Dúvidas sobre Mediunidade

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Nesse episódio, nós vamos tentar responder as dúvidas de duas ouvintes do podcast. A primeira dúvida é com relação à mediunidade de vidência e audição. E a segunda dúvida é referente aos arrepios que nós sentimos quando ouvimos ou assistimos algo que nos impressiona. Vamos ouvir?

Transcrição do Episódio

Olá, meus irmãos e minhas irmãs de fé! Bom dia, boa tarde, boa noite, boa madrugada a todos! Eu peço ao nosso Pai Olorum que esse episódio possa chegar ao ouvido de vocês e encontrar todo mundo bem! Eu queria aproveitar o episódio de hoje, já faz um tempinho que eu não faço isso, para compartilhar com vocês algumas mensagens das pessoas que nos acompanham e tirar algumas dúvidas. Quer dizer, eu sempre respondo as dúvidas do pessoal que manda mensagem para mim, né? Mas as dúvidas de assuntos particulares eu acabo respondendo apenas pelo whatsapp. Eu não vou ficar publicando questionamentos da vida privada, da vida particular de ninguém aqui no Podcast. Podem ficar tranquilos com relação a isso. Mas, de vez em quando, eu escolho uma ou outra dúvida que eu acho pertinente que seja compartilhada, porque pode ser a dúvida de outras pessoas também. Mas eu sempre vou pedir autorização da pessoa que me mandou a mensagem antes de publicar. Está certo? Para quem não me conhece, meu nome é Evandro Tanaka, eu sou médium umbandista e nesse Podcast a gente fala sobre Umbanda, Espiritualidade, Mediunidade e também sobre as poesias do Pai Antônio.

A primeira dúvida que eu compartilho com vocês foi mandada pela Weulla. A Weulla que mora na cidade de Catalão, em Goiás. Vamos lá, Weulla! Solta a voz, manda a sua dúvida para gente!

[Áudio da Weulla-01]

Muito legal a sua pergunta, Weulla! O que vocês acham? A mediunidade de clarividência e clariaudiência pode ser desenvolvida no decorrer da vida ou a pessoa tem que nascer com esse dom?

Segundo relatos da própria espiritualidade, a mediunidade ostensiva que algumas pessoas tem, que a gente chama de mediunidade de trabalho, é uma condição orgânica. Tem gente que já nasce com essa mediunidade aflorada. Geralmente são pessoas que se comprometeram, no plano astral, a usar esse dom para ajudar outras pessoas. E os médiuns que nascem com essa faculdade aflorada, eles conseguem perceber nitidamente o mundo espiritual desde pequenos. São aquelas pessoas que já nascem com uma determinada missão mediúnica.

Na verdade, eu disse que essas pessoas conseguem interagir com o mundo espiritual desde pequenos, mas eu estava ouvindo aqui a Yarin soprando no meu ouvido que todas as crianças pequenas conseguem ter uma percepção mais aguçada do mundo espiritual. Porque quando a criança ainda é pequena, o espírito dela ainda não está totalmente acoplado no corpo físico. E por essa razão, a criança tem uma percepção muito maior do plano astral.

A partir do momento que a criança vai crescendo e o espírito dela vai acoplando no corpo físico, essa mediunidade vai se fechando naturalmente. E na maioria dos casos, a mediunidade se fecha totalmente após os sete anos de idade. Só que, em algumas pessoas, que possuem um compromisso mediúnico, essa mediunidade permanece aberta. Mesmo o espírito da pessoa tendo encaixado perfeitamente no corpo físico, ela vai continuar tendo um contato mais intenso com o mundo invisível. Essas pessoas são aquelas que vão possuir uma mediunidade ostensiva ao longo da vida.

Então, Weulla, o primeiro ponto: a pessoa nasce com esse dom de ver e ouvir espíritos? Sim! Na maioria dos casos é uma condição orgânica pré-estabelecida pela equipe espiritual que cuida da evolução daquela pessoa.

Mas pode acontecer uma segunda hipótese: A pessoa sofre um acidente ou a pessoa fica gravemente doente e, em decorrência desse acidente ou dessa doença, ela começa a ver e ouvir espíritos. Mas perceba que nesse caso, também vai ser uma condição orgânica da pessoa, que pode ser uma condição permanente ou temporária. Quantos e quantos casos que nós vemos, de pessoas gravemente doentes, que conseguem ver, ouvir e conversar com entes queridos que já partiram? A literatura espírita está cheia desses exemplos.

