Mistificação e Animismo

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Qual é a diferença entre mistificação e animismo? Os dois fenômenos acontecem por conta de uma suposta manifestação espiritual. No animismo, você está transmitindo a mensagem do seu próprio espírito encarnado. Na mistificação, o médium ou a Entidade usa uma falsa mensagem para ludibriar as pessoas.

Transcrição do Episódio

Olá, povo da Umbanda, galerinha do Axé! Tudo bem com vocês? Sejam bem-vindos a mais um episódio do Alma de Poeta, esse podcast que fala sobre Umbanda, Espiritualidade, Mediunidade e também sobre as poesias de um querido preto-velho chamado Pai Antônio. Meu nome é Evandro Tanaka, eu sou médium umbandista e hoje a gente vai iniciar esse episódio tirando algumas dúvidas de pessoas que acompanham os assuntos que são tratados aqui no Podcast e que entram em contato comigo pelas redes sociais ou mandando mensagem pelo site do Alma de Poeta.

O primeiro assunto que eu vou abordar com vocês e que já foi objeto de questionamento de várias pessoas. Me desculpa, mas eu não vou lembrar de cabeça agora o nome das pessoas que me questionaram esse assunto, porque é muita gente que entra em contato comigo, é com relação à mistificação. O que vem a ser a mistificação no processo de comunicação mediúnica?

Bom, para a gente entender o que é a mistificação, a gente tem que entender primeiro o que é o animismo. Qual é a diferença entre o animismo e a mediunidade? Percebam que os dois fenômenos acontecem por conta da manifestação espiritual. A diferença é que, pela mediunidade, você está transmitindo a mensagem de um espírito desencarnado, enquanto que pelo animismo, você está transmitindo uma mensagem do seu próprio espírito, você está transmitindo uma mensgem da sua alma encarnada.

Quando se trata, por exemplo, de um fenômeno de ordem mediúnica, em que alguém diz estar dando passividade a um ser espiritual, a grande preocupação dos dirigentes é identificar se de fato é um espírito desencarnado que está falando, através do sensitivo, através do médium, ou se é a própria mente da pessoa que está se manifestando.

Mas percebam, gente, que o animismo, por si mesmo, não é de todo ruim. Porque quando você está naquele processo de desenvolvimento mediúnico, muitas vezes, você vai entrar num estado alterado de consciencia que o seu espírito vai resgatar informações e experiências que estavam adormecidas. O animismo nada mais é do que a manifestação de um espírito temporariamente encarnado, que é o próprio espírito do médium que está dando comunicação.

E muitas vezes, quando a pessoa entra naquele transe mediúnico, entre aspas, mesmo que ela não esteja recebendo comunicação externa alguma de um espírito desencarnado, ainda assim, ela pode falar coisas que ela não falaria se estivesse em estado lúcido, se ela estivesse plenamente consciente, digamos assim.

Porque muitas vezes, o médium, quando está participando daquela ritualística, seja no kardecismo, na umbanda, no candomblé, em qualquer lugar… Ele acaba entrando num estado alterado de consciência. E esse estado alterado de consciência proporciona que o espírito dele se lembre de coisas que estavam adormecidas. Ou então, fica muito mais nítido, para o médium comunicante, naquela hora, de resolver situações ou de dar aconselhamentos que ele não saberia fazer em estado de vigília.

Porque todos nós, independente de sermos ou não médiuns, carregamos no nosso íntimo muitas experiências, muitas histórias, muitas lembranças enraizadas, situações que ficam armazenadas no nosso inconsciente. Às vezes são lembranças desta vida presente, às vezes são lembranças de vidas passadas, que estão guardadinhas lá no nosso inconsciente e que aflora quando a gente entra naquele estado alterado de consciência. Vocês entendem?

Então, gente, o animismo da pessoa, principalmente do médium que está em desenvolvimento, não deve ser, em hipótese alguma condenado. O animismo faz parte do processo da comunicação mediúnica. E se o médium continua naquele propósito de fazer a caridade, de ajudar ao próximo, ele vai perceber, com o passar do tempo, que aquele animismo inicial vai sendo substituído, gradativamente, por uma comunicação mais elevada dos próprios mentores que vão estar auxiliando ele nesse processo.

Vamos imaginar o seguinte: imagina que quando você era pequena, você costumava brincar no jardim da casa da sua avó. E naquele jardim, tinha uma flor específica que você não sabe identificar exatamente qual era, afinal de contas, você era muito pequena e não entendia nada de flores e nem se preocupava com isso.

