Dirigentes de Mau Caráter

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O fato de uma pessoa estar numa religião não significa que ela incorporou na vida dela os valores que aquela religião carrega. E isso acontece, não só nos Terreiros, mas também nas Casas Espíritas, nas Igrejas, nos Ilês, nos Templos… A gente não pode esquecer que as religiões foram criadas pelos homens e são conduzidas por homens.

Transcrição do Episódio

Olá, povo do Axé! Meus irmãos e minhas irmãs de Podcast! Bom dia, boa tarde, boa noite! Sejam muito bem vindos a mais um episódio do Podcast Alma de Poeta! Meu nome é Evandro Tanaka, eu sou médium umbandista e esse canal foi criado para conversarmos sobre Espiritualidade, Mediunidade, sobre Umbanda. Além, claro, das maravilhosas poesias passadas pelo nosso querido Pai Antônio.

Nesse episódio, eu queria falar uma coisinha para vocês. Ultimamente, com o crescimento do Podcast, eu tenho recebido muitos questionamentos de ouvintes sobre determinados comportamentos e atitudes de dirigentes espirituais (pais de santo, mães de santo, balaroxiás, ialorixás) e até mesmo comportamentos de médiuns da corrente e cambones.

Olha, gente… O que eu tenho para dizer para vocês é o seguinte: O fato de uma pessoa estar numa religião não significa que ela incorporou na vida dela os valores que aquela religião carrega. E isso acontece, não só nos Terreiros, mas também nas Casas Espíritas, nas Igrejas, nos Ilês, nos Templos… A gente não pode esquecer que as religiões foram criadas pelos homens e são conduzidas por homens. E a humanidade é muito falha, não é verdade? Nós somos espíritos ainda muito endividados com o nosso próprio karma. E isso acaba se refletindo na forma de escândalos que vira e mexe a gente ouve por aí.

Porque, apesar de todas as religiões terem sido criadas pelo ser humano como forma de se ligar ao Sagrado, a gente sabe que, em alguns lugares, não é isso o que acontece, né? Eu já ouvi a história de monges com comportamentos desvirtuados, de dirigentes espíritas, de Pais de Santo, de Padres com desvios de conduta. Isso acontece em todas as religiões e infelizmente, a Umbanda não fica fora disso. Nem a Umbanda, nem o Candomblé, nem o Catolicismo, nem o Budismo, nem o Islamismo… nenhuma religião está isenta de ter algum tipo de escândalo entre os seus representantes.

Eu queria que vocês entendessem que estar numa religião não significa que a pessoa carrega os valores daquela crença. Eu já conheci muito umbandista que deveria ter vergonha de se considerar umbandista, pelas condutas que ele tem na vida. Da mesma maneira, deve acontecer em outras religiões, não é? Quem nunca viu no noticiário escândalos sexuais envolvendo a Igreja Católica? Ou então pastores evangélicos que só querem saber de extorquir dinheiro dos seus fiéis? Ou promiscuidades que acontecem dentro de conventos? Isso gente, eu repito: é do ser humano e não tem nada a ver com religião.

Com relação à Umbanda! Às vezes eu fico sabendo de cada história que me deixa enojado. Eu fico pensando como as pessoas conseguem se animalizar tanto! E o pior de tudo, de usar o nome da Espiritualidade ou o nome de Deus para conseguir satisfazer os seus desejos mesquinhos! Lógico, existem pessoas boas! Existem sacerdotes, sacerdotisas, pastores, pais de santo e mães de santo de bom caráter, que carregam os princípios e os valores da religião que eles seguem, pessoas que se fazem respeitar pelo cargo que ocupam. Esses dirigentes espirituais têm como função principal indicar o caminho àqueles que têm fome do saber espiritual.

Eu mesmo tive o privilégio de estudar a Umbanda e de aprender sobre espiritualidade com pessoas sérias, pessoas que deixavam os seus interesses particulares de lado para praticar a caridade verdadeira, levar o amor ao próximo de uma maneira altruísta. E é exatamente essa mesma conduta que eu tento aplicar hoje, na minha vida. Falar sobre Espiritualidade e Umbanda de uma maneira que os meus guias espirituais não se envergonhem de mim.

