O Batismo na Umbanda

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Ilustração: Ramira Yuri Ribeiro. Hoje a gente vai conversar sobre o primeiro sacramento da Umbanda, um dos mais importantes para a trajetória espiritual do trabalhador de umbanda. Esse é o ritual que oficializa a entrada da pessoa para a religião de Umbanda.

Transcrição do Episódio

Olá, meus irmãos, povo da Umbanda! Bom dia, boa tarde ou boa noite. Eu não sei a hora que vocês estão ouvindo esse podcast. Meu nome é Evandro Tanaka, eu sou médium umbandista e hoje a gente vai conversar sobre o primeiro sacramento da Umbanda, um dos mais importantes para a trajetória espiritual do médium, do cambone, do ogã, enfim, do trabalhador de umbanda. Esse é o ritual que oficializa a entrada da pessoa para a religião de Umbanda. Nós vamos falar sobre o batismo.

Eu não sei se vocês já sabem ou se eu já comentei sobre isso em algum outro episódio, porque é tanto assunto que às vezes eu acabo me confundindo sobre as coisas que eu já falei e as coisas que eu ainda preciso falar. Mas vamos lá, se eu não falei eu falo agora e se eu já falei eu repito: a Umbanda se estrutura em 5 pilares fundamentais: a Umbanda tem o aspecto magístico, o aspecto filosófico, o científico, o artístico e o aspecto religioso.

Vamos falar brevemente sobre cada um desses pilares: qual é o aspecto magístico da Umbanda? A capacidade que nós adquirimos de aprender a manipular as energias da natureza. Na umbanda, a gente aprende a trabalhar com ervas, com pedras, com terra, com água, com fogo, com luzes, com símbolos sagrados. E a magia, nada mais é do que a manipulação das energias da natureza por meio da nossa vontade, do nosso pensamento. E muitas vezes, a manipulação energética que nós fazemos independe da presença espiritual.

Aos poucos nós vamos aprendendo a nos tornar autossuficientes. Nós vamos aprendendo a nos manter equilibrados sem a necessidade de receber uma ajuda externa. E essa capacidade vai além. A gente aprende a ajudar, não só a nós mesmos, como também às pessoas que nos procuram. A pessoa umbandista, em maior ou menor intensidade, ela se torna meio que um bruxo ou uma bruxa. Não no sentido pejorativo da palavra, mas aquela pessoa que adquire a capacidade de fazer magia, de manipular a energia que existe nos elementos da natureza. Vocês entendem? Então esse é o primeiro pilar da Umbanda: o aspecto magístico.

Qual é o segundo pilar? O aspecto filosófico! O estudo que nós fazemos dentro dos dogmas umbandistas a respeito do sentido da vida. São as reflexões sobre o Universo, sobre Deus, sobre os Orixás, sobre o mundo espiritual, as Entidades, o motivo pelo qual estamos aqui na Terra, a necessidade de depurarmos o nosso espírito através das reencarnações, a ligação que existe entre todos os seres vivos… Tudo isso faz parte do aspecto filosófico da Umbanda.

O terceiro pilar da Umbanda é o aspecto científico. A busca pela verdade, a compreensão das leis que regem os diferentes planos da vida. O estudo dos nossos corpos sutis: o corpo físico, o corpo astral, o duplo etérico, o corpo mental, o corpo búdico, o corpo átmico, o corpo monádico… O próprio estudo da mediunidade faz parte do aspecto científico da Umbanda. Você vai aprender como funciona o mecanismo de comunicação entre os dois mundos. Você vai aprender as leis que regem tanto o plano material quanto o plano espiritual. Você vai entender a natureza dos diversos sítios vibratórios para onde o nosso espírito é atraído após o desencarne. Esse lado científico da Umbanda não se restringe apenas a entender o comportamento da matéria densa que os nossos sentidos percebem, mas também tenta entender o comportamento da matéria sutil. Aquilo que os espíritas kardecistas chamam de matéria quintessenciada. Aquela matéria que só é perceptível quando nós estamos na condição de desencarnados. Então, esse é o aspecto científico com o qual a Umbanda também se preocupa.