E daí, a sua avó morreu, a casa foi vendida, aquele jardim já não existe mais, você cresceu e aquela lembrança ficou adormecida na sua mente. Você já nem lembrava mais ou nem tinha consciência de que você brincava no jardim florido da casa da sua avó.

Só que, num belo dia, você fazendo aquel processo de desenvolvimento mediúnico, um determinado consulente leva para o terreiro a mesma flor que tinha na casa da sua avó. Sei lá, ele levou aquela flor para oferecer para as Entidades, por exemplo… Daí, a gira começa, você começa a entrar naquele estado de transe mediúnico, e num determinado momento, você sente o perfume daquela flor. Como você está num estado alterado de consciência, você vai se lembrar com muito mais nitidez daquele momento da sua infância em que você esteve na companhia da sua avó. Você vai lembrar do jardim, das brincadeiras, até dos conselhos que a tua avó te dava quando ela pegava você no colo. Percebam que o estado alterado de consciência fez com que você tivesse uma lembrança muito mais nítida daquele momento que você viveu, do que se você estivesse plenamente consciente.

Talvez se você não estivesse naquele transe mediúnico, você só identificaria aquele odor e pensaria “Nossa, eu conheço esse cheiro de algum lugar, mas eu não sei da onde”. Você percebe? Isso é o que a gente chama de animismo. O seu próprio espírito resgatando impressões que ele vivenciou e transmitindo essas impressões para as outras pessoas. Pode ser que, dependendo do grau de transe mediúnico que você está, você consiga até mesmo repetir as mesmas palavras que você ouviu da sua avó naquele momento.

Lógico, isso que eu estou falando para vocês é só um exemplo. Só que o animismo vai muito além dessa vida. Pode ser que quando você esteja num estado alterado de consciência, você consiga se lembrar com mais nitidez até de situações que você vivenciou em vidas passadas ou quando estava no plano espiritual. Só que essas lembranças vão ser suas, não vão ser de Entidade comunicante nenhuma.

Isso tira o valor da comunicação mediúnica? Claro que não! A mensagem que você vai passar num estado alterado de consciência tem tanta importância quanto a mensagem de um espírito desencarnado. Afinal de contas, você também é espírito, né? A única diferença é que você está presa, temporariamente, no corpo físico. Mas quando você desencarnar e voltar para o plano espiritual, você vai ser um espírito como os outros também.

Então, essa é a ideia inicial que vocês precisam ter de animismo: quando a nossa memória traz do inconsciente coisas que estão armazenadas dentro de nossa mente. Animismo significa, então, a manifestação da própria alma do sensitivo. Acontece que muitas vezes, essa informação que chega até a mente consciente do médium acaba sendo mal interpretada e, ao invés dele distinguir que aquela informação está vindo dele, do seu próprio espírito, ele acaba atribuindo essa informação como sendo de uma Entidade espiritual.

E isso é muito normal que aconteça, viu gente! É compreensível que nós, pelo tanto de experiências que nós já passamos nessa vida e em vidas passadas, tenhamos acumulado uma bagagem muito grande conhecimento. A gente tem muito material para compartilhar com os outros. Só que muitas vezes, a gente não se dá conta quando esse material adormecido vem à tona, de quando essas informações do subconsciente se manifestam. E a gente acaba supondo que seja uma Entidade espiritual que esteja se manifestando através de nós.

E olha gente, eu vou dizer uma coisa para vocês: existe uma linha muito tênue, principalmente para quem está no processo de desenvolvimento mediúnico, de saber identificar o que é animismo e o que é mediunidade. É muito difícil, num primeiro momento, de você conseguir identificar os pensamentos que são teus, as experiências que são tuas, das informações externas que são plantadas na sua mente. De quando você está sendo você mesma e de quando você está filtrando um pensamento alheio.

E essa linha tênue, você só vai conseguir identificar depois de muito treino, depois de muita prática.

Mas agora, presta bastante atenção no que eu vou falar para vocês: o animismo é muito bom, é muito salutar, desde que aconteça com boas intenções, ou melhor, sem segundas intenções. Porque, a partir do momento em que você está plenamente consciente de que aquilo que você está falando está vindo de você, e você não está nem em estado transe mediúnico. Quando você passa a usar o seu animismo de caso pensado. Daí, isso deixa de ser animismo e se transforma em charlatanismo. Principalmente se você usa essa suposta faculdade que você tem para manipular as pessoas.

Nesse ponto, a gente começa a entrar numa outra seara, numa outra esfera que se chama “mistificação”. Vamos falar um pouco sobre isso?