E para esse tipo de pessoas, pode acontecer duas situações: Ou a mediunidade vai se fechar naturalmente, depois de algum tempo, ou ela vai permanecer aberta. Isso também vai depender muito da programação cármica que aquela pessoa tem que passar aqui na Terra.

Pode acontecer uma outra situação. Por exemplo, se a pessoa usar drogas muito fortes, durante um período prolongado da vida, pode acontecer dessas drogas destruírem a tela búdica daquela pessoa. Lembra que eu já falei lá atrás, sobre tela búdica? Se vocês não sabem o que é a tela búdica, ouçam o episódio 20 que lá eu falo um pouco a respeito dela.

Mas, voltando na sua dúvida aqui, Weulla. Quando a pessoa abre a mediunidade dela, por meio de drogas, destruindo a tela búdica, na maioria das vezes, essa pessoa fica extremamente perturbada. Porque ela vai ver o que de pior existe no plano astral. Ela vai desequilibrar a mente, ela vai desequilibrar as emoções e ela vai diminuir muito a vibração espiritual dela, dando espaço para que espíritos, tão viciados quanto ela, se aproveitem da situação. Definitivamente, não vale a pena abrir a mediunidade por meio de drogas. Muitas pessoas acabam enlouquecendo com isso. Porque elas não estão preparadas, né? Elas não estão preparadas para enxergar a realidade do baixo-astral.

E, por fim, existe uma outra maneira de você desenvolver a sua clarividência e a sua clariaudiência, que é por meio da sua elevação moral e elevação espiritual. Nesse caso, a sua tela búdica vai se tornar mais fina, mas ela não vai se destruir como acontece com as drogas. Quando você lapida o seu espírito, a sua tela búdica se torna menos opaca, ela se torna mais transparente, dando condições para que você veja e ouça o mundo espiritual. E nesse caso, a sua recompensa vai ser muito grande, porque você vai estar em contato direto com espíritos elevados. Afinal de contas, você desenvolveu a sua mediunidade pelo esforço de se auto-melhorar, pela sua reforma íntima.

Só que assim, eu digo uma coisa… esse processo de purificação do próprio espírito não acontece numa única vida. É necessário várias encarnações para que isso aconteça, para que o seu espírito elevado possa transformar a condição orgânica do seu corpo físico. Nós precisamos de várias encarnações para deixarmos a nossa tela búdica um pouco mais transparente.

Então, não vai pensando… “Ah, se eu for uma pessoa boazinha, eu vou conseguir enxergar e ouvir os meus mentores espirituais”. Não é assim que funciona. Com certeza, você vai conseguir sentir a presença deles muito mais atuante na sua vida, mas não necessariamente, você vai conseguir ver e enxergar como você gostaria. Como eu disse para vocês, esse é um processo de muitas vidas.

Então, respondendo a segunda parte da sua pergunta: Não! A pessoa que não tem essa predisposição orgânica para ver e enxegar espíritos, dificilmente vai conseguir desenvolver isso ao longo de uma única vida. Mas as pessoas que já nasceram com essa faculdade mediúnica, sim, elas vão conseguir aprimorar cada vez mais esse dom de enxergar e ouvir espíritos.

Está certo, Weulla? Obrigado pelo seu contato, por você acompanhar o nosso podcast. Eu gostei muito da sua pergunta. E agora, vamos passar para a pergunta…

Quem mandou essa pergunta foi a Cida, do Rio de Janeiro.

[Áudio da Cida]

Um abraço para você também, Cida! E obrigado por compartilhar essa dúvida com a gente. Realmente, essa sua pergunta pode ser a dúvida de muitas outras pessoas. Como eu disse lá no espisódio que a gente conversou sobre a impressionalibilidade mediúnica, essa é uma faculdade que muitas pessoas possuem. Algumas sentem mais, outras sentem menos. Mas vamos lá… É muito interessante esse seu questionamento.

