A Benção do Esquecimento

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Se a reencarnação existe, por que a gente não se lembra das vidas anteriores? Qual é o propósito de Deus ao esconder o passado de nós? Ouça também nesse podcast a “alegria de subir a montanha”!

Transcrição do Episódio

Oi, oi pessoal! Bom dia, boa tarde, boa noite. Eu não sei que horas que vocês vão ouvir esse podcast, mas eu deixo aqui a minha saudação pra todos vocês que estão acompanhando os episódios. Meu nome é Evandro Tanaka, eu sou médium Umbandista, e eu vou iniciar esse podcast tirando uma dúvida que eu recebi no site da Noemi, me desculpa se eu estiver pronunciando errado o seu nome… a Noemi fez uma pergunta na página dizendo o seguinte:

Oi Evandro, tudo bem! Meu nome é Noemi e eu tô acompanhando o seu programa. Gostei muito quando você falou sobre evolução e o por que da gente ter que nascer aqui na Terra. A minha pergunta é a seguinte: isso que você falou é uma visão da Umbanda? Porque nos lugares em que eu já frequentei eu nunca ouvi falar sobre isso… Eu fiquei meio assim, de aceitar esse ponto de vista. Como é que a gente pode evoluir, se a cada vida a gente esquece tudo o que aconteceu na vida anterior? Se nós não temos lembrança do que fizemos de certo ou de errado, como que a gente pode se consertar? Essa é a pergunta da Noemi.

Noemi, antes de mais nada, obrigado por você ter enviado essa pergunta. Eu tenho certeza que essa é uma dúvida não só sua, mas de muita gente. Bom, vamos lá… vamos por partes. Primeiro você perguntou pra mim se isso é uma visão da Umbanda. Eu digo pra você que essa não é uma visão da Umbanda, especificamente, essa é uma visão que nos é passada pela Espiritualidade.

Talvez os terreiros ou os centros espíritas que você tenha ido, não tenham abordado esse tipo de assunto, de conversa, mais pela correria de atendimentos nas giras. A gente sabe que nas giras de Umbanda, dependendo da casa, elas atendem muita gente. São 100, 200, 300 pessoas que passam por atendimento, por consulta com as Entidades. Daí fica meio inviável de conversar sobre esses assuntos quando a casa está em trabalhos de atendimento.

Agora, eu penso que nos Centros Kardecistas, talvez haja uma possibilidade maior de você ouvir alguma coisa sobre esse assunto. Porque os Kardecistas, eles tem um hábito muito salutar, de fazer palestras, preleções antes de iniciar o atendimento. E nessas exposições que eles fazem, eles abordam muitos conceitos passados pelos espíritos, pelos livros de Alan Kardec. E eles dão um enfoque muito grande nos ensinamentos de Cristo.

Agora, vamos lá… uma outra situação… se você vai num terreiro ou em um centro espírita ou em um barracão de candomblé ou em um culto evangélico e eles não pregam isso, se eles defendem uma ideia diferente, em um primeiro momento, eu digo pra você o seguinte: ouve com bastante atenção o que eles estão falando, recebe de mente aberta as explicações. E depois, passa pelo crivo da sua razão, se o que eles defendem, fizer sentido pra você.

Se você aceitar o que eles falam de uma maneira natural, legal, maravilha, então você se encontrou numa casa, você encontrou o seu lugar para desenvolver a espiritualidade. Então, fica lá, recebe essas informações, assimila, coloca em prática. Tem um dirigente espiritual que se chama Adérito Simões, talvez vocês já tenham ouvido falar dele, ele tem um canal no Youtube que fala muita coisa legal sobre Umbanda. Vale a pena dar uma olhadinha. Ele fala o seguinte: “olha, se o teu Pai de Santo, a tua Mãe de Santo fala uma coisa diferente, então ele tá certo, eu tô errado. Escuta o teu pai de santo, escuta a tua mãe de santo e ponto.” E eu acho que é bem isso mesmo, se vocês estão numa casa, se vocês estão frequentando uma casa, pressupõe-se que vocês estão de acordo com os princípios que aquela casa defende.

Bom, vamos lá, voltando pra segunda parte da sua pergunta, Noemi. Você pergunta o seguinte: Como é que a gente pode evoluir, se a cada vida a gente acaba esquecendo tudo o que aconteceu na vida anterior?