Percebam que esses três aspectos que eu falei: o magístico, o filosófico e o científico demandam muito estudo. E não é um estudo de anos, é um estudo de vidas! Nós precisaríamos de muitas e muitas encarnações para dominar todos esses conceitos. Mas é para isso que nós temos a eternidade pela frente, não é verdade? Os nossos guias de luz, os nossos irmãos espirituais mais velhos já dominam essas áreas onde nós ainda estamos engatinhando. Mas um dia a gente vai chegar lá também, né gente! Um passo depois do outro. É assim que se avança na caminhada.

E se a magia, a filosofia e a ciência exigem muito estudo, os dois últimos pilares da Umbanda trabalham com habilidades diferentes, digamos assim. Eu estou falando do aspecto artístico e do aspecto religioso. Aqui a gente não está falando mais daquele estudo metódico, do esforço que a gente precisa ter para adquirir conhecimento. A gente está falando da sensibilidade, da criatividade, da conexão com esferas superiores de vida que trazem até nós belezas que preenchem o nosso espírito.

Se nós prestarmos atenção, a Umbanda tem um lado artístico muito rico, né? O lado artístico a Umbanda se manifesta através da música, dos pontos cantados, na confecção de imagens de Orixás, de Entidades, pinturas, desenhos, danças. Tudo isso faz parte do lado artístico da Umbanda. E é esse lado artístico traz o alimento para a nossa alma, aquilo que o nosso espírito precisa, muitas vezes, para despertar a sensibilidade de apreciar o que é belo.

E o último pilar da umbanda se refere ao aspecto religioso que também serve para despertar a nossa sensibilidade. É através desse lado religioso que a gente se direciona a Deus, que a gente fortalece a nossa fé. É a religião que preenche o nosso espírito com aquilo que nos falta, assim como a arte preenche a nossa alma, despertando em nós a sensibilidade necessária para apreciar a perfeição.

Eu expliquei esses cinco pilares, mais para fins didáticos, está gente, para vocês conseguirem entender como a Umbanda consegue abranger todos os aspectos da vida. Mas na prática, a gente vai perceber que essas áreas se interpenetram. Filosofia misturada com ciência, magia misturada com religiosidade, arte misturada com filosofia. No nosso dia a dia, a gente pega essas cinco áreas, bota tudo entro do caldeirão e mistura até formar uma massa homogênea que se chama Umbanda. Então, quando as pessoas perguntam para mim se a Umbanda é uma religião, eu digo que não! A Umbanda é muito mais do que religião. Então será que a Umbanda é magia? Não, a umbanda é muito mais do que simplesmente magia. Será que a Umbanda é ciência? Não, ela é muito mais do que ciência! A Umbanda é tudo isso, acrescentada de arte e fé! É dessa maneira que eu enxergo a Umbanda, é dessa maneira que a Umbanda me preenche!

E hoje a gente vai falar um pouco sobre esse lado religioso da Umbanda. A gente vai começar conversando sobre o sacramento do batismo. E esse ritual religioso é praticado em todas as religiões, né? O batismo é o ritual iniciático que introduz a pessoa dentro daquela fé. No caso do catolicismo, a pessoa é batizada quando aceita os dogmas da igreja. Na religião evangélica, a pessoa é batizada quando aceita Jesus na sua vida. No caso dos mórmons, é quando a pessoa aceita as palavras reveladoras de Joseph Smith. E no caso da Umbanda, a pessoa é batizada quando aceita a atuação dos Orixás e das Entidades na sua vida.

Algumas pessoas dizem que o batismo na Umbanda é quando a pessoa é apresentada para os Orixás. Orixás, assim, no sentido de irradiação de Deus. Eu prefiro dizer que o batismo é confirmação da vontade daquela pessoa de ser conduzida pela força dos Orixás, de ser conduzida pela espiritualidade que atua na Egrégora da Umbanda. É por meio do batismo, é por meio da lavagem da coroa, que a pessoa sacramenta a sua comunhão com o plano espiritual.

