Este é o primeiro episódio do programa. Para inaugurar, falaremos justamente sobre ele: o famigerado trabalho. Quem aqui trabalha por amor? Quem trabalha sem esperar qualquer tipo de recompensa?

Transcrição do Episódio – Vamos Trabalhar

Olá, meus irmãos! Sejam muito bem vindos ao primeiro episódio do nosso Podcast Alma de Poeta. O meu nome é Evandro Tanaka, eu sou médium umbandista. E a ideia aqui é a gente conversar um pouco, bater um papo sobre espiritualidade, sobre Umbanda, Kardecismo, manifestações mediúnicas. Mas principalmente, falar sobre assuntos que contribuem para o nosso crescimento espiritual, para o nosso despertar da consciência.

Daí vocês devem estar se perguntando o seguinte (principalmente quem caiu de paraquedas aqui nesse podcast): o que tem a ver esse título do Podcast, Alma de Poeta, com esse conteúdo espiritualista que você vai falar?

Bem, para eu explicar isso, eu preciso contar para vocês um pouquinho da minha história. Eu nasci e cresci em berço kardecista. Meu pai frequentava centro espírita, a minha mãe, apesar de não acompanhar, gostava da literatura espírita, vivia lendo os romances mediúnicos. Mas a Umbanda mesmo, eu só fui conhecer por volta dos meus 26 ou 27 anos. E isso já faz tempo, viu gente.

E foi assim… um amor quase que imediato. No começo eu ficava lá, meio de canto, esperando minha vez de ser atendido para conversar com as Entidades, para receber um passe. Eu adorava aquela conversinha de pé-de-ouvido com os pretos-velhos. E em cada atendimento que eu passava, eu me encantava cada vez mais com as coisas que eles me falavam, com os ensinamentos que eu ouvia e, principalmente, o amor, o acolhimento que eu sentida quando estava lá dentro.

Eu lembro de uma vez, que eu sentei para conversar com um preto-velho. Ele estava fumando um cachimbo. Dai, ele parou de fumar, olhou para mim e falou: “Fio, vosssuncê vem de família do kardec, né memo?” E eu arregalei o olho! Cara, como ele sabia disso? E daí, eu respondi que sim, que eu tinha algumas dúvidas. Daí ele falou assim: “Pode perguntá, fio. Nego velho tá aqui pra responder.

E eu lembro a primeira pergunta que eu fiz para ele: “o senhor pode me explicar qual é a diferença dos espíritos que se manifestam aqui no terreio de Umbanda para os espíritos que se manifestam no centro kardecista?

Daí, o preto velho deu uma risadinha, deu mais uma baforada no cachimbo e falou: “Óia, fio. Se tem alguma diferença, nego velho num sabe, mas o que nego pode dizer é que os espírito que trabalha lá com os kardec são muito mais alumiado do que esse preto que vos fala. Mas um dia nego também vai chegar lá.”

E essa simplicidade, essa humildade, com o tempo foi me cativando, foi me conquistando. Eu fui me apaixonando pela Umbanda.

E depois de um tempo indo lá no terreiro para tomar passe, conversar com as entidades, eu comecei a sentir falta de algo mais. Aquilo já não estava me satisfazendo. E eu me matriculei no curso de desenvolvimento mediúnico que a casa oferecia. Então eu comecei a fazer o curso, seguir os preceitos, tomar meus banhos de ervas, acender minhas velas, fazer minhas orações. Comecei a estudar a Umbanda com mais seriedade. E com o tempo, uma certa mediunidade começou a aflorar em mim. No começo eram simples arrepios que eu tinha pelo corpo, sabe. Depois esses arrepios começaram a ficar mais intensos. E os arrepios se transformaram em tremeliques. Eu lembro que os colegas lá no terreiro falavam que eu ficava estrebuchando. Algumas vezes, essas tremedeiras eram tão fortes que eu não conseguia mais controlar o meu corpo.

Teve uma vez, numa gira de desenvolvimento, que o tremelique foi tão forte, como eu nunca tinha sentido até então. Eu nunca tinha sentido daquela maneira. E assim, por alguns segundos ou por alguns minutos, eu não sei direito porque o tempo parou de fazer sentido para mim, a minha mente apagou. Quando eu recobrei a minha consciência, eu estava lá na frente do altar, com alguns cambones ao meu lado.

É lógico que tudo isso aconteceu, não foi da noite pro dia. Eu, assim como muitos outros médiuns que trabalham na Umbanda, demorei anos e anos para desenvolver essa mediunidade. Aliás, como ainda continuo a desenvolver diariamente. Porque não existe médium desenvolvido. Nós estamos em um processo contínuo de desenvolvimento mediúnico.

Quando finalmente eu comecei a receber as primeiras comunicações do plano espiritual, adivinha só? A entidade que se manifestava (até então eu não sabia quem era) falava através de poemas. Ela transmitia suas mensagens por meio de versos. Olha só que loucura isso! Justo eu que nem sou fã de poesia.