Como eu já conversei com você em particular, pelo whatsapp e agora eu estou compartilhando esse meu pensamento com o todo mundo aqui do Podcast, o que eu posso dizer para você, Cida, num primeiro momento, pelas impressões que eu tive com o que você falou, é que você, realmente é uma pessoa muito impressionável. Impressionável que eu digo, não apenas no sentido mediúnico do termo, de possuir essa faculdade latente dentro de você, mas também no sentido de você se envolver muito com as histórias ou com o ambiente onde você está.

Como você mesma disse, você se impressiona muito com as histórias que você ouve, até mesmo pelo telefone ou assistindo filmes, né, chegando ao ponto de se arrepiar toda. Isso já demonstra que você é uma pessoa muito sensitiva. E como eu disse antes, você só precisa aprender a desenvolver e a controlar isso. Se essa mediunidade sua for trabalhada da maneira certa, você com certeza vai começar a identificar nuances do mundo espiritual com muito mais clareza.

E como é que você faz isso? Pelo autoconhecimento! A impressionabilidade mediúnica, no início, é muito sutil. Você simplesmente vai se arrepiar e não vai entender o por que que isso está acontecendo. Só que se você começar a interpretar esses arrepios que você sente, a racionalizar essa sensação, com o tempo, você vai ter a possibilidade de identificar melhor duas situações: as impressões que nascem diretamente dentro da sua mente e as impressões que vem do plano espiritual.

Vamos falar um pouco sobre a primeira situação, sobre os arrepios que nascem por uma construção da nossa própria mente. A gente sabe que o nosso cérebro é um instrumento muito poderoso, né? E o cérebro fica constantemente enviando comandos mentais para o nosso corpo físico. Mas o cérebro em si, principalmente o nosso subconsciente, não consegue distinguir o que é realidade e o que é imaginação. Daí o que acontece? Chega uma informação na sua mente, seja por palavras, seja por imagens, e a sua mente vai fazer uma construção daquilo e jogar no seu inconsciente. E o seu inconsciente vai reagir, vai interpretar aquilo como se fosse uma realidade que está acontecendo na sua vida e vai mandar de volta estímulos para o seu corpo. É quando você vai sentir aqueles arrepios.

Então, nessa primeira situação, apesar de você estar usando da sua condição orgânica e mental, altamente sensitiva, não necessariamente você vai estar em contato com uma Entidade desencarnada. O arrepio que você sente, nesse caso, vai ser apenas um reflexo da sua construção mental.

Por outro lado, existem outros estímulos que não são originados na sua mente. É o que a gente chama de estímulos externos. Por exemplo, às vezes você está estudando ou você está trabalhando ou está fazendo uma caminhada, com o pensamento totalmente alheio a qualquer coisa que possa te impressionar. E mesmo assim, você sente aquele arrepio. Perceba que, nesse caso, não houve uma construção mental sua. O estímulo simplesmente apareceu. Você sentiu aquele arrepio do nada. Esse é um caso típico de mediunidade impressionável. E quando acontece isso, muito provavelmente, você sentiu a vibração, ou de uma Entidade desencarnada, ou simplesmente você captou uma determinada energia que estava no ambiente.

Mas assim, essa impressionabilidade interna ou externa, no início é muito difícil de identificar. Até porque, muitas vezes elas vão estar relacionadas. Às vezes, a gente passa por determinadas situações que agem como uma espécie de gatilho para despertar essa sensibilidade que você já carrega. E nas pessoas muito impressionáveis, o medo e o susto podem agir como um gatilho para que você amplifique essa sua sensibilidade.

Eu conheci uma pessoa, quando eu era adolescente, que adorava assistir filmes de terror. Ela tinha verdadeira paixão por filmes de terror. Só que, ao mesmo tempo, ela morria de medo de assistir esses filmes, porque sempre que ela assistia, ela começava a ver vultos andando pela casa. Ela pensava que esses vultos era coisa da imaginação dela, só que essas sombras que andavam pela casa tinham vontade própria. Eram vultos que não se submetiam ao controle da imaginação e do pensamento dela. Mas, enfim, o que eu quero dizer para você é o seguinte: essa pessoa tinha um determinado grau de mediunidade que aflorava quando ela sentia medo. O medo era um catalizador que amplificava aquela habilidade que ela já possuía. Lógico, no caso dela, não era uma mediunidade impressionável. Era uma mediunidade clarividente. Mas o princípio é o mesmo.

