Mediunidade de Transporte, Puxadas e Médiuns Impressionáveis

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Hoje, para encerrar o assunto sobre mediunidade, a gente vai conversar um pouquinho sobre a mediunidade impressionável e a mediunidade de transporte, que também é conhecida na Umbanda como “puxada” e no espiritismo kardecista é conhecida como mediunidade assistida.

Transcrição do Episódio

Olá, povo da Umbanda, povo do Axé! Bom dia, boa tarde, boa noite! Sejam bem-vindos a mais um episódio do Podcast Alma de Poeta. Dando continuidade ao assunto que a gente começou a conversar alguns episódios atrás, hoje a gente encerra o nosso bate-papo sobre os tipo de mediunidade. Quer dizer… longe de mim querer esgotar esse assunto, né? Quem sou eu para me aprofundar nessa ciência que envolve a mediunidade. A gente sempre vai ter algo novo a acrescentar sobre esse assunto, sempre teremos coisas para estudar sobre esse fenômeno. O que eu fiz, nesses poucos episódios que a gente conversou sobre isso, foi apenas dar umas pinceladas gerais para vocês. Mas se vocês quiserem se aprofundar mesmo nesse assunto de mediunidade, comecem a ler livros especializados sobre o tema. O espiritismo kardecista é muito rico nessa matéria. Existem livros excelentes que tratam sobre o assunto, de uma maneira aprofundada.

E olha, pessoal, entender a mediunidade é fundamental para quem quer ter uma conexão mais intensa com a espiritualidade. Porque, você entendendo como funciona o processo mediúnico, você vai ter uma capacidade de autocontrole muito maior. Você vai conseguir identificar as energias e as nuances que acontecem no seu corpo sutil, você vai ter uma visão muito mais abrangente da vida além da matéria física. Vale muito a pena esse estudo. Vale a pena você perder um tempo da sua vida para fortalecer o seu vínculo com a espiritualidade que te acompanha. Porque todos nós temos guias e mentores espirituais, né? Ninguém está desamparado nessa vida. Muitas vezes, a gente apenas não tem consciência de que eles estão nos ajudando. E o desenvolvimento mediúnico ajuda muito a despertar essa sensibilidade em nós, para que nós possamos perceber a influência espiritual na nossa vida.

E olha, gente, como disse o Allan Kardec, a nossa vida encarnada é influenciada pelos espíritos muito mais do que a gente imagina. Cada decisão que a gente toma, apesar de ser uma escolha individual nossa, muitas vezes tem a inspiração (positiva ou negativa) de espíritos desencarnados. Bom, para quem ainda não me conhece, para quem está caindo de paraquedas aqui nesse podcast, para quem está ouvindo pela primeira vez, meu nome é Evandro Tanaka, eu sou médium umbandista e esse podcast é o Alma de Poeta, onde a gente fala sobre Umbanda, Espiritualidade, Mediunidade e também sobre as poesias do Pai Antônio.

A gente vai começar o episódio de hoje falando sobre os médiuns impressionáveis. Essa é uma mediunidade muito comum entre as pessoas. Talvez seja a mediunidade mais comum que existe. Médiuns impressionáveis são aquelas pessoas capazes de sentir a presença dos espíritos. Elas sentem os espíritos por uma vaga impressão. É uma espécie de arrepio geral que elas sentem pelo corpo e que elas não sabem explicar direito por que acontece aquilo, o que causa esse arrepio. Bom, agora vocês sabem, né? Esse arrepio é causado por uma presença espiritual.

Quando a gente fala de médiuns impressionáveis, na verdade, a gente está falando de uma qualidade geral. Porque assim, todo mundo tem uma impressionabilidade maior ou menor. Por isso que as pessoas falam que todo mundo é médium. Às vezes a pessoa só não tem consciência disso, mas nem por isso ela deixa de ser médium. Então, a gente poderia dizer que a impressionalibilidade mediúnica é uma característica geral, enquanto que os outros tipos de mediunidade seriam uma espécie de especialização. Afinal de contas, quando você ouve, quando você vê, quando você sente cheiros, quando você identifica pensamentos ou sentimentos, isso também não deixa de ser uma sensibilidade do médium, né? Só que é uma sensibilidade mais específica que vai impressionar determinados sentidos que você tem.