Por outro lado, existem também representantes que acabam denegrindo a imagem da religião que eles dizem seguir. São pessoas que usam o “cargo” que possuem ou um suposto “poder” ou “autoridade”, dentro do seu segmento religioso para receber favores, para receber pagamentos, presentes, aproveitando-se muitas vezes da ingenuidade ou da fragilidade emocional dos seus seguidores. Eu já ouvi relatos de pessoas que foram extorquidas financeiramente, de pessoas que foram enganadas e até mesmo agredidas sexualmente por dirigentes religiosos inescrupulosos e de mau caráter. E olha, pessoal, são vocês como frequentadores, como discípulos, como seguidores que podem coibir esse tipo de abuso. Mas para isso, vocês precisam ter a consciência despertada, vocês precisam adquirir conhecimento. Lembrem-se das palavras do Cristo: “Conheceis a Verdade e a Verdade vos libertará!”. Como diz a Bíblia, nós devemos ser prudentes como as pombas e espertos como as serpentes!

Só assim, esses dirigentes criminosos que usam a religião para persuadir as mentes mais fracas, que usam a religião para aprisionar pessoas mais frágeis emocionalmente, não vão mais conseguir atingir os seus objetivos escusos. As pessoas que buscam ajuda espiritual ou orientação em um Terreiro, não podem cair na mão desses verdadeiros kiumbas encarnados que só pensam no próprio umbigo e usam o nome da espiritualidade para fins egoístas. A gente precisa mudar isso!

Às vezes, você vê um dirigente espiritual carismático, que cativa as pessoas com suas pregações religiosas, que fala em nome de Deus, mas que acaba controlando tudo com mãos de ferro. Vocês já tiveram essa experiência? Nesses lugares, qualquer coisa que vocês estiverem precisando, é o dirigente quem faz! Ele não permite que mais ninguém faça! Ele tenta centralizar o poder dele ao máximo para que outras pessoas não aprendam o que ele sabe fazer. Gente, isso é ridículo! O conhecimento passado pela espiritualidade deve ser difundido para todos. Como dizia Jesus: “mais importante do que dar o peixe é ensinar a pessoa a pescar.”

E olha só que engraçado… Coincidentemente, muitos desses dirigentes que gostam de centralizar o poder em si mesmos, falam sempre em punição. Vocês já perceberam isso? Ah, se você não fizer isso, a Espiritualidade vai te punir, as Entidades vão te punir, você vai receber um castigo dos Orixás, você vai receber um castigo de Deus. Gente, isso não existe! Espíritos de Luz, comprometidos com o bem não punem ninguém porque deixou de fazer alguma coisa. Muito menos Orixás, muito menos Deus!

Esses dirigentes bandidos dizem assim: “Olha, se você não me der cinco mil reais para eu fazer esse trabalho aqui, tua vida vai andar para trás”. Fala sério, né? Em vez de você dar cinco mil reais para um picareta desses, pega esse dinheiro e faz caridade, ajuda as pessoas que cruzam o teu caminho. Daí sim, você vai sentir a presença de espíritos de luz que vão fazer a tua vida andar para frente.

Teve uma pessoa que me procurou um tempo atrás, que por motivos óbvios, eu não vou nem falar o nome nem o local onde mora, que ela chegou para mim e perguntou assim: “Evandro, eu não entendo muito de Umbanda, por isso eu queria tirar uma dúvida com você”. É normal ter relações sexuais com trabalhadores ou com o dirigente da casa?” Daí, de início eu não entendi muito bem a pergunta, né? Eu achei que ela estava se envolvendo com algum médium da corrente, sei lá… Só que depois, ela explicou para mim que o Pai de Santo (entre aspas, né) porque de Pai de Santo não tem nada, atendeu ela numa consulta e disse que ela estava com um encosto, que estava carregada, que tinha um espírito obsessor do lado dela. E que ela só conseguiria tirar esse espírito obsessor se ela dormisse com o Pai de Santo durante três noites (e não era só dormir não, viu gente, ela tinha que fazer outras obrigações durante a noite também. Vocês imaginam quais obrigaçõe seriam essas, né?).

Olha só o absurdo! Olha só o perigo que essas pessoas desprecavidas correm com esses bandidos que usam a religião para enganar. Claro, depois eu orientei ela direitinho, falei para ela não voltar mais naquele lugar, para ela procurar um local de trabalho espiritual sério. E se viessem mais propostas indecorosas daquele tipo, que ela denunciasse esse Pai de Santo de araque para as autoridades.