Pois é… Vamos pensar aqui juntos. Será que não seria mais fácil se a gente se lembrasse de tudo o que vivenciamos nas outras vidas? Será que dessa maneira nós conseguiríamos evoluir mais rápido. Imagina o seguinte: imagina que eu tenha sido uma pessoa muito ruim na outra vida. Que eu tenha cometido atrocidades. (E isso não é difícil de acontecer, não, viu gente. Não é porque nessa vida eu sou controlado, que nós fomos assim nas vidas anteriores). A tendência é que a nossa personalidade vá melhorando a cada encarnação. Então ontem, nós fomos piores do que somos hoje, com certeza. Da mesma maneira que hoje nós somos piores do que seremos amanhã. Vocês percebem? É uma escada evolutiva.

Então, se eu fui uma pessoa má na outra vida ou se eu fiz alguma coisa da qual eu já me arrependi, vocês acham que eu conseguiria viver em paz nessa vida, lembrando incessantemente das barbaridades que eu cometi nas outras vidas? A gente ainda não tem capacidade emocional pra lidar com isso. Imagina o seguinte: imagina que eu tenha matado você em uma outra vida e que eu precise reencontrar com você nessa vida pra reparar o mal que eu fiz. Você acha que eu teria condições de olhar pra você e lembrar que eu fui o responsável pela tua desgraça? Ou então, olhando pelo outro lado: Se você encontrasse com uma pessoa nessa vida e você soubesse que aquela pessoa te causou um grande mal no passado, você conseguiria se relacionar com ela de uma maneira natural? Eu duvido! Porque ainda somos seres humanos, nós temos sentimentos descompassados.

Então, Noemi, o que a Espiritualidade nos fala é que esse esquecimento, na verdade, é uma misericórdia de Deus, para que nós tenhamos condições de tirar o maior proveito possível dessa experiência reencarnatória. Imagina, por exemplo, que você seja uma pessoa vaidosa, e que você tenha vindo nessa vida justamente pra trabalhar esse seu defeito, pra lutar contra a sua vaidade. Agora imagina se você descobrisse, ou continuasse se lembrando de que você foi uma rainha na outra vida… Você acha que essa lembrança contribuiria ou atrapalharia na sua evolução? Será que o fato de você ter sido uma pessoa importante na outra vida não alimentaria ainda mais a vaidade que você já carrega dentro si?

Eu digo uma coisa pra vocês: as Leis Divinas são perfeitas. E a lei do esquecimento reencarnatório é uma delas. Lembrando, gente, que esse esquecimento é temporário. Quando nós desencarnarmos, dependendo do nosso grau evolutivo, teremos condições de relembrar nossas vidas anteriores. E porque que eu falo “dependendo do grau evolutivo”? Porque em algumas situações, mesmo a gente estando no plano espiritual, a lembrança de determinados momentos pode deixar o nosso espírito ainda mais perturbado. Lembra que eu falei? Nós precisamos ter a capacidade emocional de suportar a ideia do que nós já fomos um dia.

Por outro lado, muitas vezes a Espiritualidade nos concede, mesmo estando nós aqui encarnados, a possibilidade de lembrarmos de outras vidas, desde que aquela informação seja, de alguma maneira, salutar, proveitosa pro nosso crescimento espiritual. Não é para satisfazer a nossa curiosidade.

E olha, gente, sabe o que o Pai Antônio costuma me falar: ele diz o seguinte: você quer saber quem você foi numa outra vida? Basta você olhar para dentro de si mesmo, basta você olhar para as suas tendências. Você pode ter uma tendência egoísta, de pensar só em você, ou de pensar em você primeiro e depois nos outros. Isso já traz algumas pistas de quem você foi no passado. Você pode, por exemplo, ter uma tendência de vitimização, de se achar sempre a coitada. Isso também pode trazer indícios do que você foi numa outra vida. Vocês percebem?

Olhar pra dentro de nós mesmos. Não precisa fazer terapia de regressão, hipnose, nada disso. Basta olhar para quem vocês realmente são, quando estão sozinhos com vocês mesmos. O que passa pela sua cabeça, pelas suas emoções, quais são as suas tendências? Isso diz muito sobre quem você é, sobre quem nós somos!

