A Importância dos Rituais Religiosos

Ouvir episódio

Quando Jesus veio aqui na Terra, ele já conseguia usar a força da sua mente e do seu espírito para produzir os resultados que desejava. Mas nós ainda não temos essa capacidade, e precisamos usar os rituais religiosos para ir gradativamente condicionando a nossa mente.

Transcrição do Episódio

Oi pessoal! Bom dia, boa tarde, boa noite! Tudo bem com vocês? Sejam bem vindos a mais um episódio do podcast Alma de Poeta! Meu nome é Evandro Tanaka, eu sou médium umbandista e nesse podcast a gente fala sobre Umbanda, Espiritualidade, Mediunidade e também sobre as poesias do Pai Antônio.

A Umbanda, assim como o kardecismo, são duas torres em eterna construção. Quanto mais o tempo passa, mais alta essas torres vão ficando. E quanto mais alta elas ficam, mais abrangente se torna a visão dos operários que nelas trabalham. A construção dessas duas torres vai alargando os horizontes das pessoas que se dedicam a essa tarefa abençoada de levar o amor, a caridade, a benevolência. O trabalho abnegado e árduo desses operários do bem, vai expandindo a nossa compreensão acerca dos fenômenos da vida. Vai construindo, dentro de cada um de nós, os alicerces que vão sustentar o nosso futuro. Quanto mais nós nos dedicamos à construção dessa obra, mais nós vamos desenvolvendo a tolerância, a paciência, o discernimento necessário para aprimorar o nosso espírito.

Hoje eu posso dizer para vocês que, graças à Umbanda e aos ensinamentos que os meus guias trazem, eu já não tenho mais aqueles rompantes de irritação com as pessoas, como eu tinha antes. Hoje eu me esforço para tentar compreender as minhas limitações e as limitações dos outros. Eu já não entro mais em discussões sem sentido que servem apenas para alimentar o meu ego de tentar impor o meu ponto de vista. Nós estamos aqui na Terra, não é para impor a nossa vontade, mas sim para colaborar com o crescimento do próximo. Porque quando as pessoas que estão ao nosso lado crescem, nós crescemos junto com elas. Não é à toa que Deus nos fez para vivermos em sociedade. Nós precisamos uns dos outros para existir.

Muitas pessoas se orgulham em falar que são autossuficientes, que são independentes, que não precisam dar satisfação para ninguém. Eu, nessa minha caminhada, aprendi que ninguém é autossuficiente. Todos nós vamos precisar da ajuda de alguém em algum momento da vida. Vocês já repararam que para nascer, a gente precisa da ajuda de outras pessoas? Para crescer, a gente precisa da ajuda de outras pessoas, para aprender, para ganhar a vida… Quando nós envelhecermos, nós vamos precisar da ajuda de outras pessoas. Até depois que morremos, nós precisamos da ajuda dos outros que vão enterrar o nosso corpo físico. O que eu quero dizer para vocês é que a autossuficiência não existe.

As pessoas dizem que são independentes, que fazem o que querem. A Umbanda me ensinou que todos nós dependemos um do outro. Eu dependo das pessoas para ganhar dinheiro, eu dependo das pessoas para ter roupas, eu dependo das pessoas para ter uma casa. Vocês já pararam para pensar que até para ter um filho, eu dependo de uma outra pessoa? Ninguém consegue reproduzir sozinho.

Ah, Evandro! E se eu quiser fazer uma produção independente? Ter um filho por conta própria? Mesmo assim você vai depender de outras pessoas. Você vai depender de alguém que te doe o material genético reprodutivo, você vai depender dos médicos que vão te auxiliar nesse processo, você vai depender de outras pessoas que vão te fornecer recursos tecnológicos e conhecimentos para você conseguir realizar o seu desejo.

E não pensem que a nossa dependência se resume apenas ao plano material, às pessoas que estão encarnadas. Nós dependemos também, muitas vezes, do auxílio espiritual. Porque, sem o concurso de espíritos abnegados a nos proteger, a nos orientar, nós estaríamos numa condição muito pior do que nós estamos hoje.

Então, você que bate no peito dizendo que é independente, que é autossuficiente, para um pouquinho e pensa em todos esses nossos irmãos desencarnados que se dedicam a nos auxiliar diariamente. A maioria das pessoas não consegue perceber o auxílio que a gente recebe do plano espiritual, porque elas estão tão compenetradas nas coisas da vida, que não se dão conta de que estão sendo ajudadas do lado de lá.