E essa faculdade da impressionabilidade mediúnica se desenvolve com o hábito. Às vezes a capacidade de sentir o mundo espiritual pode atingir uma sutileza tão grande, que a pessoa dotada desse tipo de mediundade consegue reconhecer, pela sensação recebida, não só a natureza boa ou má do Espírito que se aproximou, mas também a individualidade daquele espírito. Assim como o cego reconhece, por uma capacidade que eu não sei explicar para vocês, a aproximação desta ou daquela pessoa. É nessa hora que o médium se torna, em relação aos Espíritos, um verdadeiro sensitivo. E depois que vocês começarem a desenvolver essa habilidade, vocês vão perceber que um bom Espírito produz sempre uma impressão suave, uma impressão agradável; enquanto que um mau Espírito, pelo contrário, vai produzir sempre uma sensação penosa, uma sensação angustiante. É como se o mau espírito tivesse um cheiro de impureza, sabe?

Eu entendo a mediunidade impressionável como se fosse uma espécie de tato espiritual. Tem gente que sente só um arrepio, mas ela acha que esse arrepio está vindo do próprio corpo dela. Tem outras pessoas que sentem a aproximação de uma Entidade. Ela percebe quando um espírito está do lado dela, quando um espírito está na frente, quando um espírito está atrás. E ela percebe isso pela energia da Entidade que toca o corpo astral dela. Porque não é o corpo físico que recebe a impressão direta do espírito desencarnado. É o corpo sutil do médium que percebe a presença do espírito do seu lado. E daí, o corpo sutil passa essas impressões para o corpo físico. É nesse momento que você sente o arrepio.

Isso acontece muito comigo em cemitério. É um arrepio atrás do outro quando eu entro na calunga. Cara, como tem espírito desencarnado naquele lugar! Às vezes, a gente entra no cemitério e vê aquele lugar deserto, né, aquele lugar vazio, mas você não imagina a movimentação espiritual que tem na calunga pequena. Parece até uma rodoviária aquilo: espíritos indo de um lado para o outro, espírito chegando, espírito partindo, espírito perdido. Exús e pombajiras colocando ordem, fazendo os outros espíritos respeitarem as normas do recinto, recém-desencarnados assistindo palestras, outros espíritos fazendo rodinhas de bate-papo. Gente, é uma agitação muito grande que acontece no plano astral do cemitério.

Médium que tem vidência consegue ver essa movimentação, médium que tem audiência consegue ouvir as conversas, os médiuns impressionáveis conseguem sentir a energia do ambiente. Eu conheci uma pessoa que sempre que ela entrava no cemitério, ela começava a chorar. E ela chorava sem motivo nenhum para isso, simplesmente ela começava a chorar do nada. Eu não sei se ela tinha uma mediunidade sensitiva ou se ela tinha uma mediunidade de incorporação. Mas que ela tinha uma mediunidade muito aflorada, isso ela tinha. O problema era que ela tinha medo de sentir isso, sabe? Ela não gostava de ir no cemitério porque ela sabia o que ia acontecer. E ela ficava muito desconfortável de sentir aquilo.

E falando sobre ela, eu lembrei de uma coisa. No episódio anterior, a gente conversou um pouquinho sobre mediunidade de incorporação, né? E existe um tipo de mediunidade de incorporação que alguns terreiros de Umbanda chamam de mediunidade de transporte. Outros terreiros chamam essa mediunidade de puxada. Alguns centros kardecistas chamam essa mediunidade de mediunidade assistida. Mas, enfim, o que é isso?

A gente costuma fazer puxadas na Umbanda ou transportes, dependendo de como a sua casa chama isso, em duas situações: a primeira situação é quando o médium recebe, durante a gira, um espírito sofredor. Daí o médium se contorce todo, sente dores, sente aflição, chora… O médium vai exteriorizar tudo aquilo que o espírito sofredor está passando. E olha, gente, por mais bizarra que seja essa cena, para quem está assistindo, essa é uma das maiores caridades que um terreiro de Umbanda pode fazer junto ao plano espiritual. Porque aquele espírito sofredor que está se manifestando no médium, na verdade, ele está recebendo um choque anímico para reequilibrar o seu corpo espiritual.