E é engraçado, gente, que eu falando isso para vocês, parece um absurdo que pessoas caiam nesse tipo de golpe, né? Mas, acreditem, acontece muito! Com mais frequência do que vocês imaginam! Porque esses dirigentes criminosos têm uma lábia muito boa! Eles sabem engambelar as pessoas como ninguém! Eles envolvem a pessoa de uma tal maneira que ela não consegue se libertar. A pessoa fica prisioneira do medo, das ameaças veladas que o dirigente faz para ela. O dirigente fala que ela vai perder tudo na vida, que ela vai perder as pessoas que ela ama, que a vida dela vai piorar. Só que isso tudo é ladainha para o criminoso conseguir o que ele quer. E sabe o que esse tipo de pessoa inescrupulosa quer tirar de você? Duas coisas apenas: ou ela quer dinheiro ou elas quer favores sexuais. Todas as chantagens emocionais se resumem a isso.

Então, se algum Sacerdote de Umbanda pedir para você dinheiro para fazer ou desfazer algum tipo de trabalho espiritual ou, pior ainda, se ele pedir favores sexuais, vai embora daquele lugar e não volta mais! Aquela pessoa não presta e com certeza não trabalha com a espiritualidade de luz da Umbanda.

Mas assim, pessoal, antes que venha um monte de candomblecista me cornetar aqui disso que eu estou falando, dessas cobranças que existem, eu quero dizer para vocês que eu estou falando de Umbanda, tá bom? Porque a Umbanda é a manifestação do Espírito para a caridade. E onde há caridade, não há cobrança de qualquer espécie. Agora, se no Candomblé, eles cobram para fazer trabalhos, ou se eles cobram para fazer obrigações, ou se eles exigem pagamento para determinados rituais, eu quero deixar bem claro que isso não é Umbanda, tá certo? Se o Candomblé faz isso, eu não tenho o direito de falar ou criticar uma religião da qual eu não pertenço. Candomblé é Candomblé, Umbanda é Umbanda.

Está certo, gente? Então, você que está procurando um terreiro de Umbanda para começar a frequentar, toma muito cuidado com essas armadilhas, toma muito cuidado com essas pessoas sem caráter que usam a religião para fazer coisas erradas. Se você está na dúvida se um lugar é ruim ou se um lugar é bom, começa a prestar atenção nas atitudes dos médiuns da corrente, principalmente quando eles estão incorporados. Se você for passar em atendimento, presta atenção nas palavras, nos conselhos que você vai receber da Entidade comunicante. Como dizia Jesus, a árvore, você conhece pelos frutos. Uma árvore boa não pode dar maus frutos, uma árvore ruim não pode dar bons frutos. É simples assim!

Presta atenção, principalmente, na conduta do dirigente espiritual. O que ele faz durante os trabalhos, o que ele pede para os assistidos ou para os trabalhadores. Essa observação que a gente faz no início é muito importante para você saber se um lugar é bom ou não de frequentar.

E olha, eu como umbandista, eu costumo orientar o seguinte para as pessoas que vão visitar um lugar novo: faz uma firmeza na sua casa, para o seu anjo-da-guarda, um pouco antes de você fazer a visita. Pede proteção para os teus guias espirituais, pede proteção para os Orixás e vai na fé! Vai com o coração aberto e com a mente conectada em Deus!

Por que eu acho importante vocês fazerem isso antes de vocês visitarem um terreiro pela primeira vez? Porque se aquele terreiro tiver uma energia pesada, se aquele terreiro trabalhar com espíritos sem luz, descomprometidos com o bem, aquela energia não vai ficar impregnada em você. Porque você vai estar sendo amparada por Entidade sérias, que querem o teu bem e que vão te proteger. Então, a tua conduta certa também é importante para que você não se envolva nas artimanhas das trevas.

Está certo, gente? Agora, vamos mudar de assunto para tirar uma dúvida? A Priscila entrou em contato comigo pelo Instagram e fez um questionamento que eu achei muito interessante, que talvez seja a dúvida de outras pessoas.

A Priscila escreveu o seguinte: “Oi Evandro, boa tarde! Tudo bem? Estou te seguindo há um tempo, pois a pouco tempo tenho ido a um terreiro de Umbanda. Eu tenho uma dúvida que tem me deixado um pouco insegura. Fui crente há 14 anos e eu era assídua. Trabalhei muito com a parte espiritual da igreja: aquela parte do espírito santo e de expulsar demônios…

Hoje, eu indo no terreiro, eu fico me perguntando… E as Entidades que eu expulsei da vida das pessoas? E as libertações que eu fiz, até em famílias inteiras e hoje são essas entidades que estão me ajudando? Juro que estou em parafuso. São as mesmas Entidades? Como que dentro da igreja, as pessoas que vão, estão passando por uma vida tão miserável e nos terreiros são essas Entidades que nos ajudam, que nos orientam com tanto amor e sabedoria? Como que pode haver dois extremos completamente diferentes dos mesmos espíritos? Às vezes eu fico constrangida… Será que eu fiz algum mal a eles? Desculpe te mandar essa mensagem, mas eu estou entrando em parafuso com isso… Se você puder me ajudar, eu ficarei imensamente feliz!