As pessoas pensam que, porque são muito inteligentes, são capazes de resolver os próprios problemas, e elas não percebem a atuação dessa espiritualidade amiga que os acompanha e que se desdobram para que nós tenhamos um pouco de bem-estar aqui na Terra. Porque esses seres invisíveis e caridosos que nos ajudam, eles nos ajudam por amor. Eles conhecem as agruras que nós estamos vivendo aqui na Terra, porque eles já passaram por isso. E eles sabem da importância de nós nos ajudarmos mutuamente, porque isso abrevia em muito o sofrimento do nosso espírito. ´É por isso que eles nos ajudam, para que nós alcancemos também a prosperidade evolutiva que eles já usufruem.

Por isso eu digo para vocês, meus irmãos e minhas irmãs… hoje eu sei que vocês são importantes na minha vida. Hoje eu sei que preciso da presença de vocês na minha vida, porque sem vocês, eu não conseguiria evoluir. É por isso que, de vez em quando eu tenho esses rompantes de gratidão. Eu sou grato por vocês existirem e eu sou grato por nós todos estarmos inseridos dentro dessa mesma realidade social. Direta ou indiretamente, vocês fazem parte da minha vida, assim como eu também faço parte da vida de vocês. E eu espero que nós possamos nos unir cada vez mais, em uma comunhão de pensamentos, em uma comunhão de sentimentos, para que possamos progredir juntos, para que nós possamos crescer mais rápido.

E essa maneira de pensar que eu tenho hoje, foi a Umbanda que inseriu na minha vida.

Afinal de contas, a Umbanda, assim como o kardecismo, foram trazidas até nós, pelo plano espiritual, para revigorar a nossa fé, para renovar os nossos anseios. É através da Umbanda e do Kardecismo que ocorrem as demonstrações mais lindas e mais cristalinas sobre a imortalidade da alma, sobre a existência de Deus. A Umbanda e o Kardecismo são caminhos paralelos que seguem na mesma direção. E eu diria que são caminhos que, vez ou outra se entrecruzam. E quando ocorre essa comunhão de esforços para trazer as mensagens da espiritualidade de luz, eu percebo o quanto nós precisamos ser tolerantes com relação às outras crenças.

Não interessa qual religião você segue, qual religião você pratica, com qual religião você se identifica mais, porque todas elas vão nos conectar a Deus. A pessoa que abraça uma crença com sinceridade e cumpre os dogmas e os preceitos daquela religião de consciência reta, vai estar sempre sob a assistência de Deus, vai estar sempre sob a assistência dos bons espíritos.

Às vezes, um costume que determinada religião tem pode parecer um absurdo para seguidores de outra religião. Quer um exemplo do que eu estou falando? A confissão na Igreja Católica. Muitas pessoas, de outras crenças, não compreendem o ato devocional que é entrar dentro de um confessionário e confessar os seus pecados para um padre. Tem gente que acha isso um absurdo, afinal de contas, o padre é um homem como outro qualquer. Só que para as pessoas que praticam o Catolicismo, o ato de se confessar é uma das atitudes mais nobres para purificar o espírito. Para essas pessoas, aquele homem que está vestindo uma batina é um ministro de Deus, ele representa a santidade.

Na Umbanda, por exemplo, o costume que nós temos de trocar bençãos entre os irmãos de fé (ou de pedir bençãos ao pai de santo, à mãe de santo), muitas vezes também é incompreendido ou ridicularizado pelas outras pessoas. Assim como as pessoas não entendem a necessidade de se ajoelhar para uma entidade incorporada. Elas pensam assim: desde quando um espírito de luz precisa dessas reverências mundadas? Bom, na Umbanda, atitude de se ajoelhar perante uma entidade de luz, não é para cultivar o ego daquela entidade ou do médium que a recebe, mas sim para demonstrarmos o nosso respeito, o nosso carinho e a nossa gratidão por eles estarem ali, usando um tempo precisoso para nos transmitir mensagens consoladoras. E a atitude de trocar bençãos é para nos lembrar que nós somos uma grande família, independente de pertencermos ou não ao mesmo terreiro.