E na Umbanda podem ser batizados tanto crianças quanto adultos. No caso das crianças, tem alguns terreiros que não impõe qualquer limite de idade para ser batizado. Tem terreiro que batiza até bebê, assim como faz a igreja católica. Outros terreiros, por sua vez, eles exigem uma idade mínima da criança para poder ser batizada. Algo assim em torno de 09 ou 10 anos de idade. E por que que eles colocam esse limite mínimo de idade? Qual a finalidade disso? A finalidade principal é o discernimento da pessoa que vai ser batizada, a compreensão que ela tem daquele ato. Vocês entendem? Porque no ato do batismo, o dirigente espiritual, o pai de santo, a mãe de santo vai chegar para a pessoa e vai perguntar assim: “você está por sua livre e espontânea vontade para ser batizado nas bençãos de Olorum, dos Orixás e das Entidades que atuam na Umbanda?”. A pessoa vai ter que ter o mínimo de discernimento para compreender essas palavras, aceitar o batismo e fazer o juramento. “Eu juro pelo nosso pai olorum, pelos orixás e pelas entidades aqui presentes a me comprometer com a umbanda, respeitando os princípios que norteiam a nossa fé, respeitando as entidades, o meu pai de santo, os meus padrinhos, etc…”.

Agora imagina uma criança pequena respondendo essas perguntas! Se é que ela vai entender o que o pai de santo vai perguntar, né? O dirigente chega para ela e pergunta assim: “você está aqui de livre e espontânea vontade?”. Daí a criança fala: “Ah? O que que você disse?” Aí o dirigente tenta falar com outras palavras, usando palavras mais simples: “filho, você está aqui porque você quer?”. E a criança, naquela espontaneidade dela maravilhosa, né, ela responde: “eu não estou aqui porque eu quero, não! A minha mãe que me trouxe”. Eu adoro quando essas coisas acontecem! Daí o dirigente então pergunta: “então você não quer ser batizado na Umbanda?” “Eu não, eu quero ir brincar lá fora”. Vocês entendem, gente, porque muitos terreiros dão uma extrema importância para que a pessoa adquira uma certa maturidade, para ter discernimento, para poder escolher o caminho religioso que ela quer seguir na vida dela?

Eu, por exemplo, quando eu era bebê, eu fui batizado na igreja católica. Eu não sei quem teve essa ideia infeliz, não sei se foi a minha… bom, deve ter sido coisa da minha mãe isso, né. O meu pai não ligava muito para essas coisas. Mas naquele momento do batismo, eu nem sabia que era gente! Eu não lembro do que aconteceu, eu não lembro do que o padre falou para mim. Ele deve ter falado: “eu te batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. E eu devo ter chorado quando ele derramou aquela água fria na minha cabeça!”

Agora, depois de adulto sim, eu escolhi a religião que eu queria seguir, eu escolhi ser batizado na Umbanda. E eu me lembro de tudo o que aconteceu porque eu estava lá de livre e espontânea vontade, com todo o meu discernimento. Eu fui batizado na Umbanda, eu acho que já devia ter uns 28 ou 29 anos. Por isso que eu, particularmente, e isso é uma opinião minha, eu entendo que a pessoa tem que optar por ser batizada, seja na Umbanda, seja em qualquer religião. Essa escolha tem que partir dela. Senão, de que adianta você batizar uma pessoa em uma religião que ela não vai seguir? Não faz sentido algum não é mesmo? Quando eu era bebê, me batizaram na igreja católica, mas eu nunca segui o catolicismo. A minha mãe até tentou, no começo, me colocar naqueles cursos lá… como é que chama aquele negócio? primeira comunhão, crisma… deve ter algum outro aí que eu não sei o nome. Mas eu não fui, eu não me adaptei, não queria. Eu ficava injuriado de participar de algo contra a minha vontade. Tanto é que até hoje, eu não sei qual é a experiência de receber uma hóstia, eu não sei que gosto que tem aquilo. Dizem que é gosto de farinha, mas eu nunca tive essa experiência. Justamente porque eu não segui o catolicismo, apesar de ter sido batizado quando era criança.

Então, gente, para ser batizado na Umbanda, tanto a criança quanto o adulto, eles precisam entender e aceitar os Orixás e as Entidades. Eles precisam entender o que está acontecendo.