Dando uma explicação curta e grossa para vocês, mistificação significa enganação, mentira. É quando a sua comunicação tende a ludibriar as pessoas. E essa mistificação pode acontecer de duas maneiras: você, como médium, passando falsas mensagens espirituais para as pessoas que estão sendo atendidas. Nesse caso, você, através do seu animismo, está sendo o espírito mistificador. Ou então, você realmente usando dos seus dons mediúnicos para transmitir a mensagem de um espírito que se faz passar por um guia espiritual, por um mentor, ou até mesmo por um parente da pessoa que está sendo atendida.

Ah, Evandro, mas como assim? Então quer dizer que eu, como médium, posso ser enganada por um espírito que se faz passar por fulano de tal quando na verdade não é? Exatamente! E isso acontece com mais frequência do que vocês imaginam. Às vezes, você está lá no terreiro, abrindo a sua mediunidade e de repente recebe um espírito que se manifesta como sendo o Caboclo não-sei-das-quantas, ou o preto-velho Pai não sei do quê. Pode acontecer isso, principalmente para os médiuns despreparados.

Daí o espírito vem, se manifesta, começa a falar um monte de abobrinha, todo mundo acredita, acha que realmente ele é o fulano de tal. E esse espírito mal intencionado começa a ludibriar as pessoas, passando falsas informações, pedindo muitas vezes coisas absurdas. E se o médium não tomar cuidado, ele acaba caindo nessas artimanhas.

E como é que a gente se protege contra isso? Será que tem alguma maneira da gente evitar de sermos enganados por espíritos mal intencionados? Claro que tem! Mas isso vai depender da sua postura como médium, da sua conduta como pessoa. Lembra que tem uma lei na natureza que diz que os semelhantes se atraem? Isso vale para os dois planos da vida: para o plano da matéria e para o plano do espírito.

Se você é uma pessoa que, como médium, vai no terreiro apenas para aparecer, para alimentar o seu ego, a sua vaidade. Ou se você vai no terreiro com o propósito menos nobre de obter favores em troca de auxílio espiritual, pode ter certeza que você vai ter uma propensão grande de receber espíritos mistificadores, isso quando você não for o seu próprio mistificador, né? Porque tem gente, pessoal, que fala os absurdos e acredita naquilo que está falando. E quando a pessoa é repreendida pelo dirigente ou até mesmo pelos outros médiuns, ela acaba se melindrando, ela acaba achando que está sendo vítima de perseguição, que as pessoas estão com inveja da sua mediunidade… Percebam que sempre vai ter o fator orgulho, vaidade, prepotência envolvido em um processo de mistificação.

Então, pessoal, tomem muito cuidado quando vocês estiverem passando por esse processo de desenvolvimento mediúnico, porque os espíritos obsessores gostam muito de médiuns vaidosos, de médiuns prepotentes, de médiuns arrogantes. Esses são presas fáceis de serem ludibriados. Os espíritos mistificadores são mestres em afagar o ego das pessoas, em colocar elas no pedestal como se elas fossem a coisa mais importante que existe. Cuidado, toma muito cuidado quando pessoas ou espíritos tentam alimentar a sua vaidade.

Pode ser que um espírito obsessor que esteja passando por um guia espiritual chegue para você e fale assim: “o que você está fazendo nessa casa que não te valoriza? Você é muito melhor do que eles! Eles tem inveja de você pelo trabalho que a gente faz junto”. E se o médium não tomar cuidado, ele acaba sendo envolvido por essas artimanhas e de repente acaba até interrompendo um trabalho bonito que ele poderia fazer junto daquele agrupamento de pessoas.

Então gente, resumindo é isso: a mistificação pode partir do próprio médium, tentando enganar outras pessoas. Ou ela pode acontecer, realmente, por meio de um processo mediúnico, mas com o concurso de espíritos mal-intencionados. Lembrando, gente, que o animismo em si, não é o problema. O problema maior acontece quando esse animismo tem segundas intenções. Agora, a mistificação, essa não tem desculpa nenhuma. Ela sempre vai ser ruim. Não existe uma mistificação com boas intenções. A mistificação reflete a falta de caráter do médium, quando age por si mesmo. Ou a ingenuidade do médium em acreditar nas palavras de um espírito mal-intencionado. Daí a falta de caráter vai ser do espírito. Ou então, pode acontecer as duas coisas, né? O médium ter um desvio de caráter e, por conta desse defeito dele, acabar atraindo a atenção de espíritos que vibram na mesma sintonia de prejudicar outras pessoas ou de tentar tirar vantagem de determinadas situações.

