Patuá Parte 1 e a História de Cipriano

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Hoje a gente vai conversar um pouquinho mais sobre patuás. Qual a finalidade dos patuás? Para quê serve? Vamos aproveitar também para falar a história da conversão de São Cipriano ao Cristianismo. Espero que vocês gostem!

Transcrição do Episódio

Olá, povo da Umbanda, minha família espiritual! Vamos iniciando aqui mais uma semana de podcast! Como passa rápido, né gente? Nossa! O tempo parece que está acelerado! Parece que foi ontem que eu estava falando sobre a festa de Ibeji. Daí eu já falei poesias, já fiz homenagem para o dia de Xangô também. E hoje a gente vai conversar sobre pautás! Eu até já dei uma introduçãozinha para vocês no outro episódio, né? Quando a gente falou da diferença entre Amuleto, Talismã e Patuá. Bom, amuleto e talismã não tem muito segredo, né? São coisas bem conhecidas. O que as pessoas tem uma certa curiosidade é com relação ao patuá. E é sobre isso que a gente vai falar nesse episódio. Meu nome é Evandro Tanaka, eu sou médium umbandista e aqui a gente fala sobre Umbanda, Espiritualidade, Mediunidade e também a gente ouve as poesias do Pai Antônio.

Bom, eu já disse para vocês que o patuá nada mais é do que um saquinho de pano ou um saquinho de couro, geralmente costurado ou amarrado com barbante, onde a gente coloca alguns elementos que foram previamente imantados, para que esse conjunto de elementos possam atuar em nosso benefício. O patuá é feito sempre visando um certo objetivo.

Então, tem gente que faz patuá para obter prosperidade, tem gente que faz patuá para recuperar a saúde, tem gente que faz patuá para o amor, tem gente que faz patuá para receber proteção, tem gente que faz patuá até para atrair clientes para o seu negócio. Enfim, o patuá tem mil e uma utilidades. O que vai mudar são só os elementos que você vai colocar dentro daquele saquinho.

E eu quero que vocês entendam que o patuá, assim como qualquer outro elemento magístico, serve tanto para fazer o bem quanto para fazer o mal. Assim como as velas, assim com as oferendas, os ebós. Quando você vai fazer um ritual magístico, o fator primordial é a intenção e o sentimento que a pessoa está depositando naquele ato.

Porque o princípio é o mesmo, né gente? Para qualquer trabalho espiritual que você vai fazer, o que conta é o seu pensamento. É ele que vai direcionar as energias para a finalidade que você está almejando. Claro que na Umbanda, a gente faz sempre os trabalhos visando o bem, visando a caridade, visando ajudar o próximo.

Mas a partir do momento que você aprende a fazer um trabalho magístico para o bem, automaticamente, você também está adquirindo conhecimento para fazer o mal. E vice-versa, né? A escolha é sua! Você tem o livre arbítrio para usar o seu conhecimento do jeito que você bem entender. Só que você não vai ter esse livre arbítrio depois para colher o que você quiser. Porque lembra daquele ensinamento? A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória! Se você planta milho, você vai colher milho, se você planta feijão, você vai colher feijão. Se você planta o mal, você vai colher o mal. Essa é uma lei universal.

E eu estava falando que quando a gente adquire conhecimento, a gente pode usar esse conhecimento para os dois lados, né? Tanto para o bem quanto para o mal. Vocês sabiam que existem inúmeras Entidades que trabalham hoje, na Umbanda, mas que no passado foram verdadeiros magos negros? É verdade! Espíritos que, no decorrer dos milênios, adquiriram muito conhecimento. E eles usavam esse conhecimento todo para fazer mal, em benefício próprio. Só que chega uma hora que o espírito acorda, né? Ninguém vive na ignorância para sempre.

Existe uma outra lei universal que se chama evolução. E a gente também não consegue fugir dessa lei. A Lei da Evolução obriga a todos os seres vivos caminharem em direção a Deus. Deus´é o objetivo final, Deus é o norte. Deus atua como um polo magnético que vai atraindo todos os sere em sua direção. É lógico que cada um vai na sua velocidade, né? Tem gente que é atraído mais rápido, tem gente que demora muito. Vai depender da matéria astral e da matéria mental com a qual o espírito é constituído. Quanto mais impura for a matéria astral e mental, menor vai ser a atração que Deus exerce naquela pessoa (ou naquele espírito, né). Eu estou me referindo a tanto encarnado quanto desencarnado.