Tem uma particularidade no batismo da Umbanda que é um pouco diferente das outras religiões. Na Umbanda você pode ter padrinhos e madrinhas, tanto encarnados quanto desencarnados. É verdade! Você pode pedir para alguém da sua família de terreiro ser o seu padrinho ou a sua madrinha encarnada. Como você pode também pedir para uma entidade desencarnada ser o seu padrinho ou a sua madrinha espiritual. Então, você pode pedir para um irmão de fé com quem você se dá muito bem e que seja mais experiente do que você na Umbanda, para ser o seu padrinho espiritual. Eu digo mais experiente por quê? Porque muitas vezes é o padrinho e a madrinha que vão direcionar a sua caminhada dentro da Umbanda. E se você tiver um padrinho ou uma madrinha mais vividos dentro da religião, eles vão saber te guiar com mais propriedade. Da mesma maneira, você pode pedir para uma Entidade que se manifesta naquele terreiro ou que se manifesta em você, para que seja o seu padrinho ou madrinha espiritual.

Aqui nesse ponto, eu quero chamar a atenção para vocês sobre uma polêmica. Tem terreiro que não aceita padrinho ou madrinha espiritual da linha da esquerda. Eles não admitem que você tenha um padrinho Exú ou uma madrinha Pombajira. E eles justificam isso dizendo que o sacramento do batismo, como sendo uma obrigação a Oxalá, teria uma natureza energética totalmente oposta ao trabalho dos Exús e Pombajiras. Bom, esse é um ponto de vista. Tem outros terreiros que fala que não tem problema nenhum nisso, você pode escolher o padrinho ou madrinha que você quiser.

Se você quiser que o seu padrinho seja um Caboclo, um Preto-velho, um baiano, um Exú… Ou que sua madrinha seja uma Cabocla, uma criança, uma baiana, uma Pombajira… A escolha é sua! Desde que a Entidade aceite aquela atribuição que está sendo oferecida para ela. Eu participo dessa segunda corrente, tá! Eu sou da opinião que você pode escolher a entidade que você quiser, seja da direita ou da esquerda. Porque lembra que eu disse, nos episódios anteriores, que a Umbanda não aceita qualquer tipo de discriminação? Ora, gente! O que que o terreiro está fazendo quando proíbe um Exú ou uma Pombajira de ser padrinho de alguém, simplesmente pela natureza do trabalho que ele faz na espiritualidade? Isso não é discriminação?

É a mesma coisa de você chegar aqui na Terra e perguntar para alguém: você pode ser o meu padrinho? Mas antes eu preciso saber qual que é a sua profissão? Porque para ser meu padrinho só pode ser médico, ou advogado ou professor… Porque se você for policial, ou se você for lixeiro ou se você for… sei lá… diretor de presídio… o meu terreiro não aceita que você seja padrinho, por causa da atividade que você desempenha. Eles acham que você pode ter uma energia incompatível com aquele tipo de sacramento. Para mim, pelo menos, esse argumento de que Exú e Pombajira não podem participar do sacramento do batismo por causa da energia densa que eles manipulam, não faz sentido nenhum. Às vezes vai ser justamente essa especialidade deles em manipular energias densas que vai te ajudar na vida. Mas enfim, esse também é um ponto de vista meu! Como diz o Pai Adérito, se o seu terreiro faz diferente, o seu terreiro está certo e eu estou errado. Siga sempre as diretrizes que o seu pai de santo, o seu dirigente espiritual passa para você. está bom?

Quantos padrinhos eu posso ter? Gente, geralmente é um padrinho e uma madrinha encarnados e um padrinho e uma madrinha desencarnados. Mas isso vai de você. Tem gente que prefere ter apenas padrinhos encarnados. Tem gente que prefere ter apenas padrinhos desencarnados. E está tudo certo. Não existe uma regra para isso. O importante é a gente ter a consciência aqui de que o padrinho e a madrinha, sejam eles encarnados ou desencarnados, assumem um compromisso com Deus para guiar aquela pessoa que se tornará o seu afilhado, a sua afilhada. No caso das crianças, os padrinhos são aqueles que assumem o compromisso, perante a espiritualidade, de fazerem o papel de pai e mãe daquela criança se, por algum acaso, os pais e mães biológicos não puderem mais cuidar dele. Seja porque morreu, seja porque ficou doente ou inválido, seja porque desapareceu. Daí são os padrinhos que vão guiar essa criança até a fase adulta.