Aproveitando que a gente tá falando sobre esse assunto que tá mais ou menos relacionado com evolução, que tal a gente ouvir mais uma poesia do Pai Antônio? Eu vou colocar pra vocês uma poesia que se chama “A Montanha”:

Quando estiverem cansados da vida
e sobrecarregados de problemas,
saibam que a íngreme subida
proporciona alegrias supremas!

O desafio de subir a montanha,
apesar da dor e da fadiga,
oferece uma alegria tamanha
que deixa a alma engrandecida.

Quando estiverem cansados da vida,
querendo dar um fim a tudo,
saibam que a lição dolorida,
traz um importante conteúdo.

Tu precisas continuar a escalada,
para vencer a própria montanha.
Pois verás, no final da caminhada,
como foi grande a tua façanha!

A montanha é um guia para o Céu,
onde a visão fica mais ampliada.
Mas para conquistares o troféu,
terás que vencer a escalada.

Subam, meus filhos, subam!
O mais alto que puderem chegar,
pois as forças que os derrubam
são as mesmas que fazem voar!

Preto-velho já subiu a montanha
e hoje olha os filhos com carinho.
Conhece a dor que os acompanha,
mas incentiva a seguir o caminho.

Não desistam de subir a montanha,
pois lá no topo está a felicidade.
É no cansaço que o espírito ganha
a força para entender a verdade.

E quando estiverem lá em cima,
poderão enxergar o mundo inteiro.
E perceberão, então, a obra-prima
que faz a alegria do montanheiro.

Que poesia linda! Nessa poesia, o Pai Antônio compara a nossa evolução, a nossa vida, como se fosse a escalada de uma montanha. Eu acho que a pessoas que praticam alpinismo, elas devem entender perfeitamente esse conceito que o Pai Antônio quis passar. Quanto mais íngreme é a montanha, quanto mais alta, maior é o desafio e também maior se torna a realização do alpinista. O Pai Antônio chama de montanheiro, mas eu acho que ele quis dizer alpinista.

E olha gente, a poesia fala que conforme você vai subindo, a sua visão vai se tornando cada vez mais abrangente, você consegue ver cada vez mais longe. Assim também acontece conforme o espírito evolui. Ele consegue enxergar cada vez mais. A consciência se expande, o acesso aos registros akashicos acontecem de uma maneira mais fácil.

Por exemplo, um espírito evoluído, ele consegue se lembrar, ele consegue ter acesso a uma quantidade muito maior de vidas, de experiências que ele teve, do que um espírito que ainda está no início da sua escalada evolutiva.

E essa poesia linda, ela fala que o esforço, a fadiga, o cansaço, ajuda a nos deixar cada vez mais fortes pra encarar desafios cada vez maiores. São os desafios da subida que fazem a alegria do alpinista, do montanheiro, como diz o Pai Antônio.

Que tal a gente começar a escalar juntos essa montanha? A gente amarra uma cordinha, um no outro, daí, se alguém for cair, o outro puxa pra cima. A gente se ajuda. E quando a gente chegar lá no topo, a gente vai conseguir ter uma visão ampla de tudo o que está à nossa volta, a gente vai conseguir enxergar melhor a obra do Criador. E a gente vai ver que lá longe, tem uma outra montanha, mais desafiadora, mais alta, mas com paisagens ainda mais deslumbrantes, com belezas indescritíveis! A gente não pode desistir nunca de continuar subindo a montanha da nossa vida.

Bom pessoal, esse foi o nosso episódio de hoje. Agradeço a Noemi pelo questionamento. Foi uma dúvida muito bem colocada! E se vocês tiverem outras dúvidas, sugestões, elogios, comentários, acessem o nosso site “almadepoeta.com.br“. Lá tem um formulário de contato que vocês podem mandar pra gente, ok? E não se esqueçam que o nosso podcast também está disponível em outras plataformas de áudio! Vocês podem ouvir no Spotify, no Google Podcast, no Deezer, no Anchor.fm, no Youtube e também pelo nosso site “almadepoeta.com.br“.

É isso aí, gente, fiquem com Deus, que o nosso Pai Oxalá abençoe a todos e até o nosso próximo episódio!

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