Deus é como se fosse um grande imã que vai atraindo tudo para perto de si. Vocês já brincaram com imã quando eram crianças? Nossa! Eu brincava muito com imã! A minha tia era costureira, né? Então, vira e mexe ficava caindo agulhas e alfinetes pelo chão. E ela tinha uns pedaços de imã, justamente para pegar esses alfinetes. E ela dava um pedaço de imã para mim e para o meu irmão ficar caçando alfinetes pelo chão. Eu acho que eu devia ter uns 7 ou 8 anos na época. E eu achava fantástica aquela atração que o imã exercia sobre os alfinetes. A minha tia morava em uma casa em que o assoalho era todo de tacos de madeira, sabe? Aquelas casas bem antigas. Então, sempre ficava um vãozinho entre um taco e outro e o bendito do alfinete sempre caía lá dentro. Daí não dava para tirar, né? Ou eu ficava tentando tirar com um outro alfinete, nem sempre conseguia. Ou eu pegava aquele imã e puxava o alfinete para cima.

Essa é a atração que Deus exerce sobre nós. Talvez nós sejamos como aqueles alfinetes caídos entre um vão e outro do assoalho. E ninguém vai conseguir tirar a gente de lá, a não ser Deus, através do poder de atração que ele exerce sobre tudo o que ele criou!

Mas por que que eu comecei a falar desse imã mesmo? Gente do céu! Como eu me perco no labirinto dos meus pensamentos! Ahh, não sei… eu estava falando para vocês que muitos espíritos que trabalham na Umbanda hoje foram magos negros no passado…. Ah! Lembrei! Eu estava falando para vocês que todo mundo evolui, né? Não importa se é o espírito mais perverso, ele sempre está evoluindo… Muitos magos negros, espíritos que viviam nas trevas do mundo espiritual, hoje trabalham na luz! E eles continuam usando todo aquele conhecimento que eles adquiriram fazendo ruindade, só que agora de uma maneira diferente. Hoje, eles usam esse conhecimento para ajudar as pessoas.

Porque existe uma grande diferença entre ter conhecimento e ter sabedoria. Os magos negros, por exemplo, eles tem conhecimento, mas não tem sabedoria. Os pretos-velhos, por sua vez, tem conhecimento e sabedoria! É por isso que o poder deles é muito superior ao poder dos espíritos que ainda não encontraram a luz. Porque os espíritos de luz já estão mais próximos de Deus. E isso traz força para eles. Lembra do imã que eu falei? Quanto mais próximo o espírito estiver da fonte imantadora, mais imantado ele vai ficar. E esses espíritos de luz, às vezes, ficam tão imantados com a irradiação de Deus, que eles mesmos adquirem o poder de atrair outros espíritos para perto de si. Então, assim, conhecimento é fácil adquirir. Você só precisa estudar! Agora, a sabedoria, você só adquire com o tempo.

Enquanto eu falava para vocês dessa diferença entre conhecimento e sabedoria, eu estava lembrando de um livro que eu li (de São Cipriano). Quem gosta desse negócio de ocultismo, de Bruxaria, provavelmente já deve ter ouvido falar desse livro. Esse é um livro muito interessante, apesar de que é um livro bem pesado! Não é todo mundo que consegue ler esse livro e ficar bem. Porque esse livro ensina a fazer magia, daquela pesada mesmo, sabe?

Mas tem uma outra parte do livro que é muito legal, que conta um pouco da história de São Cipriano. E o Cipriano era um bruxo, né? Ele era um feiticeiro. Ele era considerado o feiticeiro mais poderoso que existia naquela época. E ele se vangloriava disso. Ele se orgulhava do poder que ele tinha de manipular as pessoas. E através da magia, Cipriano conseguia tudo o que ele queria.

Daí, conta a lenda que existia uma jovem chamada Justina. E essa jovem era portadora de uma beleza deslumbrante! A bichinha era linda! Só que a Justina era muito fervorosa, né? Ela tinha uma fé muito forte. Ela frequentava assiduamente a igreja. Daí, numa dessas idas à igreja, um cara chamado Aglaidas se encantou por ela! Ele ficou apaixonado pela beleza daquela menina. E esse Aglaidas era um jovem que vinha de uma família muito rica. E ele foi lá, todo confiante da sua posição, do seu prestígio, e se declarou para a menina. Ele disse que queria se casar com ela.

Só que a Justina deu toco nele! Ela falou para o rapaz que o casamento não estava nos seus planos e que ela queria permanecer virgem. E o Aglaidas, mimadão, né, menino rico, sempre teve tudo o que queria, não se conformou com aquela recusa.