Agora, mudando de assunto, eu vou compartilhar com vocês uma dúvida que eu recebi da Érika, que mora aqui na cidade de São Paulo. Eu vou pedir para a Sofia, a nossa cambone virtual, ler a mensagem que a Érika escreveu para a gente, no direct do instagram. Vamos lá, Sofia, o que a Érika tem para dizer?

Vamos lá, Evandro! Espero que você esteja melhor da covid. A Érika escreveu pra gente falando o seguinte: Oi Evandro. Eu tenho uma dúvida e vim aqui dividir contigo, pois pode ser a dúvida de mais algum ouvinte. Antes de ir pro terreiro onde eu tô me desenvolvendo, passei por alguns outros terreiros pra me consultar.

Em um deles, as Entidades falavam como o médium falava, sabe? Como se eles estivessem vendo, estudando e sabendo de tudo o que estava rolando no mundo atual. Até falei com um Exú que sabia de Instagram! Daí eu fiquei meio naquela… Será que a Entidade estava realmente em terra ou o médium estava falando que estava incorporado sem estar?

Digo isso porque nos outros terreiros que eu fui, as entidades estavam falando como “seres antigos”. Lembro do Exú falando “você acha que eu não sei de tudo aqui? Tem Entidade que não fala, mas somos muito estudiosos dessas tecnologias de vocês, antes mesmo delas chegarem até vocês”.

Então, assim… Eu sei que elas sabem e estudam tudo o que rola aqui, mas uma vez eu te ouvi, num episódio, falando sobre os arquétipos das Entidades. Será que um preto velho falando como uma pessoa contemporânea não fica estranho? Será que isso existe ou o médium que me atendeu estava apenas achando que estava com Exú, quando na verdade, estava consciente?

Excelente o seu questionamento, Érika! Realmente, a sua dúvida faz muito sentido! Será que uma Entidade que viveu há séculos atrás conseguiria falar com tanta desenvoltura sobre as teconologias mais atuais que existem no mundo de hoje? Pode ser que sim! Eu já ouvi muitas comunicações mediúnicas dizendo que a tecnologia que existe hoje no mundo, já existe há muito tempo no plano espiritual. Aliás, o plano espiritual está muito mais avançado do que nós aqui na Terra, em questões de telecomunicações.

Eu já ouvi, inclusive, que as redes sociais que existem hoje, no mundo, foram projetadas no baixo-astral. Só que elas foram projetadas com objetivos menos nobres, né? De deixar as pessoas viciadas, entorpecidas. Ou então, com o intuito de disseminar o ódio a discórdia. E realmente, a gente vê que acontece muito dessas coisas, né? De pessoas que passam o dia inteiro vendo instagram, facebook, tiktok. Elas não conseguem se desligar, nem por algumas horas, das redes sociais. A gente vê também pessoas que disseminam mensagens de ódio, mensagens de preconceito, gente que faz apologia ao crime. Se a gente parar para pensar no que a espiritualidade fala, realmente, as redes sociais causam mais malefìcios do que benefícios.

Mas, por outro lado, tem gente comprometida com o bem que usa as redes sociais para tentar passar mensagens positivas, mensagens motivacionais. Eu acho que o uso que a gente faz das redes sociais depende muito da nossa índole. As postagens que você curte ou as postagens que você compartilha falam muito da pessoa que você é. Bom, mas esse não é o foco da sua pergunta, né?

Você me perguntou se um espírito pode estar tão antenado assim com a modernidade do nosso mundo, ao ponto de até usar um vocabulário igual ao nosso. Eu acredito sim que existe essa possibilidade, apesar de que, na Umbanda pelo menos, a Espiritualidade prefere se manifestar através do arquétipos. Pode ser que o médium estava transmitindo uma mensagem anímica? Claro que pode! Isso acontece com muita frequência.

Mas também pode acontecer o seguinte: dependendo do tipo de mediunidade que a pessoa tem, a Entidade não chega a incorporar no médium, mas ela simplesmente irradia a comunicação que ela quer passar para mente consciente do aparelho. Daí, o médium reveste a ideia que a Entidade está passando com o vocabulário que ele possui. Você entende?

Pode ser que lá no plano espiritual, eles dêem um nome totalmente diferente ao que a gente conhece aqui na Terra como rede social. Daí, o médium acaba interpretando aquela ideia que ele está recebendo do espírito e reveste aquela ideia com o vocabulário que ele possui. Essa é uma outra possibilidade também que pode ter acontecido.