Com os padrinhos desencarnados é mais ou menos a mesma coisa. Porque para a espiritualidade de luz, nós ainda somos crianças. Nós estamos dando os primeiros passos em direção à vida espiritual. Então, eles, naquele momento do batismo, assumem o compromisso, perante Deus, de guiar o seu tutelado na vida espiritual. E olha gente, podem ter certeza de que eles levam muito a sério essa incumbência que eles assumem. Muito mais a sério do que nós aqui na Terra.

Com relação ao ritual do batismo, vai variar de terreiro para terreiro, né gente? Vai depender muito da vertente de Umbanda que você segue. Se a sua umbanda é mais kardecista vai ser de um jeito, se a sua Umbanda é mais católica vai ser de outro, se a sua Umbanda é mais candomblecista, vai ser de outro. E todos eles estão certos, dentro da sua doutrina! Lembra que eu disse: a Umbanda certa é aquela que você escolhe seguir.

Mas de uma maneira geral, na ritualística, o que precisa para pessoa ser batizada? Apesar dos rituais serem diferentes, existem alguns pontos que são senso comum. A pessoa que vai ser batizada precisa ter padrinhos, como eu falei anteriormente. Ela precisa levar uma vela de batismo (que é a vela para Oxalá – de cor branca). Alguns terreiros também pedem para levar uma fitinha branca, para amarrar na vela. Precisa de água pura, seja água da cachoeira, do rio, do mar, da chuva… ou na falta dessas, água mineral. Aquela que a gente usa para beber. E assim, como você vai usar água, você também precisa ter um alguidar. Um para preparar e o outro para derramar a água.

E o que mais precisa para o ritual do batismo? A casa precisa ter banha de Ori. O que é isso? Banha de Ori é uma espécie de manteiga que é feita do fruto de uma árvore chamada Karité. E essa árvore só existe lá na África. Mas assim, tem casa que usa banha de Ori, tem casa que usa azeite de oliva consagrado. Até porque, dependendo do lugar do Brasil onde você está, a banha de Ori não é muito fácil de ser encontrada. E tem casa que usa gordura de carneiro. Eu particularmente não gosto de usar a gordura de carneiro para batizar, por ser de origem animal. Você vai batizar alguém com a gordura de um animal que morreu, né? Bom, sei lá… eu não aceito muito… mas muita gente usa e eu respeito… Lembrando que se você for usar o azeite de oliva. Não é só ir lá na cozinha, pegar o vidro de azeite e usar. Existe toda uma preparação para consagrar aquele azeite que será usado no batizado. E é o pai de santo ou o dirigente que vai providenciar isso.

Um outro elemento muito usado no batismo é a pemba pilada ou pemba ralada. O pó de pemba é usado logo depois da utilização da banha de ori. O pai de santo usa a banha de ori para cruzar a coroa da pessoa que está sendo batizada e logo depois sopra a pemba sobre aquele cruzamento. O pó de pemba vai fechar, vai proteger aquele cruzamento. Lembrando que o ritual deve ser feito sempre pelo dirigente da casa, o pai de santo, a mãe de santo, muitas vezes incorporado pelo guia chefe do terreiro. Na falta do pai de santo ou da mãe de santo, o pai pequeno ou a mãe pequena que assume essa atribuição.

E assim, o batismo pode acontecer tanto dentro do terreiro, que é um local sagrado, como também pode ser feito nos pontos de força da natureza. Geralmente é um lugar que tem água: uma cachoeira, uma nascente, um lago, um rio, uma praia… Mas isso vai de cada casa. Tem casa que prefere batizar dentro do terreiro, tem casa que prefere ir até o ponto de força da natureza.

E durante o batismo também são cantados pontos, né? Pontos específicos do batismo. Se a curimba não souber cantar nenhum ponto de batismo, pode cantar ponto para Oxalá. está valendo! Afinal de contas, a obrigação é para ele! Tem aquele ponto, por exemplo, muito bonito que diz assim: “Batiza João, os filhos do Jordão. Batiza João, os filhos do Jordão. João batizou Jesus. Jesus batizou João. E os dois foram batizados lá no rio do Jordão”. Mas se vocês derem uma pesquisada no Google, vai aparecer uma infinidade de pontos de batismo para vocês aprenderem a cantar. Deixa eu colocar um ponto de batismo aqui para vocês ouvirem que eu acho muito bonito!