O tempo foi passando, a minha mediunidade foi amadurecendo e os cambones mais experientes que cuidavam de mim, falavam que aquela Entidade que se manifestava, por meio de versos, tinha todos os trejeitos de um preto-velho, apesar de falar poesia. Ele andava arqueado, mancava de uma perna, procurava sempre um cantinho para se sentar.

Pois é pessoal, foi assim que eu fui apresentado ao Pai Antônio. Ele é o meu guia espiritual, ele é o meu guia de cabeça. Ele é a Entidade amiga que cuida da minha coroa. Os Umbandistas sabem do que eu estou falando, mas se você não sabe o que significam esses termos “guia de cabeça, coroa…”, não se preocupe. O que eu quero dizer é que o Pai Antônio é o meu protetor, o meu professor, o mentor que cuida da minha mediunidade, do meu equilíbrio.

Aliás, esse Podcast foi feito em homenagem a ele. E por isso eu escolhi esse nome: “Alma de Poeta”. Porque essa é a essência do meu querido Pai Antônio. Eu perdi as contas de quantas poesias o Pai Antônio já me passou. Muitas poesias ele falava durantes as giras no terreiro, outras poesias ele falava para pessoas que estavam sendo atendidas e outras poesias ele passava diretamente para mim. Essas eu conseguia anotar. Eu acho que eu devo ter anotado mais de 100 poesias dele.

Eu até cheguei a publicar um livro que se chama “Versos que Nascem do Lado de Lá“. Esse livro está disponível na Amazon, para quem tiver interesse.

Bem, a minha ideia aqui nesse podcast, além de falar sobre Umbanda, é passar para vocês algumas dessas poesias que o Pai Antônio escreveu. São poesias que trazem mensagens espirituais muito bonitas, com ensinamentos profundos que nos fazem refletir sobre a vida, sobre o destino e sobre Deus.

A primeira poesia que eu vou recitar para vocês fala sobre o trabalho. A alegria que a gente tem que ter ao trabalhar, a importância do trabalho nas nossas vidas. Vamos ouvir?

Os filhos trabalham, todos os dias
pra ganhar o pataco suado
sem saber que a vida é vazia
se não tiver esse aprendizado.

O trabalho não é obrigação
para os filhos reclamarem zangados
mas é fonte de satisfação
para o espírito disciplinado.

Se hoje trabalha por pataco
amanhã vai trabalhar por amor
porque o desejo ainda é muito fraco
e precisa de um pouquinho de dor.

Mas um dia, os filhos vão subir
para aqueles mundos cheios de luz
e como anjos vão poder pedir
para trabalhar em nome de Jesus.

Porque os filhos vão amadurecer 
e enxergar toda a criação
Então vão trabalhar por prazer
e não apenas por obrigação.

Que maravilha de mensagem, não é? Essa poesia fala que chegará um dia que nós estaremos em um grau evolutivo, que nós trabalharemos apenas pelo prazer de trabalhar, sem esperar nenhum tipo de pagamento, sem esperar nenhum tipo de recompensa. Vocês acham que isso é utopia? Vejam hoje quantas e quantas pessoas já trabalham por amor nessa vida, sem remuneração alguma, fazendo trabalhos voluntários, ajudando outras pessoas pelo simples prazer de ajudar.

Hoje, na nossa sociedade, na época em que estamos vivendo, esse tipo de comportamento é considerado exceção. Mas chegará o dia em que o trabalho voluntário irá se disseminar de uma tal maneira pelo mundo, que se tornará a regra. Esse será o tipo de trabalho que a humanidade vai realizar quando completar o ciclo de transformação que o mundo está passando. Os espíritas kardecistas sabem muito bem do que eu estou falando. Quando a Terra passar de uma categoria para outra, quando ela deixar de ser um mundo de provas e expiações para se transformar em um mundo de regeneração.

E eu peço ao nosso pai Oxalá que todos nós estejamos preparados para viver nesses novo mundo que irá florescer nos próximos milênios. Bem, espero que vocês tenham gostado desse nosso primeiro episódio do Podcast Alma de Poeta. Vocês também podem acompanhar o nosso programa pelas principais plataformas de áudio: Spotify, Google Podcast, Deezer, Apple Podcast, AnchorFm, Youtube e também pelo nosso site “almadepoeta.com.br“.

Fiquem com Deus, que o nosso Pai Maior os abençoe e até o nosso próximo episódio!

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3 comentários
  • Gostei desse episódio, já pertenci a umbanda e me afastei por motivos de força maior ,mas sinto falta dos trabalhos e irmãos de santo ,agora estou em outra cidade, mas ainda sinto vontade de voltar

  • Olá, olá

    Ontem cai, nesta página, como que por mágica. E tenho amado cada episódio assistido.

    A umbanda me encanta.

    Bem haja

    • Olá, Guiomar! Fico muito feliz que você tenha encontrado a página do nosso Podcast. Eu não acredito em “acasos”, acho que tudo tem uma razão de ser. Espero que você goste dos assuntos abordados! Um grande abraço!

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