Daí chegaram para ele e falaram assim: “Oh Aglaidas, eu conheço uma pessoa que eu acho que pode resolver o seu problema. O nome dele é Cipriano. Ele é o maior bruxo que existe por essas terras”. E daí, ele foi procurar esse tal de Cipriano. Chegou lá e falou para o Bruxo assim: “oh, o negócio é o seguinte: eu estou gostando de uma menina. Só que ela não quer nada comigo. Eu te pago 2 talentos se você fizer ela gostar de mim. (E 2 talentos, naquela época, era uma grana preta. Era tipo assim, você ganhar na loteria).

E o Cipriano, que não era bobo nem nada falou: “Tá bom! Deixa comigo”. E daí, nos dias seguintes, Cipriano fez a evocação de um espírito trevoso para fazer o trabalho para ele. Naquela época, todo espírito, eles chamavam de demônio. Por isso que eles falam que Cipriano evocou o demônio. E esse espírito passou uma receita lá para o Cipriano fazer um trabalho. Era uma poção que o Cipriano tinha que derramar envolta da casa da moça.

Daí ele foi lá, fez o que aquele espírito tinha mandado, derramou toda a poção em volta da casa onde ela morava. E quando a Justina se levantou para rezar, ela sentiu o baque, sentiu o ataque das trevas em sua direção. Daí o que ela fez? Se ajoelhou, fez o sinal da cruz e orou fervorosamente para Deus, pedindo ajuda.

Assim que ela fez isso, aquele espírito foi repelido da casa dela. Daí o espírito voltou com o rabo no meio das pernas lá pro Cipriano e falou assim: “olha, deu ruim o negócio lá, viu!”. E o Cipriano não se conformou com aquilo! Ele escorraçou aquele espírito da casa dele: “Vai embora daqui, seu incompetente! Eu não vou estragar a minha fama de feiticeiro por sua causa”.

Logo em seguida, ele chamou outro espírito trevoso, mais poderoso do que o primeiro. Esse também foi lá, tentou e foi vencido pela menina. Voltou para o Cipriano e falou: “Não deu certo. Eu também não consegui.” Só que ele não quis falar para o Cipriano o que que ele fez. O que que aconteceu lá que deu errado.

E o Cipriano, a essa altura do campeonato, “P” da vida por não conseguir o seu intento, chamou o Maioral das Trevas, o chefão! E o chefão virou para ele e falou: “missão dada é missão cumprida! Você vai ter aquela menina na sua mão em seis dias”.

Só que daí o chefão pensou assim: “Bom, aqueles dois incompetentes não conseguiram dobrar a garota pela magia. Então, eu que sou mais esperto, vou dobrar ela pelo argumento. Eu vou argumentar em cima da própria fé que ela professa. E o espírito das trevas se materializou em um jovem formoso. Hoje, através dos estudos espiritualistas, a gente sabe que isso é possível! Em determinadas condições, o espírito desencarnado consegue se materializar e se fazer visível aos nossos olhos.

Daí o trevoso, disfarçado de um jovem bonito, se apresentou para ela e falou assim: “Eu vim em nome de Jesus Cristo. Ele que me enviou para trazer para você uma vida perfeita.” E ele continuou falando: “Você está aí com essa ideia de guardar a virgindade para quê? Tem que aproveitar a vida! Que recompensa você espera do lado de lá, simplesmente por se preservar do contato carnal?”

E a Justina, sentindo a vibração pesada daquele espírito que destoava da aparência bonita que tinha, respondeu assim: “O meu fardo é leve e a minha recompensa é enorme!” E o espírito maligno, ainda tentando disfarçar as suas intenções, começou a argumentar da Bílbia: “Olha, Justina, mas quando Adão e Eva saíram do paraíso, Deus abençoou eles dizendo “crescei e multiplicai-vos para encher a Terra. Se você ficar obstinada em querer preservar a virgindade, vai estar desprezando a palavra de Deus e vai ser tratada como rebelde no dia do juízo final”.

E a Justina ficou abalada com essas considerações. Por um momento ela fraquejou no seu propósito. Será que o que ele estava dizendo era verdade? Só que rapidamente ela retomou o bom senso, elevou o pensamento a Deus e começou a orar pedindo orientação. E quando ela fez o sinal da cruz, veio uma energia tão grande em cima daquele demônio, que ele saiu correndo!

Daí o chefão voltou lá para o Cipriano e falou assim: “olha, aquela lá não tem jeito não! Pede outra coisa! Lá em não volto mais.” E o Cipriano, incrédulo com o que estava acontecendo, perguntou: “Mas como assim? Você não é o ban-ban-ban? Porque que não conseguiu dobrar ela?” E o chefão não queria responder. Mas o Cipriano insistiu: “Eu quero saber o motivo por que vocês não conseguem vencer uma meninninha!”.