Então, quando você se impressiona muito com uma história ou com uma cena, dependendo da sua sensibilidade, você realmente consegue captar, de uma maneira mais intensa, as impressões do mundo espiritual.

Mas vamos simplificar isso, só para ficar fácil de entender. O arrepio que você sente pode ter um fator interno ou um fator externo. Se for um fator interno, muito provavelmente, esse arrepio é consequência de uma construção da sua mente. Se for um fator externo, esse arrepio vai estar relacionado com uma manifestação espiritual. Mas em qualquer uma dessas duas situações, existe a necessidade de você ter uma condição orgânica favorável para que esse fenômeno aconteça. Geralmente, quem tem facilidade de se impressionar com estímulos internos, também tem uma facilidade maior de desenvolver a impressionabilidade mediúnica.

Vamos fazer uma comparação dessa impressionabilidade mediúnica com uma coisa mais palpável para a gente. A sexualidade. Eu sei que esse é um exemplo meio nada a ver, mas é uma maneira que eu encontrei de tentar explicar isso. Imagina o seguinte: Uma pessoa pode ficar excitada sexualmente de duas maneiras: ela pode se excitar pela própria imaginação. No caso, isso seria um estímulo interno dela, ou seja, a própria mente dela enviaria comandos para o corpo para produzir aquele estado de excitação.

Ou então, a pessoa pode ficar excitada com o toque ou com a carícia de uma outra pessoa. Daí, nesse caso, o estímulo vai ser externo. Vai ser um toque externo que vai despertar aquele comando no seu corpo. Você está percebendo que, das duas maneiras, a pessoa vai ficar excitada? Porque o corpo dela tem essa capacidade de excitação. É uma condição orgânica da pessoa. A única coisa que vai diferenciar é que às vezes o estímulo é interno (a própria pessoa que produz esse estímulo, através da imaginação) e às vezes o estímulo é externo, provocado por uma outra pessoa.

Com a mediunidade impressionável é a mesma coisa. Você só precisa aprender a identificar quando o estímulo está vindo de um espírito desencarnado e quando o estímulo está vindo da sua própria mente. E para isso você tem que prestar muita atenção nesses gatilhos que eu falei. Se teve um gatilho mental que fez disparar o arrepio em você, como é o caso das histórias que você ouve ou dos filmes que você assiste, então muito provavelmente a origem desse estímulo está dentro da sua mente. Nesse exemplo doido que eu fiz da sexualidade, é como se fosse uma autoexcitação. Mas, se do nada, você está tranquila, na sua casa, no seu trabalho, fazendo os seus afazeres diários e sente um arrepio, sem gatilho emocional nenhum, daí muito provavelmente, esse é um estímulo externo que está sendo provocado por uma outra consciência. No exemplo da sexualidade, é como se alguém estivesse excitando os seus sentidos. Porque você nem estava pensando nisso, né? O espírito se aproxima de você e você sente a presença da Entidade por meio do arrepio. E é lógico, isso de você não saber se o arrepio foi provocado pela sua mente ou por alguma manifestação espiritual, você só vai conseguir identificar com o tempo, com muita prática, com muita reflexão.

Bom, acho que já falei demais por hoje. Eu espero que eu tenha conseguido esclarecer um pouquinho a dúvida de vocês. Obrigado, Weulla, por ter enviado a sua dúvida. Obrigado Cida por ter compartilhado também o seu questionamento. Eu fico muito feliz com a participação de vocês no podcast, contribuindo para que a gente possa ir aprendendo juntos, para que a gente possa trocar conhecimentos e trocar experiências.

E se vocês gostaram do episódio de hoje, não deixem de ouvir os outros episódios do Alma de Poeta. Acompanhem a gente pelas plataformas de áudio. Você pode ouvir o podcast pelo Deezer, Amazon Music, Spotify, Google Podcast, Apple Podcast, Youtube. E também acessando diretamente o nosso site: almadepoeta.com.br. Entrem lá, mandem uma mensagem para mim, compartilhem as suas dúvidas, as suas experiências, mandem sugestões. Eu fico muito feliz com a participação de vocês. Um grande abraço a todos, que o nosso Pai Oxalá os abençoe e até o nosso próximo encontro!

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