Então, o médium de transporte está fazendo uma caridade enorme para aquele espírito desencarnado. Porque o médium está doando o seu fluído vital para o espírito se restabelecer. E por que a gente chama isso de puxada ou de transporte? Porque o espírito sofredor não vem por vontade própria. Normalmente, esse espírito é escoltado por Entidades de Luz ou por guardiões até aquele lugar onde ele vai receber ajuda. Então, o médium puxa aquele espírito sofredor para fazer a incorporação. Por isso que na Umbanda, esse procedimento é conhecido como puxada.

E por que essa mediunidade também é chamada de transporte? Porque são os guias que transportam aquela entidade sofredora até o médium. E é muito interessante, porque esse tipo de incorporação é tratada com muito carinho pela equipe espiritual. Normalmente, o espírito sofredor é escoltado para dentro do terreiro por dois guardiões. E na hora da incorporação, esses guardiões arrastam o espírito até o médium e acoplam com muito cuidado aquela entidade sofredora nos chackras do médium. É nesse momento que o médium começa a se contorcer, começa a gritar, começa a espernear. Mas a dor e sofrimento não é dele, é do sofredor que está se manifestando.

E o cambone tem um papel fundamental nesse momento da puxada que o médium está fazendo. Porque é a oportunidade que o cambone tem de conversar com aquele espírito, de instruir, de orientar, de passar conselhos. Porque o espírito sofredor, pessoal, quando ele está no plano astral, muitas vezes ele está num estado perturbação tão grande que ele só adquire um pouquinho de lucidez quando ele recebe o choque anímico do médium.

A energia do médium, quando é uma energia boa, começa a envolver aquele espírito com amor. E aquele sentimento vai acalmando ele, vai diminuindo as suas dores, as suas angústias. E esse momento de lucidez que o espírito tem, durante puxada, é o momento que a espiritualidade usa para convidar aquele espírito para ir para lugares de restabelecimento. Vocês entendem a importância que o médium e o cambone tem nessas horas? É fundamental aproveitar aquele momento para esclarecer o espírito da situação que ele está vivendo. E tentar ajudar ele da melhor maneira possível.

Agora, tem uma segunda situação, quando acontecem puxadas, que é muito mais séria, que demanda um compromisso da casa muito grande. É quando ocorre a puxada de kiumbas. Muitas vezes, a equipe espiritual da casa permite que se manifestem kiumbas, para que a corrente mediúnica fique mais alerta da necessidade que tem de se fortalecer. E o médium de transporte que recebe o kiumba precisa ter um autocontrole muito grande. Porque o kiumba, ao contrário do espírito sofredor, ele vem revoltado, ele vem com ódio. Ele vem querendo destruir o trabalho.

Então, se o médium não tiver um autocontrole muito grande, ele vai acabar ficando desequilibrado, ele vai desequilibrar o trabalho espiritual e, se bobear, ele vai desequilibrar até as pessoas que estão sendo assistidas, porque elas vão acabar recebendo uma energia negativada.

Por causa disso, numa casa séria, dificilmente se faz uma puxada de kiumba. A não ser que exista uma situação excepcional que justifique esse tipo de procedimento. Mas normalmente não há necessidade de fazer isso. Normalmente os kiumbas são mantidos do lado de fora dos limites do terreiro.

E quando um médium recebe um kiumba, o médium precisa controlar aquela manifestação. O médium não pode dar liberdade para o kiumba fazer o que quiser, para o kiumba falar o que quiser. Normalmente, a equipe espiritual da casa, quando traz um kiumba para se manifestar na gira, traz ele acorrentado. O kiumba é colocado no aparelho mediúnico sem ter a mínima liberdade de locomoção. Justamente para o médium ter um pouco mais de conforto, de facilidade na hora da incorporação. Porque o kiumba não vai respeitar o aparelho. Na primeira oportunidade que o kiumba tiver, ele vai querer machucar, ele vai querer agredir.

Então, para você que é médium de transporte, eu digo o seguinte: confia na equipe espiritual, mas aja sempre com bom senso. Se você começar a sentir raiva, frustração, ódio durante a gira, e você tiver certeza que esses sentimentos não são seus, se conecta com os seus mentores espirituais, eleva o pensamento a Deus e pede para se tornar um instrumento dócil para aquela manifestação acontecer. E quando o espírito incorporar, segura! Não dá liberdade plena para o espírito se manifestar. Controla as palavras e controla as atitudes. Filtra, na sua mente, aquilo que você está recebendo e passa apenas o indispensável para a comunicação.