Vamos lá, Priscila! Pelo que você me contou, você era evangélica e há pouco tempo começou a frequentar um terreiro de Umbanda. E você se surpreendeu porque muitos espíritos que são “expulsos”, entre aspas, dos cultos evangélicos, porque lá eles são taxados como demônios, como espíritos do mal, na Umbanda eles se apresentam como o Povo da Esquerda, como Exús e Pombajiras. E como você mesma disse, eles vem ajudar, eles vem orientar, sempre com amor e sabedoria. Como pode acontecer uma coisa dessas? Eu entendo a sua dúvida, porque eu também ficaria perdido, sem saber o que pensar. Será que existem categorias de espíritos que podem prejudicar as pessoas, em determinadas situações e depois, em outros momentos, fazer o bem?

Bom, primeiro a gente tem que entender que toda religião, independente de qual seja, está sempre amparada por bons espíritos. Não interessa se ela acredita ou não nesse tipo de amparo espiritual. O fato é que os espíritos superiores ajudam, independente da fé que a pessoa professa. Às vezes, a pessoa não tem nem uma fé específica, mas se ela tem uma boa conduta, se ela tem um bom coração, a espiritualidade de luz está lá ajudando ela.

Você disse que trabalhou na parte espiritual da igreja, né? Se conectando com o Espírito Santo para expulsar os demônios. Provavelmente, você já deve ter visto muita coisa. Você já deve ter visto muitas pessoas tendo incorporações durante o culto, dentro da igreja. Apesar de que lá eles não usam esse termo “incorporação”, né? Me corrija se eu estiver errado, Priscila, porque eu não sei direito a terminologia que os nossos irmãos evangélicos usam para esse tipo de fenômeno. Assim como também eu acho que eles não usam a palavra mediunidade. Mas, enfim… Você tem razão quando diz que os espíritos são os mesmos! Muitas Entidades que se manifestam dentro das igrejas evangélicas são os mesmos espíritos que trabalham na Umbanda. Então, qual é a diferença? É a oportunidade que o local dá para aquele espírito se manifestar.

Muitas vezes, um Exú ou uma Pombajira está acompanhando uma pessoa e vê que essa pessoa está passando por um determinado desequilíbrio na vida dela, seja no âmbito pessoal, profissional, amoroso, enfim… O espírito que está acompanhando, percebe que a pessoa precisa se fortalecer na fé, por exemplo… Daí, o que acontece, ele vai começar a agir na vida daquele pessoa, todos os dias, de uma maneira boa ou de uma maneira ruim, até que a pessoa se decida a procurar um templo religioso. E para o Exú, não interessa se a pessoa vai na Igreja, no Culto, no Ilê, no Terreiro… O objetivo principal daquele espírito é que a pessoa se fortaleça na fé.

Daí, o que acontece? A pessoa, por uma questão de afinidade ou por orientação familiar ou por conselhos de amigos, resolve procurar uma Igreja Evangélica. E o espírito está lá, acompanhando ela, contente por ela ter tomado aquela decisão.

E no meio do culto, o Exú que está acompanhando aquela pessoa resolve agir. Ele fala assim: “Bom, essa pessoa pessoa precisa fortalecer a fé dela. Vamos ver se ela vai ou não vai acreditar em mim agora.” E ele incorpora naquela pessoa, fazendo o papel que aquela coletividade religiosa acredita. “Ah, vocês pensam que e sou o demônio? Então, como demônio eu agirei.” E ele incorpora, e ele fala um monte de palavras de impacto, que vão chocar os presentes. Porque ele está pouco se lixando se as pessoas acham que ele é o demônio. A única coisa que ele quer naquele momento é despertar a religiosidade naquelas pessoas.”. Vocês entendem? Vocês conseguem perceber o amor incondicional que uma Entidade tem, chegando ao ponto até de se fazer passar por um espírito ruim, apenas para despertar ou fortalecer a fé em Deus?