O envolvimento das pessoas com os dogmas da sua religião demonstram o grau de humildade que aquele devoto carrega, ou pelo menos precisaria carregar para iniciar a sua ascensão espiritual. Praticar os ritos da religião revela humildade. Os muçulmanos, ajoelhados no seu tapete dentro da mesquita, enconstando a cabeça no chão enquanto fazem suas orações, os umbandistas deitando de bruços diante do congá para bater cabeça, os católicos se ajoelhando diante da imagem de Jesus e fazendo o sinal da cruz, os budistas, unindo as palmas das mãos junto ao peito e curvando a cabeça em reverência aos antepassados, o povo xamânico em atitude respeitosa em volta da fogueira para cultuar a natureza e os ancestrais.

Percebam que todas as religiões tem o seu ritual característico. E não é porque os rituais são diferentes, que Deus vai abençoar um em detrimento do outro, que Deus vai desprezar os rituais que são diferentes daquele ritual que você pratica. Mais vale ter um ritual, seja ele qual for, do que não ter ritual nenhum.

Logo quando eu comecei a frequentar as giras de Umbanda e depois comecei a desenvolver a mediunidade, eu era muito crítico com relação a rituais, não só da Umbanda como de qualquer outra religião. Eu achava algo desnecessário. E eu lembro que teve uma vez que o Pai Antônio veio até mim e disse assim: “Filho, respeita e pratica os rituais da fé que você escolheu seguir, porque os rituais são mais importantes do que você pensa. São os rituais que vão condicionar a sua mente para que você intensifique a sua conexão com o plano maior. Os rituais são necessários para condicionar a sua mente”.

E naquele dia, eu não concordei e questionei ele sobre isso. Eu respondi assim: “Mas, Pai Antônio, Jesus, quando esteve aqui na Terra, não praticava ritual nenhum para se conectar com o plano espiritual, para falar com Deus.” Daí eu continuei questionando: “Se Jesus é o exemplo que nós precisamos seguir em nossas vidas não praticava ritual, por que eu deveria fazer algo que ele não fazia?”

E o Pai Antônio passou a sua mão espiritual em minha cabeça, como um pai amoroso faz com o seu filho e respondeu para mim: “Meu filho, não queira se comparar ao Divino Mestre, porque muito longe nós estamos ainda da capacidade mental que ele tem. Jesus, espírito ascensionado, possui uma capacidade muito maior do que a nossa de se conectar diretamente com a esfera crística. E ele já não possui mais a necessidade de condicionar a sua mente, porque ele está em constante comunicação com Deus.”

E o Pai Antônio, cheio de carinho, continuou falado para mim: “Você lembra quando você era criança pequena, que estava aprendendo a fazer as primeiras contas para somar os números, como você precisava do auxílio das suas mãos para contar os números nos dedos quando queria somar quatro mais três? Você usava as suas mãos como um ritual para condicionar a sua mente. Mas hoje você já consegue fazer essa conta de cabeça, sem o concurso das mãos, porque a sua mente já ficou condicionada a trazer o resultado automaticamente. Hoje você já não precisa mais do ritual das mãos para fazer contas simples”.

Daí o Pai Antônio continuou falando: “A mesma coisa acontece com a nossa fé, com a capacidade que nós vamos desenvolvendo, no decorrer dos séculos, de adquirir habilidades que hoje nós ainda não possuímos. Quando Jesus veio aqui na Terra, ele já conseguia usar a força da sua mente e do seu espírito para produzir os resultados que desejava. Mas nós ainda não temos essa capacidade, e precisamos usar os rituais religiosos para ir gradativamente condicionando a nossa mente e, quem sabe no futuro, também conseguirmos, com a graça do nosso Pai Olorum, produzir as mesmas maravilhas que o nosso mestre Jesus produzia”.

E eu lembro quando o Pai Antônio terminou de falar isso, os meus olhos estavam marejados. Era um misto de sentimentos dentro de mim. Eu estava emocionado, porque ele havia usado um momento da minha infância para me exemplificar, para me transmitir aquele ensinamento. E ao mesmo tempo, eu estava envergonhado pela minha prepotência em querer me colocar no mesmo patamar de Cristo.