Nas minhas experiências mediúnicas, o que eu noto das Entidades que eu recebo é que elas têm muita dificuldade de se expressar com relação aos aparelhos que a gente usa aqui na Terra. Pelo menos é esse o feedback que eu recebo das pessoas depois que passaram em atendimento com elas. Quando elas querem se referir ao celular, ou a à televisão, à internet, elas acabam fazendo comparações ou explicações que levam a entender que elas estão se referindo a determinados aparelhos, mas até hoje, eu nunca ouvi um preto-velho ou um caboclo falar para mim de Instagram, por exemplo.

Mas assim, pode ser que o povo da esquerda, Os Exús e Pombajiras, sejam um pouco mais antenados com o vocabulário que a gente usa, porque eles são mais próximos das atividades que a gente faz no nosso dia-a-dia, né? Muitos Exús e Pombajiras atuam como guardiões e acabam acompanhando a nossa rotina. É diferente de um preto-velho, de um caboclo, desses espíritos mais antigos que viveram aqui na Terra em épocas muito remotas e que já estão muito distantes dessas insignificâncias da matéria ou da realidade do mundo atual.

Você pode até fazer a seguinte comparação, né? Por exemplo, você vai para um país estrangeiro, que você não conhece nada cultura ou do costume deles. Daí você vê o povo usando uns instrumentos estranhos e você pergunta para que serve aquele instrumento, e a pessoa vai falar. Só que o seu interesse, como visitante daquele país, não é aprender o nome daquele instrumento, mas sim a finalidade para que ele é utilizado.

Eu acredito que muitas vezes, acontece a mesma coisa com os nossos guias. Eles vêm, esporadiamente, aqui na Terra, não dão tanta importância assim à nomenclatura que a gente usa para se referir a determinados instrumentos, mas lógico que eles sabem exatamente para quê que serve aquele instrumento. Porque eles são guias, mas eles não são burros, não é verdade?

Então, o que acontece? Eu gosto de acreditar que, independente do animismo do médium, a Entidade vai estar sempre presente auxiliando naquela comunicação. Lógico, desde que o médium esteja com boas intenções. Daí, eventualmente, dependendo do tipo de mediunidade que a pessoa tem, a Entidade vai permitir que a pessoa utilize o próprio vocabulário para passar a mensagem que está sendo intuída. Como diz o meu amigo Valdo, e esse é um ensinamento muito válido, do médium, eu vou duvidar sempre; da espiritualidade, eu não vou duvidar nunca. Essa é a fé que a gente precisa cultivar na Umbanda.

Então, Érika, o que eu digo para você, quando você passar por um atendimento com um médium incorporado, mais do que os trejeitos, a maneira de falar, presta atenção no teor da mensagem. Se aquilo que está sendo passado para você faz algum sentido, se tem positividade naquilo que você está ouvindo, se aquilo está te fazendo bem.

Independente se a comunicação for anímica ou mediúnica, o que vai importar realmente, dentro de um terreiro de Umbanda, é aquilo que os seus olhos não estão enxergando. É o trabalho que a equipe espiritual da casa está fazendo para te deixar bem, manipulando as energias de uma maneira positiva. Está certo?

Agora, se você ficar sabendo de algum Exú ou Pombajira que acompanha o Podcast Alma de Poeta, daí você me avisa que eu vou adicionar ele na minha rede social! Brincadeira, viu Érika! Eles têm todo o meu respeito e todo o meu carinho.

Muito obrigado por você ter entrado em contato comigo, por você ter mandado essa sua dúvida. E eu tenho certeza que muita gente já fez questionamentos parecidos com esse. Obrigado, Érika! Que o nosso Pai Oxalá te abençoe. E continua firme nessa sua caminhada pela Umbanda.

E assim, a gente termina o episódio de hoje. Espero que vocês tenham gostado. Se gostaram, continuem acompanhando o Alma de Poeta nas principais plataformas de áudio. Nós estamos presentes no Amazon Music, Spotify, Deezer, Google Podcast, Apple Podcast, Youtube. Você pode ouvir também e mandar mensagens pelo nosso site almadepoeta.com.br e entrar em contato comigo também pelo Instagram (que é uma conta que eu criei recentemente) e pelo TikTok.

Um grande abraço, meus irmãos e minhas irmãs de caminhada! Fiquem com Deus! Que os nossos Orixás Sagrados continuem guiando e iluminando os passos de cada um de vocês.

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