[ponto de batismo]

E lembrando, gente! para ser batizado na Umbanda, a pessoa tem que pelo menos já estar vestindo o branco, já estar participando das atividades do terreiro. Por que que eu estou falando isso? A gente não batiza as pessoas que estão na assistência, tá. A gente não pode chegar e falar, olha, hoje é dia de batismo. Quem quiser ser batizado na Umbanda pode vir aqui que eu batizo. Isso não existe, tá! O batizado é para quem já se comprometeu com os trabalhos de Umbanda. para quem efetivamente vai participar das atividades do terreiro.

No Batismo, geralmente, a lavagem da coroa é feita com pétalas de rosa branca, simbolizando a energia de Oxalá. Tem alguns terreiros que colocam outras ervas de Oxalá, também: colocam girassol, alecrim, louro, folhas de laranjeira, boldo… enfim, vai da orientação da espiritualidade da casa. Tem uma infinidade de ervas de Oxalá que podem ser usadas.

Normalmente não é o pai de santo que faz o sacramento de lavagem e cruzamento da coroa do médium. É o guia chefe da casa incorporado. Daí ele vai lá, risca um símbolo com a pemba na cabeça do médium, às vezes dá uma baforada com o charuto, se for um caboclo, ou com o cachimbo se for um preto-velho. E depois fecha aquele cruzamento com a pemba ralada.

E por que que o batismo é importante? Através do batismo, a pessoa deixa gravada, no seu campo vibratório, aquela energia da espiritualidade que vai auxiliar a sua caminhada dentro da Umbanda. O batismo, meio que sedimenta o auxílio que a pessoa vai receber, tanto dos orixás quanto das entidades. O batismo vai abrir as portas para a pessoa iniciar a sua trajetória de desenvolvimento espiritual dentro daquela fé.

E assim, gente, lembra que eu falei naquele episódio de preceitos, que além dos preceitos normais de gira, existem alguns preceitos especiais que precisam ser seguidos na Umbanda. Então, o batismo é um deles. A pessoa que vai ser batizada precisa fazer um preceito de no mínimo 3 dias. Tem algumas casas que pedem até 7 dias de preceito. Mas o mínimo é 3, tá. E por que isso? para poder limpar o corpo do médium e deixá-lo apto a receber aquela energia. Afinal de contas, o batismo é um trabalho para Oxalá, que tem uma energia elevadíssima. O corpo da pessoa que vai ser batizada precisa estar em preceito absoluto para receber aquela energia. Vocês que acham difícil até de fazer um preceito de 24 horas, se preparem psicologicamente quando decidirem se batizar.

E o preceito do batismo serve tanto para limpar os corpos do médium, como também o seu mental, né? Porque aquele momento de jejum provoca uma crise de abstinência que também traz um período de reflexão para o médium. Quando a gente faz preceito, parece que está faltando alguma coisa na nossa vida. E a gente começa a olhar o nosso dia de uma maneira diferente. A abstinência, muitas vezes traz a serenidade necessária para o mental da pessoa se tornar mais receptivo. Então, se vocês forem fazer o batismo na Umbanda, faz o batismo direito, do jeito que tem que ser feito, seguindo a risca todas as orientações passadas pelo seu dirigente. Porque se for para fazer um batismo meia-boca, é melhor nem fazer. Porque o batismo trabalho o filho de santo de dentro para fora. É a mudança que começa no interior da alma e irradia para sua vida!

Bom, espero que vocês tenham gostado do episódio de hoje. A Umbanda, sendo uma religião, também possui as suas liturgias. São cerimônias muito bonitas que vale a pena assistir. Se vocês ainda não tiveram a oportunidade de assistir um batismo na Umbanda, vocês não sabem o que estão perdendo. É uma cerimônia linda! Mais uma vez eu digo aqui que cada casa tem o seu jeito de fazer esse ritual, não existe uma regra. O procedimento da sua casa vai estar sempre certo! Se você acha que a sua casa faz da maneira errada, então você está na casa errada. Quem está errado é você!

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2 comentários
  • Salve as forças superiores do bem, muito bom as explicações precisamos todos seguir com fé , respeito e acima de tudo com sabedoria , para fazer jus daquilo que a natureza nos proporcionou.

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