A partir de então, eu dobrei o meu orgulho e comecei a praticar os rituais da Umbanda, sem mais fazer julgamentos. Quando eu praticava um ritual, a única coisa que eu questionava era o fundamento daquele ritual, o motivo pelo qual aquele ritual era feito. E quase todos os meus questionamentos eram respondidos pela espiritualidade, de acordo com o meu grau de compreensão, de acordo com aquilo que eu conseguia assimilar.

Então, meus irmãos, não importa qual seja a sua religião, não importa qual seja a sua crença, pratiquem os rituais da sua fé de coração aberto, certos de que aquilo que vocês estão fazendo está servindo, de alguma maneira para o seu fortalecimento espiritual.

Não existe um ritual melhor do que o outro. Eles servem apenas como ferramentas que auxiliam no condicionamento da nossa mente. Deus não toma partido dessa ou daquela religião, porque o nosso Pai Celestial atende o chamado dos seus filhos, onde quer que eles estejam, desde que nós o chamemos com amor e fé, desde que a nossa prece parta de um coração sincero. Não interessa se você é muçulmano, cristão, budista. Não interessa se você faz a sua prece na glória suntuosa de um altar coberto de ouro ou se você faça a sua prece caído no silêncio da mata fechada, ou no interior do sertão, dentro de uma casinha de barro. São os homens que escolhem, através da sua cultura, através das suas tendências, a maneira mais propícia de cultuar a sua fé e de servir à Divindade. E Deus, através dos seus assessores diretos, ouve a súplica de todos nós.

Bom, hoje eu misturei um monte de assunto, né? Fui falando o que vinha na minha cabeça. Espero que vocês não tenham se perdido nesse labirinto de pensamentos que eu vou construindo enquanto gravo o episódio.

Ah, eu estava me esquecendo… antes de terminar esse episódio, eu queria fazer um apelo para vocês. Eu não sei se eu já comentei com vocês aqui no podcast (eu acho que não). Tem uma cidade aqui no interior de São Paulo que se chama Jambeiro. É uma cidade pequenininha, pacata, boa de morar. E de quinze em quinze dias eu vou para Jambeiro para fazer uma gira de Umbanda.

E lá em Jambeiro tem um rapaz, de coração muito bom, o Valdo. Ele não pode ver animal sofrendo na rua, ou animal abandonado, ou sendo maltratado, que ele pega para cuidar. E a casa dele virou um verdadeiro orfanato de cães e gatos. Só que ele me confidenciou que está tendo bastante dificuldade de comprar ração para matar a fome daqueles bichinhos.

Para vocês terem uma ideia, atualmente ele está cuidando de 18 gatos e 06 cachorros. E ele me falou que ele tem um gasto fixo de mais ou menos 1.300 reais por mês, só com ração. Daí eu me propus a tentar ajudar ele de alguma maneira, né? Comprando também um pouco de ração, só que é muito bicho, é muita ração! A gente não dá conta!

Daí eu queria pedir para vocês, quem puder ajudar, se vocês gostam de animais, assim como a gente (porque eu sou apaixonado por animais), entra em contato comigo pelo site Alma de Poeta que daí a gente vê uma maneira de poder ajudar esses bichinhos. Esse é o apelo que eu faço para vocês… matar a fome dos peludinhos lá de Jambeiro. E se vocês moram por aquela região e tem interesse em adotar um gatinho ou um cachorrinho abandonado, é só fazer uma visita lá que vocês podem até escolher. Tá bom, gente? Eu peço ao nosso pai Oxóssi que a gente arrume um jeito de cuidar desses animais e não deixar eles passarem fome.

Bom, vamos encerrando o episódio por aqui, então! Obrigado pela companhia, pela paciência. Obrigado por prestigiarem o podcast. E se vocês ainda não ouviram, ouçam os outros episódios. Vocês podem encontrar o Alma de Poeta no Deezer, no Spotify, no Amazon Music, no Youtube, no Google Podcast, no Apple Podcast, enfim… em qualquer plataforma de áudio que vocês preferirem. E também acessando o nosso site: almadepoeta.com.br. Entrem lá, deixem uma mensagem para mim, mandem um “oi, como vai”. Eu vou ficar muito feliz!

Um grande abraço a todos e até o nosso próximo encontro!

Deixe seu comentário

Mais deste assunto

Episódio 65
Nenhum número escolhido ainda