Daí o Cipriano insistiu tanto que o demônio falou assim: “Tá bom, eu te falo! Mas você vai ter que me jurar ser fiel a mim para sempre!”. E o Cipriano queria tanto saber que ele jurou. Daí o demônio abriu o jogo para ele. O chefão das trevas disse que o Poder daquele que foi crucificado era maior do que o dele. E que aquela menina estava protegida e ele nada poderia fazer.”

E aquela resposta enfureceu o Cipriano! Ele gritou para o espírito: “Sai daqui, demônio mentiroso! Você não tem poder nenhum! E como o espírito tinha confessado que a menina conseguiu repelir ele simplesmente elevando o pensamento e fazendo o sinal da cruz. Naquela hora, o Cipriano fez a mesma coisa. E o demônio, na mesma hora desapareceu.

E daquele dia em diante, o Cipriano ficou encafifado com aquilo, né? Como assim, existe alguém com mais conhecimento do que eu? Que magia é essa que eu não consigo vencer? E a curiosidade dele fez com que ele começasse a estudar o Cristianismo. Daí, ele começou a estudar a vida de Jesus, começou a estudar os ensinamentos que Jesus pregava. E ele acabou se identificando tanto com aquilo que ele se converteu. Quer dizer, eu não sei se é bem essa palavra porque ele não tinha religião nenhuma, né? Converter é quando você muda de uma religião para outra. Cipriano se tornou cristão a partir de então.

Eu contei toda ess história de São Cipriano para vocês, só para exemplificar que, naquela época, ele tinha muito conhecimento, mas ele não tinha sabedoria para usar esse conhecimento da maneira certa.

E quando a gente faz um patuá (que esse deveria ter sido o assunto de hoje, né), a gente tem que colocar naquele patuá, não só o conhecimento que a gente tem sobre magia, mas também a gente tem que usar esse patuá com sabedoria, para o nosso crescimento espiritual.

E como é que você faz um patuá? Você faz o patuá rezando! Você pega os elementos do Orixá ou da Entidade que vai colocar aquela energia que precisa no patuá, você vai consagrar aqueles elementos antes de colocar dentro do saquinho, vai fazer toda a ritualística de firmeza, de reza, colocando todo o seu sentimento, o pensamento naquilo que você tá fazendo. E daí você vai costurar aquele patuá. Se bem que tem gente que prefere só fazer uma troxinha de pano e amarrar com um barbante. Os dois jeitos estão certos, né? Vai da sua preferência.

E depois que você faz esse patuá, ele tem que andar com você o tempo todo! Tem gente que pendura o patuá no pescoço, tem gente que amarra na cintura, tem gente que prefere carregar na bolsa. O importante é você carregar aquele saquinho com você para onde você for, de preferencia colado no corpo, né? Em contato direto com a sua energia.

E tem uma coisa importante também! O patuá precisa ficar escondido, oculto dos olhares de outras pessoas. Você não pode mostrar o seu patuá para ninguém. O patuá vai trazer a força daqueles elementos consagrados para a sua vida. Ele vai vibrar constantemente no objetio para o qual ele foi consagrado. E o patuá é magia, né? É a magia que faz despertar naqueles elementos a força necessária que vai te amparar.

Bom, eu tenho mais coisa para falar sobre patuá, ainda, que eu vou deixar para o próximo episódio, tá? Para não fugir muito do nosso tempo aqui de vinte minutos.

Espero que vocês estejam gostando desse assunto. Eu resolvi contar a história de São Cipriano aqui, né… Apesar de não ter relação nenhuma com esse assunto que a gente está tratando hoje de patuá, mas a história não deixa de ter um ponto em comum com esse assunto que é a magia, né? Praticamente a vida toda de São Cipriano foi dedicada à prática da magia.

Agradeço a vocês pela companhia de hoje. E continuem acompanhando os nossos próximos episódios. Você pode encontrar o Alma de Poeta no Spotify, Amazon Music, Google Podcast, Deezer, Apple Podcast, AnchorFm, Youtube e também você pode ouvir todos os nossos episódios anteiores diretamente no site “almadepoeta.com.br“. Lá, inclusive, você pode mandar uma mensagem para mim, passando as suas impressões, tirando dúvidas, dando sugestões. Eu fico muito feliz de receber o feedback de vocês.

Um grande abraço, fiquem com Deus e até o nosso próximo encontro!

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