Por mais que você seja médium inconsciente ou semi-consciente, no momento da incorporação a espiritualidade te dá a lucidez necessária para você saber controlar o seu corpo. Depois, se você vai lembrar ou não do que aconteceu, é outra história. Mas naquele momento da puxada, você tem pleno controle sobre a manifestação.

E lembrem-se, pessoal, que numa puxada (seja de espírito sofredor, seja de espírito obsessor), o médium nunca vai estar sozinho. Os guardiões e os seus guias espirituais sempre vão estar do seu lado, auxiliando naquele processo de incorporação. Tá certo? Por isso que, no kardecismo, eles chamam isso de mediunidade assistida. Porque o espírito sofredor vai estar sempre acompanhado pelos mentores da casa, ou pelos guias espirituais do médium, assistindo, ou seja, auxiliando naquele processo de comunicação.

Bom, eu acho que a gente já falou bastante coisa sobre mediunidade, né? Se eu não me engano, já foram uns quatro ou cinco episódios sobre esse tema. Vocês já não aguentam mais ouvir sobre isso, né? Mas assim, se vocês tiverem alguma dúvida sobre os tipo de mediunidade que eu falei até aqui, pode entrar em contato comigo que eu vou responder com o maior prazer.

Agora, mudando totalmente de assunto, eu vou voltar para a minha praia, eu vou voltar para a Umbanda, para os trabalhos de terreiro. Você que é umbandista, principalmente você que é médium, você sabe que trabalhar em terreiro não é fácil. A gente encontra muita dificuldade de sustentar um trabalho espiritual sério.

E quando eu digo trabalho espiritual sério, eu não estou me referindo a você se identificar com o trabalho que está sendo feito, porque muitas vezes, você não vai se identificar com o trabalho, mas nem por isso, o trabalho vai deixar de ser sério. Não é porque você não se identifica com o trabalho, que o trabalho não vai ter o apoio da espiritualidade superior.

E eu digo uma coisa para os trabalhadores de uma casa espírita ou de um terreiro: da mesma maneira que a espiritualidade se anula para conseguir fazer a caridade para as pessoas, os médiuns também, aqueles que fazem parte da corrente mediúnica, também precisam aprender a anular o ego para ajudar o próximo. O médium não está na corrente para aparecer, o médium está apenas para auxiliar. Porque nos terreiros, tem muito disso, né? Tem gente que procura a Umbanda para desenvolver a mediunidade, só para alimentar o próprio ego. Ah, eu recebo o Pai Joaquim de Aruanda. Ah, eu recebo o Exú Tranca Rua da Almas. Ah, eu recebo o Caboclo Pena Branca. Tá, tudo bem! Você recebe essas entidades. E daí? São elas que vão trabalhar, não é você. A pessoa não precisa se auto-promover, dizendo que recebe essa ou aquela Entidade, só para se sentir importante. A pessoa não precisa ficar buscando a admiração das outras pessoas na hora de fazer a caridade. Porque isso não é caridade. Isso é ego. Isso é vaidade.

Você não sabe ainda qual entidade trabalha com você nas giras de Umbanda, qual entidade te acompanha nessa vida? Tudo bem! Isso não vai diminuir em nada a qualidade do trabalho espiritual que esse espírito faz.

Você quer trabalhar a sua mediunidade com os espíritos de luz? Então se diminua perante eles. Não fica se auto promovendo. Ai… hoje o meu guia falou isso, isso e isso. Ai, hoje fez isso e fez aquilo… Isso é vaidade. Isso é orgulho. Terminou a gira, se recolhe, faz uma prece de agradecimento e encerra o assunto. Umbanda é humildade, não é autopromoção.

Tem muito médium no terreiro que gosta de ficar se vangloriando, né, do que o guia faz ou do que o guia deixa de fazer. Daí eu fico me perguntando… qual é a necessidade disso? Para quê ficar batendo no peito e falando para as outras pessoas da caridade que o guia fez? Os teus guias, se forem espíritos evoluídos, vão ficar muito mais à vontade se você não falar nada. Eles gostam de trabalhar no anonimato. Espírito de luz não se envaidece perante as pessoas. E eles pedem que os seus médiuns façam a mesma coisa.

