enche o saco, vira as costas e vai embora. Se ele gosta de você, ele te xinga, te azucrina a vida, mas permanece sempre te apoiando e te defendendo. Agora, se não gosta da pessoa, ele não faz a mínima questão de disfarçar isso. Ele não se esforça para agradar ninguém. E nesse ponto, ele é muito parecido com o Erê, né, porque o Erê tem muito esse lado espontâneo, verdadeiro. E o Exú-Mirim também tem esse lado, digamos assim, super-sincero de ser.

Quando você estiver conversando com um Exú-Mirim, trata ele com muito respeito, com muito carinho. E se você é médium e recebe um Exú-Mirim, mostra para ele que você se esforça para ter uma vida reta, uma vida condizente com os princípios morais que você defende. Porque se você não fizer isso, pode ter certeza que na primeira oportunidade, ele vai esfregar isso na tua cara da pior maneira possível. Os Exús-Mirins são muito bons em ensinar lições duras para as pessoas que eles gostam. Aliás, eles não tem o menor constrangimento em fazer isso.

Então é isso, pessoal, espero que vocês tenham gostado do episódio de hoje. Eu amo trabalhar com Exú-Mirim. Eu acho essas Entidades maravilhosas! Eles tem lá aquele jeito deles, né, que muita gente não concorda. Mas, enfim, como eu disse para vocês, eles não estão nem aí para as convenções sociais.

E eu queria terminar esse episódio aqui cantando um ponto para o Exú-Mirim que cuida de mim. Muito obrigado, Fagulha, pelo seu amparo, pelos seus xingamentos, pelos seus puxões de orelha, que sempre foram muito merecidos.

É lógico que o Fagulha não falaria “muito prazer” para ninguém, né, do jeito que eu conheço ele. Mas enfim, ofereço a ti esse ponto, meu irmãozinho espiritual! Laroyê Exú, laroyê Exú-Mirim.

E assim a gente termina mais esse episódio. Se vocês gostaram do episódio de hoje, continuem acompanhando o Alma de Poeta na sua plataforma de áudio preferida. Vc pode encontrar o nosso Podcast no Deezer, no Spotify, Amazon Music, Google Podcast, Apple Podcast, Anchor.Fm, Youtube. E também acessando o nosso site. Digita lá no seu navegador: almadepoeta.com.br Entrem lá, deixem uma mensagem para mim que eu vou adorar ler o feedback de vocês.

Um grande abraço a todos, fiquem com Deus e até o nosso próximo encontro!

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3 comentários
  • Eu trabalho com um Exu Mirim, ele é quieto, mas caminha pelo terreiro inteiro. Dificilmente ele fala, mas quando fala, fala bem duro. Eu particularmente tenho ainda muita dificuldade de entender o que ele tem a dizer para mim como médium. É dificil achar um entendimento de conteúdo que seja sério sobre ele. Para mim, estou ha 2 anos trabalhando com ele, ele é uma incognita.

  • Amei!!!
    Trabalho com um Mirim, como está entidade trabalha lindamente,dentro de suas travessuras e brincadeiras ,regadas a boas gargalhadas ,charutos e farofa com formigas kkkk. Em fim e a forma de trabalho deste grande pequeno que mora no meu coração. Axé

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