Muitas vezes é isso o que acontece dentro de um culto evangélico. São guias protetores que estão acompanhando as pessoas, que sabem que não vão ser bem recebidos naquele local, mas que mesmo assim fazem o papel que eles tem que fazer. E olha, eles não são bem recebidos pelos encarnados, tá? Porque a equipe espiritual da casa recebe esses espíritos da Linha da Esquerda com muito amor, com muito respeito.

Mas lógico, esse exemplo que eu passei para vocês é apenas uma das hipóteses do que pode acontecer. As variações são infinitas tá? Pode acontecer também, num outro extremo, da pessoa que vai lá no culto, realmente estar sendo acompanhada de um espírito ruim, de um espírito obsessor. Mas nesse caso, não vai ser nem um Exú, nem uma Pombajira. Vai ser um espírito sem luz, que na Umbanda, a gente chama de Kiumba. E quando a pessoa incorpora um Kiumba, realmente os Evangélicos tem muita razão em dizer que aquele espírito é um demônio, porque realmente aquele espírito trabalha para as trevas, sem qualquer tipo de moral, sem qualquer tipo de ética, sem qualquer comprometimento com o bem.

E como você distingue se está recebendo um Kiumba ou se está recebendo um Exú? Pela vibração do Espírito. Depois que você desincorporar, se você recebeu um Exú, você vai estar se sentindo bem, você vai estar se sentindo aliviada, você vai estar se sentindo leve. Porque o Exú vai levar toda a energia pesada que você carregava embora. Agora se você recebeu um Kiumba, mesmo depois que esse Kiumba desincorporar, você vai sentir uma energia pesada, opressora. Durante a incorporação de um Kiumba, você sente raiva, você sente rancor, você sente orgulho e vaidade. Porque o Kiumba vibra no ódio, enquanto que o Exú vibra no amor.

Mas daí, muitas pessoas podem ficar na dúvida, né? Porque se elas prestarem atenção apenas no palavreado, elas não vão saber identificar muito bem quando é um Kiumba, quando é um Exú. Porque o Kiumba, apesar dele ser um espírito mal, às vezes ele pode tentar enganar, falando palavras boas. Só que essa fala boa não se sustenta por muito tempo. O Kiumba, uma hora ou outra, acaba caindo em contradição.

E por outro lado, um Exú, apesar de ser um espírito de luz, muitas vezes ele tem um desbocado, debochado, fala palavrão, faz piadinha. Então, gente, o palavreado não é parâmetro para vocês identificarem se é um espírito bom ou se é um espírito ruim. O parâmetro principal que vocês tem que levar em conta é a vibração que o espírito deixa no ambiente. Tá certo?

E olha, Priscila. Você disse que entra em parafuso, né, com esses questionamentos. Mas fica em paz. Porque a Espiritualidade sabe o que faz. Os Espíritos que trabalham nas Igrejas Evangélicas são preparados para lidar com aquela situação. Muitas vezes, eles são ridicularizados pelo Pastor, eles são chamados de demônios, eles são mal recebidos no local, mas como eu disse para você antes, isso para eles é o que menos importa. Do lado de lá, na Espiritualidade, eles dão risada desse comportamento das pessoas encarnadas.

Então, não pense que você ofendeu o Povo da Esquerda, enquanto trabalhava na Igreja Evangélica, expulsando o demônio. Porque eles estão num patamar muito acima dessas nossas crenças equivocadas. E eu digo “nossas crenças” porque não são só os Evangélicos ou os Católicos que tem essas crenças equivocadas. Muitos umbandistas também tem, muitos candomblecistas também tem. E a Espiritualidade entende as nossas limitações.

Bom, espero que eu tenha conseguido esclarecer um pouquinho a sua dúvida. E eu aproveito para deixar todo o meu carinho, todo o meu respeito pelos nossos irmãos evangélicos que buscam e que seguem a palavra do Cristo. Essa também é uma religião de muita luz, de muito amor, que tem muita gente boa, comprometida com o bem. Um grande abraço, Priscila. Fica com Deus e gratidão por ter enviado a sua dúvida.

E se vocês gostaram do episódio de hoje, continuem prestigiando o Alma de Poeta. Nós estamos presentes do Spotify, no Deezer, Google Podcast, Apple Podcast, Amazon Music, Youtube. E você também pode ouvir todos os episódios acessando o nosso site: almadepoeta.com.br. Um grande abraço, meus irmãos, que o nosso Pai Oxalá os abençoe e até o nosso próximo encontro!

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