Daí, quando o dirigente toca nessa ferida, né? Porque se for um dirigente que não pactua com o comportamento vaidoso dos médiuns, mais cedo ou mais tarde esse Pai de Santo vai apontar as atitudes erradas que os filhos de santo estão tendo, daí fica aquele monte de gente melindrada no terreiro.

Ai, meu Deus, falou isso e aquilo de mim… ai que injusto. Logo eu que me dedico tanto! Ai, acho que não vou mais frequentar esse terreiro, porque o dirigente não me valoriza. Fala sério, gente! Quem tem que valorizar você é a espiritualidade. E eles vão fazer isso de acordo com a qualidade do trabalho que você entrega. Não adianta você entregar um trabalho ruim e querer ganhar confete por aquele serviço meia boca que está fazendo.

Eu vou dar um outro exemplo para vocês de experiências que eu vivencio diariamente nessas minhas andanças pela Umbanda. Tem gente que acha que… ah, se o Pai de Santo não faz ebó, se o Pai de Santo não vai fazer despacho na encruzilhada, se o Pai de Santo não vai queimar vela na cachoeira, o Pai de Santo não presta. O trabalho da casa não é forte… Será mesmo? Ou será que quem não tem força é a pessoa que está dizendo isso?

Eu, por exemplo, sou totalmente contra ficar acendendo velas em pontos de força da natureza. Daí, depois fica aquele monte de parafina sujando o ambiente, aquelas garrafas de bebidas vazias deixadas no meio da mata. Para quê isso? Você acha que o Orixá vai ficar feliz vendo você poluir aquele local sagrado? Se você é umbandista, você pertence a uma religião que enxerga o sagrado na natureza. Então, as tuas atitudes tem que estar de acordo com o respeito que natureza exige. A Umbanda é ecológica. Quando você quiser fazer uma oferenda para o teu Orixá, no ponto de força dele, pensa nisso. Pergunta para Xangô se ele vai ficar feliz de você deixar um monte de sujeira nas pedreiras… Pergunta para Iemanjá se ela vai ficar feliz de você ficar jogando lixo no mar. Pergunta para os teus guias, o que eles acham a respeito disso.

Será que é certo eu ficar poluindo a natureza quando quero ajuda para resolver os meus problemas? E aqui, a gente entra numa outra polêmica, né? Porque tem médium que acha que tudo se resolve com oferenda. Acha que pode ficar comprando favores da espiritualidade com oferendas. A gente tem que tomar muito cuidado, gente, para não fazer das oferendas uma muleta espiritual.

As oferendas que a gente faz tem uma função magística, com certeza! Oferenda é troca de energia entre você e o plano espiritual. Mas a gente não pode ficar banalizando essa ritualística. Ficar fazendo oferendas para tentar resolver as picuinhas da vida. Até porque, tem muita coisa que está acontecendo na tua vida hoje, que é resultado apenas do teu comportamento, das tuas atitudes. Não é um ebó deixado na encruzinhada que vai resolver aquilo.

Então, gente, eu sou da seguinte opinião: quer fazer uma oferenda, quer acender uma vela, faz isso de preferência na tua casa, ou no teu terreiro, na tronqueira. Eu não acho certo de ficar fazendo oferendas nas esquinas, dando trabalho para as outras pessoas limparem a sujeira que você deixa no meio da rua. Isso não é Umbanda, tá certo?

Bom, pessoal, eu vou terminando o áudio por aqui… Desculpem o meu desabafo. Eu sei que cada um tem um jeito de cultivar a religiosidade, cada um tem as suas crenças, a gente precisa respeitar. Mas eu tenho uma certa dificuldade de respeitar pessoas que não respeitam a natureza, pessoas que não respeitam os animais, ou pessoas que não respeitam a própria coletividade onde elas estão inseridas.

Esse é um ponto que a gente precisa refletir para ir melhorando as nossas atitudes.

Um grande abraço para vocês, fiquem com Deus. Que o nosso Pai Oxalá continue iluminando a vida de todos.

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